SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 25 Junho 2021, 08:58

O Portal da Amizade: O Divórcio (4)

 

Temos vindo a reflectir sobre questões relacionadas com o divórcio. Pensamos ter conseguido transmitir a seriedade com que se deve encarar esta fase de transição, presente na vida de cada vez mais pessoas. Caracteriza-se, na maior parte dos casos, por sentimentos contraditórios: instabilidade, novidade, desespero, esperança, desilusão, confiança, desconfiança. Procura-se ansiosamente mas teme-se desesperadamente.

 

Também nas crianças que vivem esta situação os sentimentos se atropelam. Podem surgir, de forma mais ou menos intensa, reacções de pena, tristeza, depressão, medo de estar a ser abandonada, solidão, recusa ou negação da realidade, culpabilidade, fantasia da reconciliação dos pais, perda da auto estima, revolta, agressividade. Por vezes, em algumas crianças, toda esta confusão de sentimentos acaba por se manifestar através de sintomas psicossomáticos, isto é, aparecem perturbações físicas como, por exemplo, dificuldade em controlar os esfíncteres (voltam a fazer xixi na cama), dores de cabeça, febres, perturbações gástricas, etc. Mais vulgarmente surgem alterações de comportamento. Inconscientemente, para chamar a atenção de seus pais, que julga ter perdido, a criança pode diminuir o aproveitamento escolar, mostrar resistência em respeitar as regras impostas pelos adultos, apresentar dificuldades de atenção/concentração. Estas reacções dependem de vários factores, entre os quais podemos referir a qualidade da relação da criança com cada um dos progenitores, a personalidade e idade da criança, a interacção com o meio envolvente, o tipo de ruptura dos pais. Como foi referido no número anterior, também a atitude de ambos os progenitores vai condicionar muito a reacção dos seus filhos perante a nova situação da família.

 

De qualquer forma “não existem bons divórcios para os filhos” como diz o escritor Avery Corman. E é pensando nos filhos que, mais uma vez, sugerimos a Terapia de Casal. As relações amorosas sofrem o desgaste provocado pelo quotidiano agitado dos nossos dias. Quando este desgaste começa a dar indicadores, facilmente identificáveis, já referidos em “O Divórcio (1)”, é importante termos capacidade de reconhecer que poderemos estar a precisar de ajuda. E essa ajuda pode passar por um acompanhamento em Terapia de Casal. O casal poderá ser “orientado” pelo terapeuta no sentido de reencontrar o equilíbrio e o bem-estar na vida amorosa. Nos casos em que existam dificuldades de comunicação entre os dois, quando um dos parceiros foi infiel e o casal tem dificuldade em lidar com esta situação, quando ambos sentem que estão próximo da ruptura, quando a rotina fez desaparecer a paixão, quando a vida sexual é frustrante para um ou ambos os parceiros, quando existem conflitos motivados pelo ciúme, ou/e quando tudo é motivo para o conflito… talvez esteja na hora de fazer STOP e dar uma nova oportunidade à relação, procurando ajuda especializada.

 

Tenhamos sempre presente que o bem-estar dos filhos é afectado pela qualidade da relação dos pais. Quando os pais têm uma relação amorosa feliz existem muito mais probabilidades de os filhos crescerem também felizes. E este princípio aplica-se mesmo quando a separação, o divórcio, se torna inevitável. Filhos de pais divorciados podem crescer harmoniosamente e ser felizes, se os pais conseguirem manter, um com o outro, um relacionamento pacífico e equilibrado.

 

Então, quando não existe mesmo a possibilidade de reencontrar o equilíbrio do casal e a solução é seguirem por caminhos diferentes, aparecem as questões legais necessárias para a concretização do processo. Por se tratar de um aspecto muito especifico iremos contar com a colaboração de uma convidada, Dr.ª Sandra Lobo, advogada, que gentilmente estará connosco para nos dar uma breve visão sobre as alterações que recentemente ocorreram na Lei do Divórcio e para responder às questões que queiram apresentar-nos. Algumas questões que mais frequentemente se colocam são, por exemplo: “Se sair de casa perco o direito aos meus filhos e à minha casa?”, “O que é o acordo de morada de família?”, “Quanto custa um divórcio por mútuo consentimento?”, “Se eu já não amo o meu cônjuge posso pedir o divórcio contra a sua vontade?” ou outras relativas à nova lei do divórcio como “O novo Regime do divórcio protege a família?”, “O adultério continua a ser fundamento para um cônjuge requerer o divórcio?” e muitas mais.

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