SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 12 Junho 2021, 12:08

O Portal da Amizade: Solidão na 3ª Idade

 

Hoje iremos debruçar-nos sobre um assunto que é cada vez mais actual: Solidão na 3ª idade, Solidão também em outras faixas etárias, Isolamento Social, Medo Social…

 

“Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo… Isto é carência!

Solidão não é os sentimentos que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar… Isto é saudade!

Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para reorganizar os pensamentos. Isto é equilíbrio!

Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente… Isto é um principio da natureza!

Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado… Isto é circunstância!

Solidão é muito mais que isto… Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma.”

Este poema escrito por Fátima Pinto reflecte muito bem o que é a solidão

 

Ainda muito recentemente reflectimos sobre a comunicação. A solidão manifesta-se também pela falta de vontade em comunicar com os outros. A solidão pode tornar-se um sentimento frequente na população idosa e pode exercer uma forte influência no agravamento das componentes emocionais da doença, através de sentimentos de insegurança e apatia. Estes sentimentos podem gerar depressões como também as depressões podem levar à solidão. Encontramos idosos a viver isolados nas suas casas, pelos mais diversos motivos: isolamento geográfico, doenças, perdas com lutos mal resolvidos, falta de objectivos para a sua vida, nada para fazer, rotinas desinteressantes, o tomar consciência das suas limitações físicas como a diminuição da agilidade e da capacidade de raciocínio, da memória… De acordo com reportagem sobre o estudo publicada pelo jornal britânico Daily Telegraph, a solidão prejudica a imunidade, provoca depressão, aumenta o stress e a pressão sanguínea e também aumenta as hipóteses de desenvolver a doença de Alzheimer.

 

Indivíduos solitários tendem a ter menos motivação e menos perseverança, o que dificulta a adopção de dietas mais saudáveis e a prática de exercícios. Segundo Cacioppo, um em cada cinco americanos sente solidão.

 

Muitos dos nossos idosos mantém-se em solidão ainda que frequentem diariamente uma instituição. Passam lá os dias mas recusam-se a participar nas actividades. E se forem colocados em lares agrava-se. Porque os afastam de tudo o que foi seu durante toda uma vida? Da sua casa, dos seus haveres, da sua vizinhança. Aproveito para enaltecer o trabalho que os Centros de Dia realizam com muitos dos nossos idosos. Não só com a frequência dos mesmos nas Instituições mas também com o apoio domiciliário. Apesar de não conseguirem libertar todos “das garras da solidão”, uma grande maioria rejuvenesce e readquire a vontade de viver e de colaborar nas actividades que os esperam todos os dias. Claro que existem sempre os resistentes, aqueles que talvez “… se tenham perdido de si mesmos e procurem em vão pela sua alma” como acima nos diz Fátima Pinto. A solidão surge, muitas vezes, não pela falta de relações sociais ou de contactos familiares, mas por existir uma discrepância entre os níveis de contactos sociais desejados e os realizados.

 

Pessoalmente considero que a solidão na 3ª idade tem maior relevância, sendo mais grave nos grandes centros urbanos. É de facto nas grandes cidades e seus arredores, os chamados dormitórios, onde as pessoas só vão para dormir não estabelecendo relações de vizinhança que, com frequência, também os idosos estão dias sem ver ninguém, por vezes deitados numa cama sem sequer poderem vir à rua. Depois acontece o que é de esperar: são encontrados sem vida há já alguns dias, quando um vizinho por acaso se lembra que já não vê aquela pessoa há algum tempo e telefona para os bombeiros, para a polícia…

 

No entanto, nas pequenas cidades, nos meios rurais, pequenas aldeias onde toda a gente se conhece, também já vai existindo algum desinteresse pelo bem-estar dos outros. Entristece-nos constatar que ainda não há muito tempo foram encontrados, sem vida, 2 cidadãos (uma idosa e um individuo com perturbações mentais), em duas aldeias do nosso Concelho. Com estas mudanças repentinas de temperaturas, apesar de toda a prevenção que as entidades responsáveis procuram fazer, existem sempre pessoas mais frágeis, mais vulneráveis, pela idade, pela saúde, pela falta de condições habitacionais. Seria muito bom que as relações de vizinhança, a preocupação com o outro, que por acaso vive ao nosso lado, voltassem a ser o que eram no tempo dos nossos pais e avós.

 

Mas a solidão não existe só na 3ª idade. Nos jovens, por exemplo, aumentam os casos e a gravidade. Voltaremos a conversar sobre a solidão no próximo número

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