SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Terça-feira, 22 Junho 2021, 00:34

O Buraco

Olho para este buraco e vejo o meu país: sucessivamente remendado, desenrascado pontualmente quando a situação se torna insuportável, sempre “atamancado” de acordo com o princípio que privilegia o ganho e desenrascanço imediatos, sem acautelar custos futuros por mais pesados que eles sejam para os cidadãos em geral.

E assim nos fomos e vamos afundando. Sempre de “tanga”, sem hipótese de se sair do “pântano” em que democraticamente e portanto por culpa nossa, nos temos deixado enterrar.

E tal como acontece com este buraco dificilmente se vislumbram soluções. Dum lado dizia-se “que se lixem as eleições que o que conta é o país”. E do outro lado tudo serve, desde locais de recolha de idosos até aos efeitos do temporal, para dizer vacuidades oportunas e fazer promessas absurdas tentando captar votos para mais umas eleições que se avizinham. E depois destas, outras eleições virão já para o ano. E no ano seguinte outras se seguirão. E andamos nisto, num corre-corre, com a cumplicidade dos principais órgãos de comunicação, tentando manter narcotizados os cidadãos eleitores, na esperança de que estes, quais mansos cordeiros bem-mandados, continuem a depositar o seu voto com devota fidelidade nos partidos a que efectiva ou afectivamente se ligaram.

Altos interesses pessoais e corporativos, privilegiando partidos e grupos de gente intocável a quem a situação interessa e que contribuem fartamente para as manjedouras partidárias, tudo fazem para impedir quaisquer consensos sobre estratégias políticas a médio e longo prazo, que são indispensáveis para que possamos sair do actual atoleiro e ter esperanças em dias melhores.

Mas o meu buraco insiste em manter-se. Isto podia aliás ser uma história anedótica para fazer rir o leitor, mas é a verdade dos factos: ontem dia 10 de Fevereiro de 2014 ao fim da tarde, constatei que o pessoal da Águas do Ribatejo (não vi, acho que só podem ter sido eles, já que foram eles que causaram anteriormente o malefício), já pela 3ª vez vieram tapar com macadame a vala que no passado verão haviam aberto para renovar um ramal de abastecimento. Desenrascaram a situação até à próxima chuvada. O problema é que São Pedro parece não estar com contemplações com estas técnicas tão portuguesas de “ir encanando a perna à rã”, e deu-nos mais uma noite de muita chuva que – acreditando nas previsões – parece ir persistir nos próximos dias. Portanto, como choveu toda a noite, hoje um dia passado sobre mais uma “reparação” a situação tende para nos próximos dias ficar igual à que estava, tendo-se uma vez mais gasto inutilmente mão-de-obra e materiais o que significa dinheiro deitado fora. Além de que uma vez mais, parte do material lá vai indo rua abaixo, dar o seu contributo para atulhar os esgotos pluviais.

Talvez seja por causa de muitos desperdícios como este e outros bem piores que decerto haverá, que o valor da factura da água tem aumentado escandalosamente, uma vez que não me parece que os muitos “tachos” criados e o parque automóvel da empresa, por muito grandes que sejam, e consta serem de facto, justifiquem por si só tais aumentos.

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