SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quarta-feira, 23 Junho 2021, 03:44

Portal da Amizade: Conduta Anti-social / Bullying (3)

 

Antes de nos debruçarmos sobre o Bullying como comportamento anti-social específico, gostava de analisar convosco, soluções para a prevenção, minimização de danos, ou mesmo, para a resolução destes comportamentos. Cada um de nós tem o seu papel nesta tarefa. Foram referidos os factores desencadeantes deste tipo de comportamentos: Ambientes familiares agressivos, caracterizados por práticas familiares demasiado coercivas ou demasiado permissivos; Famílias numerosas com dificuldades socioeconómicas, sobrelotação, alojamento inadequado, má educação dos pais, disputas conjugais, casamentos dissolvidos em que os filhos servem de arma para magoar o outro; Ambientes escolares desfavorecidos; Modelos educativos inexistentes ou incoerentes; Factores genéticos; Problemas de saúde mental; Dificuldades sérias de interacção e de comunicação (as más relações interpessoais tendem a relacionar-se com a conduta anti-social).

 

Em primeiro lugar a família desempenha um papel fundamental na formação do indivíduo pois é na família que se transmitem os valores, se aprende a ser e a estar, a partilhar e a dialogar, a aceitar as diferenças e a encontrar alternativas saudáveis para as diferentes questões que se nos colocam diariamente. A precariedade económica, a desagregação e ruptura mas, principalmente, a ausência de suporte emocional dos adultos em relação às crianças, a falta de carinho e envolvimento afectivo logo na primeira infância, a instabilidade, provocam uma baixa auto-estima, a falta de valores pelos quais a nossa conduta se deve reger, a dificuldade na resolução de problemas…

 

Ao dizer dificuldade na resolução de problemas não me refiro à matemática. São os problemas com que nos deparamos no dia-a-dia, as dificuldades que nem sempre nos parecem fáceis de resolver e que só resolvemos trabalhando a nossa mente no sentido de ponderar as soluções e eventuais consequências. Como prevenir e/ou tratar os indivíduos que apresentam este tipo de comportamentos? Será que têm “cura”? Tenho alguém na minha família que me parece anti-social, a quem me devo dirigir?

 

Procuraremos muito rapidamente dar algumas indicações sobre estas questões. É muito importante sensibilizar o indivíduo para reconhecer que tem um problema para o qual necessita de ajuda e que não a procurando corre o risco de se tornar um perigo para si mesmo e para a comunidade que o rodeia. Assim, deve procurar-se ajuda junto dos Serviços Sociais da área de residência. Estes possivelmente encaminharão para um acompanhamento psicológico ou mesmo psiquiátrico. Estas consultas não são para os “malucos”. Ainda nos nossos dias existem muitas pessoas com este preconceito. Eu diria que este tipo de acompanhamento é para “evitar que fiquemos malucos”.

 

No entanto estes técnicos não têm uma varinha de condão que, de um momento para o outro, modifique as coisas. Por exemplo, o psicólogo irá trabalhar com aquela pessoa os seus sentimentos, o seu processo de tomada de decisão e as suas competências sociais. Relativamente aos sentimentos irá ajudar o cliente a tomar consciência das suas emoções e sentimentos, a identificar adequadamente os diferentes sentimentos, a compreender a diferença entre sentimentos e comportamentos, a reconhecer as influências, negativas e positivas, das emoções no comportamento, a aumentar a capacidade de percepção dos motivos dos outros, isto é, colocar-se no lugar do outro e tentar perceber o que ele está sentindo.

 

Quanto ao processo de tomada de decisão tentar-se-á, com o paciente, identificar factores que têm influência nas suas decisões individuais, aumentar a capacidade de criar e avaliar diferentes soluções ponderando as suas consequências, tomar consciência das pressões que o influenciam. Resumindo, chamar a atenção do indivíduo para os vários aspectos do problema que está na origem dos seus comportamentos e as consequências que as diferentes soluções provocarão.

 

Para melhorar as competências sociais orienta-se o paciente no sentido de tomar consciência de que a comunicação pode realizar-se através de palavras ou acções, aumentar a sua capacidade de escuta, identificar as diferentes formas de comunicação e reconhecer os efeitos de cada uma, desenvolver competências assertivas e treinar um estilo de comunicação assertivo, aumentar a segurança elevando o conceito que tem de si próprio (auto-estima) e incentivando também a cultura da cidadania participativa. Todo este trabalho tem como objectivo principal demonstrar que os conflitos não são resolvidos através da força e da violência. Existem outras formas de o fazer. Para este tipo de intervenção não existem resultados imediatos mas a longo prazo. Pensamos, contudo, que vale a pena esperar quando temos em vista a construção de um mundo melhor.

        

 O próximo programa radiofónico decorrerá na Rádio Local de Torres Novas (FM 100.8) entre as 10H00 e as 11H00 do próximo dia 26 de Agosto. Contamos com a vossa companhia e participação

 

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