SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quarta-feira, 16 Junho 2021, 02:32

Chancelaria: Historia e Cultura de um Povo (5/6)

 

Os trajes dos habitantes da Aldeia até aos anos 50, tinham como base uma mistura dos trajes dos povos que povoaram a Aldeia. Nomeadamente: lezíria do Tejo “borda de água” e da região Serrana. O povo de Chancelaria era descriminado pela comunidade religiosa da freguesia. Excepto pelos habitantes do Pafarrão, dado que o seu vinculo á Igreja era também muito reduzido.

 

A maioria dos habitantes das Aldeias de: Rexaldia, Mata, e Rendufas, respeitavam os dias de Domingo e feriados religiosos. Não trabalhando. Participavam de forma assídua nas missas realizadas nas Capelas das suas Aldeias. Resultando do seu vínculo á religião, muitas oportunidades de empregos, menos duros, e melhor remunerados relativamente ao trabalho do campo. Enquanto os jovens de Chancelaria nunca fizeram parte das organizações religiosos dessa época, nomeadamente: JOC, Acção Católica, entre outras. Também não me recordo de qualquer jovem frequentar o seminário. Enquanto nas restantes Aldeias da Freguesia sobretudo na Mata, nos anos 50, passaram pelos Seminários cerca de uma dezena de Jovens. O que lhes deu acesso a bons empregos. Se a memória não me falha, nenhum Jovem dessa geração foi ordenado. Houve sim, algumas ordenações nas gerações anteriores. 

 

A larga maioria dos habitantes de Chancelaria aproveitavam os domingos para fazerem os trabalhos agrícolas nos seus pequenos pedaços de terreno. É de salientar que, os habitantes que possuíam terrenos com maiores áreas, tendo como principio o espírito de solidariedade, sediam um pouco dos seus terrenos de culturas hortícolas aos que nada tinham, para sustento das suas enormes famílias.

 

Os habitantes de Chancelaria eram um povo muito solidário. Quando algum conterrâneo tinha um problema grave, logo esqueciam as quezílias, e davam as mãos da solidariedade. O povo de Chancelaria, mesmo não sendo afecto á religião, sempre que eram realizadas festas na paróquia para angariação de fundos para conservação e restauros da Igreja, por uma questão de solidariedade, e orgulho pelo seu património, disponibilizavam-se massivamente para colaborar. Alem das manifestas boas relações com os párocos que ao longo dos tempos administraram a paróquia.

 

Nos anos 40 e 50, quando da Administração do Padre António Rodrigues, este, sempre que pretendia realizar um grupo de teatro, ou um grupo de jovens para desfilar nos dias de Entrudo, “cegada” dirigia-se aos jovens de Chancelaria. Sabendo que estes desde sempre se encontraram disponíveis. Chegando a apresentar peças de teatro com algum prestigio na região.

 

Faz parte da natureza humana, os convívios entre ambos os sexos. Os bailes foram em Portugal até meados do século XX, uma das poucas formas que originavam os convívios mais “livres” entre jovens de ambos os sexos. Tudo o que foi feito com o objectivo de contrariar esta realidade, foi sempre remar contra a maré. A realidade por vezes tarde, mas vem sempre ao de cima. Há quem acredite que: Adão antes de comer a maçã, dançou uma valsa com Eva à sombra da macieira”.  

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