SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Domingo, 13 Junho 2021, 15:39

O Portal da Amizade: Conduta Anti-social / Bullying (2)

 

Continuando a reflexão do número anterior encontrámos uma investigação realizada em 2006 pela TNS (empresa de estudos de mercado) em seis países da União Europeia. Este estudo concluiu que a maior parte dos comportamentos anti-sociais se caracterizam por vandalismo seguidos por comportamento rude, comportamento desrespeitador e agressividade. Em Espanha e Alemanha, por exemplo, estes comportamentos acontecem principalmente em zonas onde existem bares e pubs. Os comportamentos mais preocupantes são, como já referimos, o vandalismo, comportamento rude e desrespeitador, agressividade e ainda, consumo de álcool e drogas na rua, vizinhos ruidosos, grafittis. Relativamente ao que provoca estes comportamentos, concluiu-se que em 80% dos casos é a falta de disciplina, de regras, logo na infância. Seguem-se o álcool, tensões culturais e sociais, falta de modelos positivos, uso de drogas ilegais, desemprego, passatempos violentos e outras causas não especificadas por serem tão irrelevantes que contam apenas 2%.

 

Quanto à falta de modelos positivos, trata-se de um parâmetro muito associado à falta de regras. Os pais e outros ascendentes, ao terem comportamentos anti-sociais, incentivam as suas crianças e adolescentes a tê-los também. Naturalmente deduzem: “se o meu pai ou mãe fazem, eles são os meus ídolos, portanto eu devo fazer também”. Assim também a falta de regras e limites permitem que uma simples birra aos dois ou três anos, não corrigida, se repita cada vez mais assiduamente chegando a um momento em que não se distingue o bom do mau, pois sempre se deixou fazer tudo sem impor diferenças entre o que se deve ou não fazer.

 

Ser pais de crianças ou de adolescentes traz sempre algumas dificuldades, por mais perfeitas que eles ou os seus pais possam ser. Tanto as crianças bem adaptadas como as não tão bem adaptadas têm necessidades e desejos, tal como os pais têm desejos e expectativas para os seus filhos. No seu melhor, as crianças e os adolescentes são curiosos, inventivos, vivos e independentes. No seu pior, são obstinadas, rebeldes, inibidas e dependentes. Os filhos vivem num mundo que é um desafio tanto para eles como para os pais e se não tiverem factores de protecção como o bom exemplo dos adultos, atenção e carinho quanto baste, regras e limites, um ambiente de paz e entendimento, é natural que, no futuro, se transformem em mais um ser humano anti-social, isto é, que não se insere na sociedade a que pertence devido ao seu mau comportamento. Isto tanto pode acontecer na infância como na adolescência ou na idade adulta.

 

Uma possível definição de conduta anti-social pode ser uma dificuldade que surge do meio social em que a criança, o adolescente ou o adulto vivem e se desenvolvem, referindo-se a qualquer conduta que reflicta o infringir de regras sociais e/ou que seja uma acção contra os outros. 

 

A conduta anti-social não é simplesmente um problema da pessoa que a apresenta, é também um problema da família em que a criança/jovem/adulto se integra e da sociedade em que se movimenta. A acção e a influência da família são determinantes na produção ou na prevenção dos comportamentos anti-sociais que poderão ser, entre outros, a auto-agressão, agressão, crueldade, violência contra outras pessoas (poderá ser doméstica ou não), animais ou coisas, a agressão sexual com violação ou não, o roubo de propriedades e pessoas, mentira, fugas de casa, furtos, vandalismo, piromania, absentismo escolar).

 

O que pode contribuir são, como já referimos, ambientes familiares agressivos, caracterizados por práticas familiares demasiado coercivas (os pais de crianças com distúrbios de conduta tendem a ser duros nas suas atitudes e práticas disciplinares para com os seus filhos) ou demasiado permissivos; Famílias numerosas com dificuldades socioeconómicas, sobrelotação, alojamento inadequado, má educação dos pais, disputas conjugais, casamentos dissolvidos em que os filhos servem de arma para magoar o outro; Ambientes escolares desfavorecidos; Modelos educativos inexistentes ou incoerentes; Factores genéticos; Problemas de saúde mental; Dificuldades sérias de interacção e de comunicação (as más relações interpessoais tendem a correlacionar-se com a conduta anti-social).

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