SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 25 Junho 2021, 00:59

Portal da Amizade: Recordações

 

Atendendo ao início do ano escolar e dando algum seguimento ao tema anterior (bullying), era nossa intenção focar um pouco as relações professores/alunos. No entanto, vários leitores nos manifestaram o desejo de que, por vezes, falássemos de temas “menos sérios, mais leves e bem-dispostos”. Efectivamente, se é nossa intenção alertar para os riscos que as nossas crianças e jovens correm nos dias de hoje, dar esclarecimentos sobre determinadas problemáticas, promover a reflexão sobre outras, também fica bem descontrairmos um pouco, falarmos de coisas agradáveis como se faz em qualquer grupo de amigos que se reúna periodicamente. Assim, satisfazendo o pedido desses leitores e de uma leitora especial, hoje iremos partilhar convosco experiências de ontem e de hoje, algumas diferenças nas formas de ocupar os tempos de lazer…

Na primeira metade do séc. passado não havia televisão, computadores, internet, bares, discotecas, concertos… Então com se passavam os serões? O que se fazia nos fins-de-semana?

 

Os serões chuvosos eram passados com toda a família sentada à volta da lareira (chaminé) a ouvir as histórias que os mais velhos, os avós, tinham para nos contar. Histórias mágicas que faziam as delícias dos mais novos. Estes, um dia mais tarde, contá-las-iam aos seus netos já não na lareira tradicional, mas à volta da braseira ou dos aquecedores a gás ou eléctricos.

 

No tempo quente as pessoas juntavam-se no largo principal das aldeias, outros ficavam sentados no portal das suas casas a conversar com os vizinhos. Cantava-se, ensaiavam-se peças de teatro, danças… E as pessoas eram felizes, divertiam-se, eram mais amigas. Será saudosismo, nostalgia, o que estou a sentir? É tudo isso e a tristeza por ver que estes hábitos acabaram, estes tempos em família tão importantes para a transmissão de valores.

 

A propósito, vou partilhar convosco um poema que me foi ensinado pela minha avó Maria num desses saudosos serões em família. Este poema é sobre o riso e tinha sido declamado por ela em vários espectáculos, desses que eram ensaiados aos serões pelos jovens ou menos jovens da aldeia.

 

O Riso

 

Dizem por aí as más-línguas

Que as há e bem compridas

Que nunca paro de rir-me

Já viram as atrevidas?

 

Dizem pois as tais senhoras,

As tais línguas depravadas,

Que nunca cesso de rir,

Que ando sempre às gargalhadas.

 

Rio-me sempre, e que tem?

Rio-me sempre, é verdade!

Acaso sofrem com isso?

Deixem-me rir à vontade.               

 

O riso faz bem à gente,

Dá alento e dá saúde,

O riso não é vergonha,

Porque é irmão da virtude.

 

Não querem rir-se? Que chorem,

Mas deixem-me rir a mim,

Cada qual tem seu feitio,

E o meu, senhores, é assim!

 

Considerem este poema como um desafio. Quem tem coragem para partilhar connosco os saberes adquiridos através dos seus ascendentes (avós, pais, tios, vizinhos)? Pode fazê-lo por escrito, por email, telefonicamente, por exemplo e porque não, em directo durante o próximo programa radiofónico que decorrerá na Rádio Local de Torres Novas (FM 100.8) entre as 10H00 e as 11H00 do próximo dia 23 de Setembro. Contamos com a vossa companhia e participação.

Partilhe!
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email
Share on print
Print
Share on reddit
Reddit
Jornal O Almonda, 2021 © Todos os direitos reservados