SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Segunda-feira, 14 Junho 2021, 18:58

O Conselho da Europa e o ensino da nossa História

Li que o Conselho da Europa exorta as autoridades portuguesas a mudar a narrativa da História que se continua a transmitir aos alunos. Fiquei estupefacto e de boca aberta. Certamente que o estudo da História merecerá sempre ajustamentos e correções. E devem-se combater os excessos patrioteiros e procurar a objectividade. Mas quem encomendou ao Conselho da Europa que viesse meter o bedelho no que se ensina ou não ensina nas nossas escolas?

É por estas e por outras que os povos se vão cansando das interferências exteriores que restringem a sua autonomia. E neste caso quer-se a perda da memória, o esquecimento do que faz a identidade de um povo.

Eu sei que há episódios na nossa História que deviam ser revistos e até apagados. Por exemplo, quando Fernão Lopes, todo ufano, nos diz que os portugueses, na batalha de Aljubarrota, vendo os espanhóis em fuga, gritavam: «Já fogem! Já fogem!… e eles para não deixarem os nossos mentirosos fugiam cada vez mais», devemos alterar o texto e, numa nova narrativa, contar como os nossos, vendo os castelhanos com tanta pressa, chamaram-nos, sentaram-se todos à mesa e aos beijos e abraços fundaram aí para sempre a amizade luso castelhana.

E que dizer daquele cruel episódio da padeira de Aljubarrota que, segundo se diz, matou sete castelhanos com a pá do forno? Oh desalmada, é com a pá do forno, esse sagrado instrumento de fabricar o pão que atiras para o Além uns tantos espanhóis atarantados? Ainda se fosse com um chuço ou à espadeirada, agora trucidá-los à pazada?!

E um tal Afonso Henriques que andou por aí a bater nos mouros até se fartar? Não seria melhor a nossa História ignorar este comportamento racista e pôr o nosso primeiro rei como o grande fundador do abraço universal que, antes de Vasco da Gama, uniu o ocidente ao oriente? Direi ao Conselho da Europa que tudo o que estiver ao meu alcance para que o ensino da nossa História seja doce como comer um pastel de Belém, será feito, até porque estamos no tempo do politicamente correcto.

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