SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 19 Junho 2021, 07:17

Duas mãos cheias de nada

 

Lá surgiu, finalmente, a já histórica e inútil explicação aos portugueses do Presidente Cavaco Silva sobre a tristemente célebre historieta das escutas, ou das vigilâncias.Tal como a esmagadora maioria dos comentadores já esperava, tudo não passou de duas mãos cheias de nada. De resto, era de tal modo evidente a falta de lógica da referida historieta que o Presidente Cavaco Silva se viu na obrigação de tentar explicar o que se poderia ter passado a partir de um mero ponto de vista estritamente pessoal.

 

Também eu tenho, e desde há muito, uma explicação puramente pessoal para quanto se passou, mas que é, diga-se assim, diametralmente oposta à agora apresentada pelo Presidente da República. Simplesmente, eu entendo que o meu direito à liberdade de comentar este tema, sobretudo agora, que já todos perceberam, até de há muito, que tudo não passou de uma historieta destinada a pôr em causa José Sócrates e o seu Governo, tem os limites determinados pelo respeito que é devido aos que representam a nossa soberania. Em todo o caso, os portugueses estão hoje muitíssimo longe de ser parvos…

 

Mas regressemos, então, à intervenção do Presidente Cavaco Silva. Tenho para mim por evidente, desde que Luís Filipe Menezes foi derrubado da liderança do seu partido, mas mais ainda depois do problema do Estatuto Político-Administrativo dos Açores, que o Presidente Cavaco Silva passou a assumir uma atitude de certo tipo de distanciamento, mesmo de algum confronto, para com o Governo de José Sócrates, o que foi, naturalmente, aproveitado pelo PSD. É o que me parece e o que me tem sido corroborado por amigos e conhecidos diversos, incluindo gente com simpatia pelo próprio PSD.

 

Não deixo de achar estranhíssimo que o Presidente Cavaco Silva tenha necessitado de ouvir técnicos da especialidade para aceitar que o sistema informático da Presidência da República apresenta algumas debilidades, mas que devem ser minimizadas. O meu conselho, se me é permitido dá-lo, é que não confie, sequer, no sistema informático da CIA, ou da Agência Nacional de Segurança, porque nenhum é à prova de gente hipercriativa.

 

Fiquei, como todos os portugueses atentos, sem saber se Fernando Lima disse o que se lhe atribui, ou não, ao tal jornalista do diário que movimentou o e-mail. E, partindo da hipótese pessimista, ou seja, de que tudo é verdade, o que acha, então, o Presidente Cavaco Silva que o referido jornalista e seu jornal deveriam ter feito. Nada, só porque Fernando Lima não era o chefe das Casas Civil ou Militar? Muito sinceramente, não é possível aceitar que este seja o ponto de vista do Presidente Cavaco Silva!

 

Em contrapartida, admitindo que Fernando Lima não disse nada do que surge no tal e-mail, que atitude vai ele tomar, ou o próprio Presidente da República, relativamente ao jornalista e ao jornal? Fica tudo numa boa, como se não interesse perceber? Haverá de convir-se que é estranhíssimo. Sejamos claros: se o próprio Presidente Cavaco Silva (inacreditavelmente) entende que qualquer funcionário da Presidência da República pode manter contactos com quem entender, como evitar especulações como as que agora se puderam observar? Se ponderar um pouco mais nesta sua tomada de posição, o Presidente Cavaco Silva facilmente perceberá que se trata de uma prática de consequências fortemente incontroláveis.

 

Por fim, mais uma palavra minha para a inqualificável tomada de posição do representante do PCP, que só pode mostrar uma realidade simples: precisam de um presidente de direita, ou da destruição do PS, para subsistir, como de água pura em alto mar. Uma vergonha!

 

Em resumo: deverá ter aqui terminado a fantástica historieta das escutas a Belém, que se chegou a dizer serem vigilâncias, já que, como é evidente e pude há dias esclarecer, nada havia ali, nem há, para ser escutado no âmbito da política interna. Como muitíssimo bem referiu o Ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, tudo não passou de uma inventona de uns quantos contra José Sócrates e o seu Governo, mas que, qual baralho de cartas, simplesmente ruiu. A evidência!

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