SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quinta-feira, 17 Junho 2021, 00:17

Chancelaria: Historia e Cultura de um Povo (6/6)

 

A partir do princípio da década de 60, a aldeia começou a ver seus filhos a partir para terras de França. A falta de mão-de-obra, pôs fim às casas agrícolas do norte do concelho. A oferta de passagens clandestinas eram constantes por parte dos angariadores e passadores. A maioria dos candidatos a emigrantes pediam dinheiro emprestado para pagar a sua passagem. No princípio da década partiram apenas homens, enquanto que, a partir de 1965, começaram a partir também jovens solteiras e as mulheres e filhos dos primeiros aventureiros. A aldeia ia ficando mais triste.

 

Os jovens que ficavam foram-se moldando à grande evolução dos célebres anos 60. Eles foram deixando crescer os cabelos até aos ombros, usavam calças boca-de-sino e camisas cintadas, enquanto elas iam usando as saias cada vez mais curtas. Muitas mais pareciam verdadeiras bonecas (as jovens não tinham os chamados pneus, que estão actualmente em moda) ou eram fortinhas ou eram elegantes, porque na época em questão os jovens não se alimentavam com uma espécie de “borracha” fornecida pelas multinacionais americanas, como McDonalds, entre outras gorduras prejudiciais à saúde animal. Pelo contrário, tinham por base uma alimentação saudável com produtos naturais. Também se usavam calças e saias de cintura descida, mas sem pneus. Os jovens sabiam vestir-se. As roupas eram feitas por medida nas costureiras e alfaiates.

 

As músicas e danças sofreram profundas alterações. A música para dançar deixou de ser produzida por acordeão ao vivo, passando a ser transmitida através de discos. Fundamentalmente músicas de grupos e artistas inglesas, franceses e italianos. Inicialmente os jovens reuniam-se no alpendre da escola velha da aldeia, onde dançavam ao som de músicas produzidas por gira-discos movidos a pilhas. Porque a energia eléctrica era coisa que na época estava fora de questão. Muitos aparelhos já eram fruto dos francos que os pais dos jovens enviavam de França. Daí o orgulho dos jovens proprietários.

 

Nos últimos anos da década de 60 os serões das festas da aldeia deixaram de ser abrilhantadas pelos concertos das bandas filarmónicas, passando a ser ao som de conjuntos que produziam músicas de baile. Estas inovações devem-se à força da juventude, que sempre pensou que seria capaz de mudar o mundo. “E desta vez aconteceu.” A mudança teve origem num grupo de 4 jovens músicos de Liverpool, os “Beatles”, que deram inicio a uma bola de neve, que percorreu os quatro cantos do mundo.

 

Surgiram músicas para dançar individualmente de forma agitada, como o Rock., enquanto surgiram as baladas que são músicas muito lentas, logo eram dançadas da mesma forma: Os pares uniam os corpos de tal forma que assustavam os mais velhos. Estes comentavam: “estamos no fim do Mundo…”; “a 2000 chegarás, de 2000 não passarás…” O desespero dos mais velhos aumentava quando tinham jovens no seio das suas famílias. Além dos avós que tinham netas à sua responsabilidade, enquanto os Pais se encontravam em França a preparar as condições mínimas necessárias para levar os filhos para o seu seio.

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