SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 12 Junho 2021, 16:15

Em Portugal, a corrida ao ouro e ao petróleo

 

Afinal as coisas não estão assim tão mal como por aí vão dizendo. Nem eu sou tão pessimista como me acusam. Há um sinal de esperança, uma nesga de optimismo que anunciam tempos de prosperidade e de abundância…para alguns.

 

Há ouro em Portugal! Como se fosse a corrida ao oeste americano, alguns descobriram, de pistola em punho, que no nosso país há locais onde há ouro. Há ouro nas ourivesarias. E os pistoleiros assaltam duas por dia. Só em 2008 foram feitos mais de 800 assaltos a esta fonte de riqueza. Há ou não há possibilidade de respondermos à crise? Nem é preciso escavar o solo, prospectar em rios, penetrar em minas. O ouro em Portugal está à mão de semear… É à-vontade do freguês.

 

Mas não é só o ouro. Temos também petróleo. E os derivados do petróleo. Basta ir a uma bomba de gasolina. Frequentemente, aí vão esforçados rapazes com muito sacrifício, de dia ou de noite, sem diferença de tempo e, com muita paz e segurança, enchem o saco e toca a andar.

 

Então, somos ou não somos um país rico? Temos ouro e temos petróleo é preciso é ir à cata deles. O que eu receio – porque nem tudo são rosas – é que, tirando os ladrões,  os outros cidadãos sentem-se ameaçados e pisados por um sistema que se alimenta a si mesmo e é incapaz de garantir segurança e justiça. 

 

Onde estão os guardas do império? As legiões que vigiavam os caminhos debandaram todas? Há um generalizado e fundo sentimento de inquietação. A insegurança não é só económica. Ela estende-se a todas as esferas da vida. E é esta incerteza que envenena o presente e não deixa construir positivamente o futuro.

 

Seria bom que os políticos, saíssem dos seus gabinetes, deixassem os seus assessores, ignorassem os conselheiros e a sua corte e viessem incógnitos, por este país fora, ouvir o povo e o pulsar das suas inquietações, ouvir como quem sente.

 

Há um mal-estar que não dimana apenas da conjuntura ou deste ou daquele factor. Mas tem as suas raízes na própria essência do regime. É a democracia que já é objecto de descrença. E a democracia surgiu como uma senhora bem-intencionada. Os democratas é que a corromperam. Temo por ela que tão mal acompanhada tem andado neste pobre país. Pobre mas honrado, com petróleo e muito ouro. Basta ser garimpeiro.

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