SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Segunda-feira, 14 Junho 2021, 19:13

Diversidade devida

 

Convidaram-me para ir a uma escola falar sobre biodiversidade. Falei demoradamente socorrendo-me das imagens… Senti-me um pouco como alguém que lança palavras ao vento apenas pelo prazer de se ouvir. Ao fim de alguns minutos já os miúdos estavam a bocejar descaradamente com aquela espontaneidade que fica tão bem nas crianças. Fraco orador que não soube, assim me pareceu, cativar devidamente o público.

 

O tema é importante e passa frequentemente despercebido. O que é afinal a biodiversidade e que importância tem. À diversidade de seres vivos de um determinado local chama-se Biodiversidade. Existem locais no mundo que, pelas suas características geográficas, particularidades climáticas, diversidade fisiografia ou geológica e outros factores são  hot spots de biodiversidade. Veja-se o caso da Costa Rica, pequeno País da América Central, que tendo, cerca de metade da área de Portugal, tem um número de espécies de animais e planta muito superior à existente em toda a Europa. Para isso concorre o facto de estar situada entre dois continentes, de ser banhada por dois oceanos e divida por uma cordilheira de montanhas. Independentemente do valor que essa quantidade de seres vivos tem em si mesmo representa também um valor acrescido que permite compreender melhor e individualizar esse território em relação aos outros Países. Quero dizer o conjunto de seres vivos de um determinado Pais representa uma riqueza só por si mas é também um factor diferenciador desse Pais. Mas infelizmente os seres vivos estão a desaparecer a um ritmo estonteante.

 

É certo que no passado geológico, já houve algumas extinções em massa, a mais conhecida foi a dos dinossáurios. Também é certo que, enquanto espécie nos caracterizamos por transformar irremediavelmente o meio que nos rodeia. O que, verdadeiramente está em causa é que neste caso o que está a provocar essa extinção em massa somos nós mesmos com as nossas atitudes irreflectidas e descontroladas. Vamos a ver! Em que contribui para a minha felicidade que continuem a existir rinocerontes em Sumatra, ou que, aqui bem perto, na serra dos Candeeiros a gralha de bico vermelho continue a embelezar o ar com as suas acrobacias. Claro que é bonito; claro que temos pena que desaparecem estas ou aquelas espécies de animais e de plantas mas verdadeiramente, o que é isso interessa quando pensamos em problemas como a fome no mundo, como a guerra ou a proliferação de doenças que se arriscam a tornar pandemias.

 

Efectivamente será difícil de explicar mas muitos problemas sociais tem a ver com a utilização abusiva dos recursos naturais. O desaparecimento das espécies é o reflexo de uma má gestão dos recursos naturais, que são limitados e estão desigualmente distribuídos pelos cidadãos do mundo. O desaparecimento de espécies não representa apenas uma delapidação de um valor que estamos a roubar aos nossos filhos. È a demonstração de que somos incapazes de viver sem destruir este planeta. A biodiversidade não é uma colecção de seres vivos são a manifestação da vitalidade das regiões, a possibilidade da natureza tirar partido de todas as variáveis, respondendo, dentro de determinados limites a variações do meio. Estamos a destruir tudo isso. Essa é uma forma de empobrecimento que terá graves consequências económicas e sociais. A biodiversidade é a diversidade da vida. Devemos isso a nós mesmos e temos a obrigação de assegurar que os nossos filhos têm a possibilidade de utilizar o planeta com todas as suas potencialidades. Proteger a biodiversidade é assim assegurar o futuro porque, apesar de todo o nosso arsenal tecnológico, continuamos a ser apenas um ser vivo a que os cientistas convencionaram chamar Homem duas vezes sábio!

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