SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quarta-feira, 23 Junho 2021, 13:21

A estratégia ou a falta dela

Na outra semana houve uma reunião do Conselho de Ministros que durou mais de 11 horas. Como acabou muito tarde, foi marcada uma conferência de imprensa para o outro dia de manhã, logo às 9 horas. Pensava-se que o País ia ser informado das decisões da véspera. Puro engano. A única coisa que se percebeu é que a privatização dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo estava fora de causa. E mesmo essa informação foi logo contrariada no dia seguinte quando disseram que afinal os terrenos dos estaleiros iriam ser subconcessionados, o que acaba por ser a mesma coisa, senão ainda pior. É o costume.

Na semana que acabou, mais uma reunião alongada para afinar a estratégia, para o relançamento da economia, que não existia. A cena repetiu-se e a montanha pariu um rato. Aliás não foi por acaso que empresários insuspeitos, Henrique Neto, Ferraz da Costa e André Jourdan, nessa noite acabaram por afirmar categoricamente na Televisão que afinal não há estratégia nenhuma na medida em que um documento com centenas de páginas nunca pode ser considerado aquilo que se pretendia – a estratégia. E disseram ainda que um documento estratégico que tenha mais que meia dúzia de linhas nunca será o que diziam pretender. E não aprendem.

Ontem, 26 de Abril, houve mais uma maratona que deve ter sido uma verdadeira confusão, pois segundo o jornal “I” de 27.04, “O Ministro das Finanças propôs esta sexta-feira ao governo na reunião do Conselho de Ministros mais cortes nos salários dos funcionários públicos e nas pensões, além da redução de empregados no Estado. As propostas de Vitor Gaspar não agradaram aos ministros do PSD que se terão rebelado contra Gaspar. Paulo Portas apoiou a ala social-democrata e ameaçou romper com a coligação se Gaspar não recuar.”

Mais adiante a mesma notícia diz ainda: “A ameaça de Paulo Portas de romper com o governo caso o ministro das Finanças não recue nas suas propostas, fez com que não fosse tomada qualquer decisão. Este episódio é o culminar de vários episódios de tensão no seio da coligação governamental”

Então que dizer disto tudo, depois de na véspera o PR ter avançado com um grandessíssimo voto de confiança à coligação? Nada. O melhor é ficarmos calados a aguardar o desenrolar desta navegação à vista, ao sabor dos ventos, das ondas e das marés e de alguma tempestade que possa aparecer. Assim, não.

Entretanto no meio de tudo isto, o governo anda a ser remodelado às pinguinhas, desde o dia 4 de Abril e já vamos a 27 e ainda não se sabe quando é que isto acaba. E estas remodelações até já deram azo a algumas inconfidências do “descobridor” do Pastel de Nata, o Álvaro, onde acabou por dizer que o Mexia tem muito poder na organização destas coisas. Que mais dizer?

No meio de todas estas confusões, apareceu a “bronca” dos swaps que, segundo alguns analistas, criaram mais um ”buraco” superior a 3.000 Milhões ao erário público. E andam eles preocupados e a acusar o Tribunal Constitucional que foi obrigado a fazer cumprir a Constituição, mas não se preocuparam em controlar esses tais swaps nem sequer em elaborar um orçamento credível e que pudessem cumprir, já que as derrapagens do 1º trimestre, essas sim, são preocupantes.

Como nada tem sido resolvido, já está marcado mais um Conselho de ministros para a próxima terça-feira, pelo que, se sair fumo negro, muito do que acabo de escrever pode estar ultrapassado quando o jornal sair. Vamos esperar para ver. Até porque nem quero acreditar que a estratégia seja continuarem a partir isto tudo, custe o que custar, como já para aí se diz.

Carlos Pinheiro

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