SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 19 Junho 2021, 06:40

O futuro do Hospital

Desde alguns anos a esta parte que se receia o encerramento do Hospital de Torres Novas. E sobre isto, creio que de pouco serve discutir agora o que no passado foi feito de errado para que se tenha chegado a mais esta escandalosa situação. A realidade é que se chegou e que perante a actual realidade, ao nível da rede hospitalar gerida pelo estado, é mais que discutível manter tantos hospitais de média e grande dimensão numa área geográfica tão limitada. Os poucos recursos de dinheiro e crédito que ainda existem, devem ser bem administrados, parecendo-me neste aspecto que o sector da saúde está finalmente no bom caminho.

Também não creio que no actual contexto, se o nosso objectivo for de facto manter o “nosso” hospital, sirvam de alguma coisa os protestos e as manifestações. Como noutras situações, a sua utilidade limitar-se-á a ser notícia com imagens “para mais tarde recordar” e à usual tentativa de promoção de figuras e forças políticas. Contudo, para manter o Hospital tais iniciativas nada adiantam.

Há em meu entender um caminho alternativo que passa pelo trabalho e dedicação dos torrejanos organizados e dinamizados, naturalmente através da Misericórdia local, para tentarem recuperar a gestão do Hospital. A Misericórdia de Torres Novas fundada por “homens bons” em 1534 manteve um hospital a funcionar na então vila, durante 4 séculos, desde 1580 até á “nacionalização” em 7 de Março de 1975.

Hoje, com a crise económica e financeira que toca a quase todos, reconhecemos que a situação é bastante complicada e pode ser assustador pensar-se nesta conjuntura, em retomar a gestão do hospital nas condições em que o mesmo se encontra. Mas não me parece de todo tarefa impossível: assim existam ainda “homens bons” suficientes, conceito que nos tempos actuais inclui e cada vez com mais peso, as mulheres. E naturalmente, também coragem para correr riscos e capacidade para negociar e gerir bem os recursos existentes de modo a bem servir a população.

Levanto aqui hoje a questão porque é hora de se discutir com seriedade o problema: segundo notícias (ver Público de 14Ago2013) o Governo aprovou as linhas mestras para os processos de devolução dos hospitais às Misericórdias, em que se inclui, além do acordo mútuo, uma condição financeira essencial: o custo futuro para o estado terá de ser sempre inferior a 25% do actual. As regras foram incluídas num diploma já aprovado que define as formas de articulação do SNS com as IPSS, “estabelecendo um modelo de partilha mais efectiva de responsabilidades entre os vários intervenientes”.

A promulgação do diploma em causa estará prevista já para Outubro, pelo que me parece ser tempo de encarar o assunto muito a sério. Até porque pode não haver uma segunda oportunidade, dada a possibilidade de existência de grupos financeiros interessados em fazer, também aqui, mais um bom negócio.

Torres Novas desde há séculos que tem o seu Hospital e chegou o momento de encarar a necessidade de trabalhar a sério e de tudo se fazer para que assim continue a ser, começando por tentar evitar possíveis tentativas de aproveitamento político-partidário, sempre nefastas para o que se pretende. Neste assunto, eu acredito que “querer é poder”.

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