SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 18 Junho 2021, 10:48

A crise, a banca, e os Cidadãos

 

Longe vão os tempos em que apenas cerca de 1/3 dos Portugueses tinha contas bancárias. Muitos destes apenas tinham contas a prazo. Guardavam em casa o dinheiro necessário para as transacções correntes. Ainda não era vulgar os pagamentos com cheques. As empresas e os municípios, até aos anos 80, levantavam dinheiro vivo para pagar os salários aos seus empregados. As pessoas queriam sentir o dinheiro. Já existiam as vendas a prestações. No entanto os clientes todos os meses entregavam o respectivo valor em dinheiro aos comerciantes. Hoje tudo se move de forma muito diferente. Desde o incentivo dos bancos às contas-ordenado, passando pela utilização de créditos para habitação própria, automóvel, cartões, entre outros créditos que levaram as sociedades de consumo a utilizar a Banca.

 

Ao contrário do que muitos cidadãos poderão pensar, os bancos são grandes instituições comerciais. E, como em qualquer outra actividade, tentam vender o seu produto aos clientes com melhor poder de compra. Foi a partir da década de 80 que os bancos passaram a usufruir de enormes lucros. Dando origem a que outros capitalistas mais “rafeiros” cobiçassem o apetecível negócio. Porém, não esperavam dias tão negros a tão curto prazo de tempo. Não lhes dando tempo para se “alojarem”.

 

Pelo caminho que a economia global está levando, acredito que mais desastres se irão verificar, e com eles as trapalhadas do costume. As off-shores são o refúgio “legal” para a grande evasão fiscal, assim como a grande capa para branqueamentos de capital. Se um dia o capitalismo permitir que o poder político acabe com as off-shores, será apenas para tapar o Sol com a peneira. Porque antes já terão outras farsas, com outros nomes preparados. A Globalização abriu-lhes novas portas da exploração no Mundo. Quer queiramos, quer não, este capitalismo especulativo é corrupto. Procura manter o poder. Mesmo quando está à vista o princípio do seu fim. Os Governos são eleitos pelos povos, mas logo que empossados governam à mercê do capital. O sistema capitalista não se limita a constituir off-shores com o objectivo de salvaguardar apenas os seus bens particulares, utilizam-nas para fins ilícitos. Temos os exemplos do BCP, BPN, e BPP. Enquanto os pequenos empresários foram dando, ao longo dos anos, o seu aval pessoal para financiamentos às suas empresas, sem sequer ter conhecimentos nem condições financeiras para constituir off-shores, para salvaguardar as suas habitações. Muitos destes, depois de largas décadas de trabalho, em situação de falência ou insolvência, sujeitam-se a dormir debaixo das pontes. Enquanto os pequenos empresários um pouco por todo o Reino Unido, com maior incidência nalguns países daquele Reino, constituem off-shores para salvaguarda dos seus bens particulares. Sujeitando-se assim os bancos apenas ao sucesso, ou não, das empresas dos seus clientes para salvaguarda dos créditos concedidos.

 

Nunca os gabinetes portugueses especializados na constituição de off-shores  foram tão solicitados como a partir do presente século. Depois das economias entrarem em recessão um pouco por todo o mundo, com mais incidência no ocidente. E dadas as grandes mossas que a crise continua a registar. Na possibilidade de vermos o poder de compra dos portugueses a melhorar apenas em 2012, será necessário a economia entrar em crescimento este ano, ou no máximo no princípio do próximo, o que não será provável.

 

Tudo é estranho para a actual geração de economistas, dado que nas últimas décadas tudo lhes tem corrido sobre rodas. Seria importante que estes técnicos, através das respectivas universidades e com a colaboração das associações empresariais, se empenhassem na elaboração de trabalhos “projecto” em busca de soluções para sanar a crise, de forma a apresentarem sugestões ao Ministério da Economia. “Quem sabe se, com muito trabalho, os economistas portugueses seriam pioneiros na solução para a crise dos países com economias mais frágeis”… Mostrando assim aos portugueses que estes não contribuem com os seus impostos para as suas licenciaturas em vão. Em vez de continuarem de braços caídos à espera dos resultados dos países economicamente mais poderosos. Lembro estes senhores que a catástrofe que se avizinha não os exclui.         

 

Contudo, para pôr termo a este flagelo, também é necessária a reforma das mentalidades dos agentes económicos e dos capitalistas especulativos. Quanto aos últimos, será mais difícil. No entanto, estes teimosos, mesmo com avanços e recuos, e muita consternação social durante as próximas décadas, irão a reboque duma nova ordem económica.  

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