SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quarta-feira, 23 Junho 2021, 11:41

Evitar o futuro terrível

 

As eleições aproximam-se, três num único ano, e, pela primeira vez desde há vários anos, não vou votar obrigado – fá-lo-ei com gosto e convicto que as minhas cores, que são as que cobrem o centro e a direita, esta desde que em versão indubitavelmente europeia, estão muito bem representadas: – pela inteligência, conhecimentos e habilidade política de Paulo Rangel, do PSD, e pela seriedade e competência de Manuela Ferreira Leite. Já quando foi da deserção de Durão Barroso entendi que a única pessoa que estava em posição de lhe suceder teria sido precisamente a, na altura, número dois do governo Manuela Ferreira Leite. Não foi porque a politiquice, que eu tanto detesto, se sobrepôs o que foi altamente lamentável e deu os resultados que se sabem: – Sócrates ganhou, não por mérito próprio, que não se sabia se o tinha, confirmando-se agora que não, mas pela completa ausência de um adversário à altura, com imagem de seriedade e competência em vez da de “leveza e inconsistência”.

           

O actual primeiro-ministro começou bem, aparentando decisão e vontade de acertar, mas o tempo vem provando que não basta a vontade, é preciso ter uma política coerente, conhecer todas as hipóteses e ser firme na doutrina que se perfilha. É claro que a doutrina socialista está numa enorme crise porque a esquerda da esquerda, a que protesta por tudo e por nada contra tudo o que tenha de mudar (educação, em consequência da globalização, Europa, saúde etc.) é, devolvendo o jargão que usam indevidamente e permanentemente, a mais conservadora e reaccionária que existe; E a outra esquerda, a que se passou para o centro, permitindo a vitória de Sócrates, não sabe lá estar e, certamente, sente um enorme incómodo perante os ataques desabridos da esquerda tradicional, conservadora e reaccionária. É por isso que Sócrates e os seus são uns cata-ventos que correm às “fracturas modernaças” para ver se se limpam; provocam conflitos com o presidente da República absolutamente gratuitos, sem lógica que lhes dê hipótese de se lhes reconhecer alguma razão e, sobretudo, mostrando uma aflitiva falta de sentido de Estado; e embezerram em decisões reconhecidas por todos os especialistas e mais um, como sendo absolutamente catastróficas. Tudo com um ar de suficiência que se assemelha a pura cegueira e desnorte. Além disso o primeiro-ministro não trabalha há meses e meses: – inaugura escolas e escolinhas, promete todos os dias milhares de coisas e milhões de euros que se não vêm, distribui presentes às criancinhas, barafusta contra tudo e todos, corre, literalmente por todo o lado com o dedo espetado e a suar. Sentado a estudar e a ponderar? – Não vê necessidade!

           

É por tudo isto que votarei em Manuela Ferreira Leite: – não é uma estampa, mas é séria e competente, como provou quando foi ministra da educação e das finanças: Só não sabe isto quem acredita que é possível desenvolver o país com políticas levezinhas, oscilantes e sem sacrifícios. Não é possível. É necessário mudar, viver com os meios que temos ao dispor, não embarcar em demagogias, fantasias e politiquices, trabalhar empenhadamente com pessoas que além de serem sérias o pareçam, isto é, com pessoas que, olhos nos olhos, nos digam a crua da verdade, por mais dura que ela possa ser, e dizendo-o nós acreditamos e não assobiamos para o ar, como se nada fosse connosco e o futuro terrível não estivesse já cá.

Partilhe!
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email
Share on print
Print
Share on reddit
Reddit
Jornal O Almonda, 2021 © Todos os direitos reservados