SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 19 Junho 2021, 19:02

Guardiães da Memória

 

Muita investigação histórica está por fazer em Torres Novas para trazer do esquecimento factos, pessoas, que fizeram o nosso passado;  muito pó esconde caminhos que nos conduziram até ao presente; há um lume  sob cinzas que nos poderia dizer, de outro modo, o que fomos, se esse lume fosse avivado. Muito há que procurar se queremos saber mais e melhor sobre veredas apagadas, sobre as pedras erguidas deste muro, sobre povos e povos que pisaram este solo.

 

Mas, sem dúvida, há em Torres Novas uma actividade editorial fora do comum. Poucos municípios terão tanta publicação, seja no campo da ficção e da poesia, seja  no campo do ensaio. A investigação na área da história tem merecido especial atenção de há anos a esta parte. E temos entre nós um  grande número de historiadores que, com notável qualidade, com denodado trabalho têm vindo a desenterrar do esquecimento o nosso passado.

 

Há poucos dias, Francisco Canais Rocha, apresentou em edição do município de Torres Novas, a notável obra Para a História do Movimento Operário em Torres Novas. Este trabalho, nascido do esforço de um homem que tem dedicado a sua vida à investigação e à intervenção cívica, pretende «não deixar cair no esquecimento a história da vila operária que foi Torres Novas no século passado, e que hoje, sinal dos tempos, se transforma, cada vez mais, numa cidade de serviços». Aqui se narra o incipiente movimento operário que se alarga com o aparecimento da República, República sempre tão madrasta para os trabalhadores. Aqui surgem nomes e acontecimentos, vitórias e fracassos do movimento operário em Torres Novas no final do século XIX, princípio do século XX.

 

Trago também hoje aqui a comovente história do desencontro entre um homem e uma mulher de uma aldeia do nosso concelho. Meu Amor da América, de João Carlos Lopes, pequena narrativa, diria, epopeia da vida de um homem que parte em busca da realização de um sonho de vida melhor e da mulher que aqui fica, agarrada à sua leira, sustentando os filhos em tempo de guerra. Esta obra é apenas um pequeno traço no pó do nosso caminho comum. Mas recupera uma memória, dizendo-nos quem somos e que nos fazemos misturando sonho e realidade, sofrimento e alegria.

 

Direi ainda, falando deste quadro de recuperação da memória, que o mesmo investigador, João Carlos Lopes, apresentará, no próximo sábado, mais um livro que nos diz dos primeiros tempos do futebol em Torres Novas, quando passam cem anos da realização do primeiro jogo de futebol entre nós.

 

Felizmente que muitos se têm dedicado a tirar do pó do esquecimento o que foi a nossa vida comum. Sem eles perder-se-ia muito da vida que nos enformou. São eles que concorrem, num tempo apressado e de esquecimento, para preservar o nosso passado. São eles os guardiães da nossa memória.

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