SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 19 Junho 2021, 15:37

Chancelaria: História e Cultura de um Povo (4/6)

 

A partir do século XX, nos domingos e feriados, os jovens da aldeia realizavam grandes bailes. Sendo os mais importantes realizados nos dias das inspecções dos mancebos, e nos dias de Natal. Embora os ensaios fossem realizados nas vésperas, junto às enormes fogueiras nos largos da aldeia “ao som do acordeão do Senhor António dos Santos Mineiro”. Sempre disponível para animar os jovens”, os enormes bailes eram realizados nos Barracões anexos aos estabelecimentos comerciais da Aldeia. O palco para instalar o acordeonista, normalmente era uma “dorna” virada com o fundo para cima. A parede situada nas costas do tocador, era ornamentada com uma manta de retalhos com grandes cachos de laranjas pendurados. Todos se divertiam com enorme alegria, desde as crianças que iniciavam os primeiros paços, até aos mais velhos que dançavam até poderem arrojar a bota.

 

Os poucos jovens das restantes Aldeias da Freguesia que se deslocavam aos Bailes de Chancelaria, aparentavam sentir-se deprimidos. Talvez porque estariam sujeitos a represálias das suas comunidades religiosas. (Excepto os naturais do Pafarrão que participavam livremente nos convívios. Assim como alguns mais corajosos da Aldeia da Mata).

 

A Igreja Católica não permitia a realização de Bailes. Alegando os seus responsáveis que, se tratava de gestos e movimentos exageradamente sensuais. Motivo porque Chancelaria sendo pouco afecta às religiões, era a única Aldeia da Freguesia que organizava grandes Bailes. A Aldeia de Adofreire era a localidade mais próxima que realizava Bailes com alguma frequência até princípios dos anos 60. Entre outras poucas que esporadicamente realizavam estes inventos. Enquanto no Sul do Concelho, na então Aldeia de Riachos, e nas Aldeias das Charnecas nas proximidades da planície, os povos sendo menos afectos á religião, manifestavam de forma mais livre a sua alegria, participando em grandes Bailes. Os Bailes realizados em Chancelaria, sobretudo a partir dos anos 30 do século passado, eram abrilhantados por acordeonistas famosos, interpretavam músicas para dançar. Nomeadamente: rumbas, boleros, foxtrot, tangos, paço dobles, e valsas, estas músicas eram intercaladas com músicas populares portuguesas e brasileiras. Participaram ainda os acordeonistas internacionais, Isidro Baptista, na década de 40, e Eugenia Lima, num festival de acordeão na década de 80. Nos anos 40 os bailes também foram muitas vezes abrilhantados por um tocador de guitarra natural da aldeia de Rendufas. E nos anos 50, por um duo “casal”, salvo erro da aldeia de Lapas, que executavam saxofone e acordeão, a que o povo da aldeia dava o nome de Jazz. No entanto o som do acordeão era o preferido dos habitantes de Chancelaria.

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