SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quinta-feira, 17 Junho 2021, 00:27

Portal da Amizade: (Re)abertura do Ano Escolar / A Família e a Escola

 

O ciclo vital da família como um todo e do indivíduo no particular, é marcado por diversas fases. Hoje procuraremos acompanhar as diferentes fases da evolução da família que se relacionam com o sistema escolar.

 

Devido aos encargos com que as famílias se deparam na actualidade, associados a baixos rendimentos, empregos precários, as mães têm necessidade de recomeçar a trabalhar cada vez mais cedo. Também as redes de suporte, como os avós ou os vizinhos, deixaram de ter disponibilidade pois, também estes, necessitam do rendimento proveniente do trabalho, não tendo ainda idade para a reforma. Assim, cada vez mais, as crianças têm que ir para a escola mais cedo.

 

Primeiro a creche, o jardim-de-infância, o ensino pré-escolar…Considera-se a entrada para o Jardim de Infância por volta dos 3 anos, como a primeira “ruptura” do sistema familiar que deixa de estar fechado sobre si mesmo, vivendo em função do filho, e passa a abrir-se para o contacto com os outros: As educadoras, as outras crianças, as famílias dessas crianças. Muitas vezes as crianças choram, sentindo-se abandonadas e os pais sentem-se culpados por deixarem o seu filho a chorar. É necessário que a família confie na instituição onde deixa a sua criança. Deve procurar conhecer as instalações antecipadamente pois isso dar-lhes-á maior segurança. Junto da criança deve-se falar das coisas boas que irá encontrar na sua nova escolinha: meninos para brincar, brincadeiras novas, actividades divertidas… Naturalmente estas tensões dissipam-se e a ida para a escola torna-se rotina.

 

Com a entrada para o 1º ciclo surgem as primeiras responsabilidades, sendo importante que os pais vão preparando as crianças para que se tornem mais independentes, mais autónomas. Esta fase é mais complicada para as crianças que não frequentaram o pré-escolar, pois não tiveram uma preparação prévia para o cumprimento das regras tão necessárias em qualquer escola. Então, como estimular a autonomia dos nossos filhos? Pedindo-lhes que executem pequenas tarefas domésticas como, por exemplo, preparar a mesa para a refeição, arrumar o seu quarto… mas sempre com a supervisão do adulto. Também agora era importante ir antecipadamente com a criança ver a sua nova escola. Fazer da compra do material escolar um ritual partilhado por todos. É altura de preparar a criança para a mudança que a espera. No lugar da educadora que contava histórias vai encontrar a professora que vai ensinar a ler e a escrever; O cantinho das bonecas vai ser substituído por uma sala com mesas e cadeiras em fila; já não pode chegar atrasado nem faltar. Preparar também um cantinho em casa, onde a criança irá fazer os trabalhos de casa e estudar.

 

E passam 4 anos… chegou a passagem para o 5º ano que é considerada a transição mais complicada para os pequenos estudantes. No lugar de uma professora e uma sala de aulas passam a ter várias professoras e a ter que mudar de sala para cada disciplina. Também, embora possam manter alguns colegas do 1º ciclo, passam a ter muitos mais e desconhecidos. As crianças que vivem nas nossas aldeias ainda enfrentam a aventura de vir para a cidade todos os dias, muitas vezes apanhando um autocarro ainda de noite e regressando a casa também já de noite. Também o sistema familiar se depara com novas preocupações. Novos horários, a forma como a sua criança irá passar os “furos” e os tempos livres e com quem. Alargam-se-lhe os horizontes e os pais, embora continuem a ser muito importantes, já não são o centro do seu mundo. Deve-se responsabilizá-la pelo cumprimento do seu horário, pela sua alimentação, pela gestão do seu dinheiro que deve ser sempre pouco, ensiná-la a movimentar-se num espaço muito maior … É importantíssimo manter um diálogo constante sobre os seus dias, as suas novas experiências, de forma a criar uma relação de abertura e confiança.

 

Segue-se a passagem para o 3º ciclo que as crianças encaram com muito orgulho pois passam para a escola “dos maiores”. Começam a valorizar o grupo de amigos em detrimento do poder parental. É a fase em que, muitas vezes, questionam os pais e as suas convicções, os seus valores. A sua vida gira em torno dos amigos. Os pais necessitam de deixar espaço para a sua individualidade mantendo-se contudo atentos, disponíveis, interessados pelo seu dia-a-dia. Não esquecer de negociar horários tanto de estudo como de lazer, mantendo sempre os limites muito claros.

 

Passados 3 anos dá-se a fase de passagem para o ensino secundário. Agora começa a competição pelas notas para uma possível entrada para a faculdade. Por vezes a tensão é muita, chegando alguns jovens a entrar em depressão, desistir de estudar e/ou das actividades que até então lhes davam muito prazer, isolarem-se do seu grupo de amigos… Muitos pais sentem agora mais intensamente a ansiedade da incerteza no futuro dos filhos. Precisam de transmitir-lhes confiança, valorizar as suas competências e encorajá-los a prosseguir.

 

Considera-se que, com a entrada para a faculdade, termina o ciclo vital da família na sua relação com a escola. Muitas vezes é nesta fase que os filhos saem do seio da família e se deslocam para longe. É a fase do “ninho vazio” que por vezes provoca uma crise conjugal, principalmente em casos de filhos únicos. O casal esteve, tantos anos, absorvido com o filho que “perdeu” a capacidade de se inter-relacionar. Há que manter o diálogo um com o outro e os dois com o filho, um contacto assíduo ainda que telefónico, valorizar os filhos pelas suas conquistas mas mantendo sempre bem claro que existem limites e que são para cumprir.

 

Certamente algumas das características acima referidas foram identificadas por vós em determinada fase do desenvolvimento dos vossos filhos. É nossa intenção descrever, identificar e desmistificar algumas situações que frequentemente nos são apresentadas como problemas, com algum dramatismo. Afinal, são apenas fases passageiras que, se enfrentadas com calma e alguma perspicácia, não terão consequências negativas.

 

Referimos as fases de um percurso que prevê o acesso a uma faculdade. Contudo, muitos jovens optam pela formação profissional que tem tanto valor quanto o ensino superior e, muitas vezes, com saídas profissionais muito mais rápidas e bem remuneradas do que muitas licenciaturas. Não interessa que o nosso filho seja engenheiro, médico, advogado… mas sim que seja FELIZ

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