SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 12 Junho 2021, 15:40

O Portal da Amizade: A Comunicação (1)

 

A nossa reflexão sobre a comunicação, parecendo em nada estar relacionado com o tema das nossas últimas reflexões, surge, no entanto, com alguma lógica. Provavelmente muitos divórcios não aconteceriam se, entre os cônjuges, tivessem existido boas formas de comunicação. Por outro lado, também se referiu que boas formas de comunicação entre progenitores separados, minimizariam as consequências negativas nos filhos.

 

Então o que é comunicar? Em 1909, Charles Cooley, um dos pioneiros dos estudos sobre a comunicação, afirmava que «comunicação é um mecanismo através do qual existem e se desenvolvem as relações humanas». Comunicar não é só falar, gesticular, escrever… comunicar é dar significado ás coisas, aos sentimentos, ás emoções, é colocar em comum, é partilhar. Todos nós comunicamos mesmo quando estamos calados. Desde sempre o Homem sentiu a necessidade de comunicar. Por isso, ao longo dos tempos, procurou formas mais aperfeiçoadas de o fazer. Das pinturas rupestres às novas tecnologias passando pelos sinais de fumo, pelo toque de tambores, conseguiu, sem dúvida, uma grande evolução.

 

Como em tudo na vida também a comunicar deve haver uma grande preocupação no respeito e na aceitação do outro, procurando fazer uma breve reflexão sobre os seus valores e as suas crenças. Deve criar-se uma relação de empatia (procurar colocar-se no lugar do outro e sentir como ele está a sentir) com o nosso interlocutor, tanto na comunicação verbal como não verbal.  

 

Comunicar é falar mas principalmente ouvir, escutar. Como disse Keith Davis, especialista em Administração de Pessoal e Recursos Humanos, “… A natureza deu às pessoas dois ouvidos, mas somente uma língua, o que é uma suave insinuação de que elas devem escutar mais do que falar. Escutar exige dois ouvidos, um para captar o significado, outro para sentir.”

 

Toda a comunicação é um processo em que existe um emissor (o que envia a mensagem), um receptor (o que recebe a mensagem), a mensagem e o meio pelo qual é transmitida essa mensagem. No processo de comunicação no sistema familiar pais e filhos, marido e mulher, partilham o que têm em comum, reduzindo desta forma a incerteza e a ambiguidade e evidenciando as diferenças que os caracterizam. E são essas semelhanças e diferenças que formam o meio ambiente a partir do qual os elementos da família poderão criar entre si, um clima de bem-estar e harmonia ou de conflitos e afastamento.

 

É comunicando através da convivência quotidiana entre os diferentes elementos da família que se pode crescer como indivíduo e como sistema familiar. Por isso, melhorar a comunicação é um dos factores imprescindíveis para evitar ou superar conflitos conjugais e familiares. É frequente ouvir que os casais sofrem de uma grande falta de comunicação. Quanto menos se conversa menos vontade existe de conversar. E esta falta de vontade em comunicar acaba por se estender também aos filhos. Deixa de se cultivar o gosto pelos momentos em família em que se trocam impressões sobre o que aconteceu “lá fora”. Esta situação vai evoluindo e chega-se a um ponto em que, naquela família, ninguém sabe nada de ninguém.

 

Como evitar estes bloqueios na comunicação familiar? Cada um tem que mostrar interesse pelas coisas do outro. Os cônjuges entre si, os pais com os filhos, os filhos com os pais, os irmãos entre si. Por vezes é difícil. Chegarmos ao fim do dia extenuados, com todas as contrariedades com que nos deparámos e ainda irmos preocupar-nos com os queixumes do outro? É difícil sem dúvida. Exige esforço mas a recompensa vale a pena. O equilíbrio e a paz da nossa família não merecerão esse e outros “sacrifícios”?

 

Há que saber escutar e fazer com que as preocupações ou alegrias deles sejam também as nossas e as nossas possam ser deles também. Estamos sempre a tempo de estabelecer estas formas de diálogo e anular um pouco as barreiras que se apresentam neste campo como por exemplo, a televisão, a playstation, o computador, a Internet, a timidez, a pressa, o medo da verdade, etc.

 

Para além da não existência de comunicação existe a má comunicação. Considera-se má não só pela forma como se processa como também pelo momento em que processa. Ao comunicar devemos ponderar como fazê-lo e se é a altura certa. Não deve ser acentuado o que é negativo pois ao fazê-lo levamos o outro a ficar na defensiva, de mau humor e por vezes a inibir-se de continuar a comunicação. E começam os silêncios… Para desenvolvermos uma boa comunicação na família é importante ser oportuno, aproveitar os momentos em que existe receptividade, saber perdoar e pedir perdão, ter confiança, saber escutar. Não queremos dizer que isto é fácil mas pode ser encarado como um desafio. Um desafio para melhorarmos e melhorar o meio em que nos encontramos inseridos quer seja familiar, profissional ou social.

     

Iremos continuar a reflectir sobre estas questões no próximo dia 06 de Maio, das 10H00 às 11H00, na Rádio Local de Torres Novas (Torres Novas – FM – 100.8). É a esta hora que vai para o ar, em directo, o nosso Portal da Amizade radiofónico.

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