SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 25 Junho 2021, 15:09

Tirar Lições do Tempo

 

Depois de uns dias chuvosos aí temos uma Primavera quente. As temperaturas sobem aquecidas por inquéritos parlamentares. E já tivemos o 25 de Abril com muitos discursos e vamos ter o 1º de Maio, dia Mundial do Trabalhador. Olhamos, olhamos e parece que a História não anda ou, pior ainda, parece que desanda. Talvez seja esta inquietação, este intranquilo olhar, perguntando para onde vai este país, que também esteja a aquecer as coisas. Vem daí um calor suave, um lume brando, quase morto entre cinzas, mas que também contribui, certamente, para o aquecimento global desta Primavera. Oxalá que não tenhamos aí um Verão quente.

           

Por cá, nesta cidade de Torres Novas, celebramos a concessão do Foral novo por D. Manuel I. Recuamos quinhentos anos e reencontramos um passado na tentativa de nos conhecermos melhor e de nos situarmos no tempo como comunidade. Certamente, com a escolaridade obrigatória que por aí vai, com tantos e diversificados cursos, com as Novas Oportunidades, haverá um razoável domínio da nossa história e, em geral, saberemos situar e enquadrar no tempo esse acontecimento de 1510. Foi um tempo extraordinariamente criativo. Então, não era Portugal que ia à Europa, era a Europa que vinha a Portugal. E abrimos o mundo ao mundo. Esse século XVI produziu génios na ciência como Pedro Nunes e Garcia da Orta (cujo corpo foi queimado por herege depois de sepulto há vários anos); na literatura como Gil Vicente (censurado), Damião de Góis (assassinado), Camões (nosso símbolo, nosso símbolo esfomeado). Tantos, navegadores, pregadores, artistas aventureiros… Então por aqui passou, Luísa Sigeia,   “o sol do humanismo português”.  Todos sobejamente temos presentes estes vultos da nossa cultura, ou não fosse a escola o lugar onde se ensina a nossa história, a nossa língua, a nossa literatura. Aí se ensina e aprende tudo isso, certamente, certamente…

           

Pois, aí temos a outorga do Foral a Torres Novas. Que o acontecimento seja ocasião de trazermos o passado para o presente, para acertar o passo, para vermos onde acertámos e onde errámos. Procuremos saber como foi possível o lamentoso canto do Poeta “ a gente surda e endurecida” e como caímos “ No gosto da cobiça e da rudeza/ de uma austera, apagada e vil tristeza”.

           

Voltemo-nos para esse longínquo século XVI. Saibamos enquadrar o Foral novo. E talvez possamos tirar lições para o presente.

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