SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 19 Junho 2021, 07:49

Uma correia sem fim

 

Tal como de há muito pude referir, o folhetim em torno de José Sócrates, na tentativa de o envolver com o caso Freeport, continua com sucessivos episódios, o último dos quais em torno de Lopes da Mota, hoje a dirigir o EUROJUST.

 

O que é mais interessante neste folhetim é a omnipresença da regra do rei morto, rei posto, ou seja, surge hoje um novo episódio, e em pouco tempo o mesmo passa a não valer, por aquela miríade de incongruências que o Procurador-Geral da República referiu já vir a puder ser confirmada logo que o processo se torne público. Se ainda existissem dúvidas, bom, aí nos chegou essa fantástica historieta de que Lopes da Mota teria dito a alguém que havia usado indevidamente os nomes do Primeiro-Ministro e do Ministro da Justiça. 

 

E se tal historieta nos chegou, bom, de imediato começou a chuva de análises feitas, precisamente, a partir da mesma. Qualquer notícia de jornal, nunca confirmada com garantia, mormente pelo visado na mesma, e eis uma verdade pública! Uma falsa verdade, como agora Lopes da Mota veio garantir, salientando nunca ter dito a ninguém, nem em lado algum, que havia usado os nomes daqueles nossos políticos.

 

Quem assim vendia, diariamente, uma tal mentira por verdade, num ápice, perante o mais cabal desmascaramento do valor do que noticiava, de pronto passou a apontar Lopes da Mota como culpado, dado nunca ter desmentido a mentira que sobre si se foi dizendo a um ritmo quase horário. Este caso Freeport, bem como quase tudo o que gira ao seu redor, veio mostrar que o nosso designado Estado de Direito Democrático está podre. Noticiar factos sem fundamento sobre quem calhe a estar na berlinda, bom, passou a ser visto como sem importância, com os autores dos mesmos a assacarem, de imediato, a responsabilidade aos visados na falsa notícia, desde que se não tenham defendido! Terceiro Mundo?  Quarto? Decida o leitor.

 

Simultaneamente, já não é possível evitar este dado mui objetivo: o problema assumiu contornos claramente políticos, porque nos surgem constantes notícias inúteis, como a de que Lopes da Mota pode, no limite, vir a ser expulso do EUROJUST, ou mesmo a deixar de ser magistrado do Ministério Público. Trata-se de uma evidência! Uma evidência como a de poder, porventura, João Palma ser igualmente afastado das funções que hoje desempenha na mesma instituição. Ou eu mesmo ser enterrado se morrer, se por um acaso um avião se despenhar sobre o prédio onde estou neste momento a escrever este texto. Em todo o caso, evidências inúteis. Evidências que nos trazem ao pensamento o sabor da conspiração.

 

Todo este caso Freeport veio mostrar que a democracia dos nossos dias pode potenciar o que de pior existe no ser humano. E é até interessante constatar o modo como vem sendo tratado o Bastonário da Ordem dos Advogados, António Marinho e Pinto, desde que se começou a pensar que poderá ser um apoiante do atual Governo de José Sócrates… Como tinha razão António Marinho e Pinto quando, há uns anos, referiu que os riscos para a liberdade, numa democracia, podem ser bem maiores que os que se corriam na própria ditadura… Ora, ora…!

Partilhe!
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email
Share on print
Print
Share on reddit
Reddit
Jornal O Almonda, 2021 © Todos os direitos reservados