SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quarta-feira, 16 Junho 2021, 03:05

Um povo que se afasta

 

Serve de reflexão aos analistas e de tema de conversa a enorme abstenção verificada de eleição para eleição. Começa a preocupar que a democracia seja a representação política de uma minoria.

 

Este nível de abstenção significa que a indiferença ou o protesto levam o povo a não participar nos actos de cidadania a que é chamado. Interrogamo-nos sobre o que levará alguém a não querer participar na tomada de decisões em assuntos que vitalmente lhe dizem respeito. Ao não votar eu abstenho-me de tomar posição sobre o caminho comum por onde vamos.

 

Há nesta situação um profundo divórcio entre governados e governantes. Há aqui a afirmação duma descrença naqueles que têm os destinos do país nas mãos. Perdeu-se a confiança nos discursos, nos programas políticos, nas instituições. E a culpa deste divórcio estará também no comodismo de alguns, mas teremos de a encontrar, sobretudo, em quem matou a fé e a esperança no futuro devido ao falhanço das medidas que se vão tomando, devido há hipocrisia e à mentira da propaganda.

 

Cresce a sensação de que os políticos se governam e não governam; que há uma justiça não igual para todos; que há uma minoria privilegiada e os outros, a maioria, são os restos desconsiderados pelo Estado. Sente o cidadão que as leis não são para si mas contra si; que as reformas não melhoram coisa alguma mas pisam e torturam a vida do dia-a-dia; que a insegurança é uma consequência da frouxidão das leis e da desfaçatez e da incúria de quem governa; que as polícias são vigilantes de automobilistas e não garantes da segurança e da ordem; que os políticos se submetem aos interesses dos grupos financeiros e esmagam com impostos o povo na sua relação coma economia real.

 

Por tudo isto não admira que os cidadãos sintam que nada têm a ver com este estado de coisas. São eles que se afastam ou são, de facto, afastados por aqueles que se alcandoraram no poder e tudo fazem para diminuir a participação política do cidadão comum?

 

Triste democracia que chegou ao estado a que chegou. Mas cada vez mais parece acordar uma consciência colectiva que põe em causa a situação presente. Vejo com preocupação o futuro imediato porque estamos a ser conduzidos para ele por cegos que não querem ver.

 

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