SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quarta-feira, 16 Junho 2021, 01:35

Opinião Pública? O Provedor espanta-se

A notícia publicada no número anterior de O Almonda referente ao Encontro Nacional de Comissões e Associações de Utentes ocorrido no Entroncamento, no passado dia 25 de novembro, tocou especialmente o Provedor do Leitor. Nunca é de mais insistir na absoluta necessidade de todos terem «acesso a serviços públicos de qualidade e de proximidade», como se pode ler na edição referida deste jornal. Sabemos como o poder é useiro e vezeiro nos maus tratos ao cidadão e este só é bem considerado como votante e como contribuinte. Com efeito, este Encontro Nacional considera que «estamos ainda longe do que utentes e populações merecem e precisam para a melhoria das suas condições de vida». Por ora centro-me apenas no serviço público prestado pelo Serviço Nacional de Saúde para lamentar como, tantas vezes, não há respeito pela dignidade da pessoa que a ele recorre. Não estão aqui em causa a abnegação e competência dos profissionais da saúde, mas as condições que são impostas a utentes e profissionais. Causou-me espanto, que não estranheza, a situação vivida por Canais Rocha, narrada na edição deste jornal de 24 de novembro passado: «Com muitos anos de vida nunca vivemos uma situação destas, passar três dias e três noites num corredor de uma urgência médica». E quantos utentes não estiveram já e estarão sujeitos a este desconforto, a esta humilhação? E não se pedem responsabilidades àqueles que, em determinado tempo, fizeram “força política” para concentrar valências e serviços em determinado hospital em detrimento de outro. Não estamos num país do quarto mundo mas às vezes parece. O doente, naturalmente, está sempre em precária situação e em fragilidade, merece ser tratado com respeito e dignidade mas sabemos que muitas vezes não é assim. E ninguém pense que está livre de cair nas unhas do serviço Nacional de Saúde. Uma opinião pública deveria levantar-se e exigir a saúde a que tem direito. Gasta-se, esbanja-se, desvia-se dinheiro tantas vezes de forma irracional e desonesta e, para as coisas essenciais a uma vida digna, estamos assim e por aqui…

Partilhe!
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email
Share on print
Print
Share on reddit
Reddit
Jornal O Almonda, 2021 © Todos os direitos reservados