SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quarta-feira, 16 Junho 2021, 02:23

O Trânsito em Torres Novas (1)

Recentemente, “ O Almonda” publicou uma notícia sobre o perigo para os peões que é o trânsito na Avenida Andrade Corvo. Tal artigo, que considero muito oportuno, foi para mim como que um desafio para voltar a falar do trânsito e seus problemas, na cidade e arredores.

De certo modo, a reportagem fez-me recuar no tempo em que fazia parte duma Comissão Municipal de Trânsito que houve aqui na cidade, em regime totalmente voluntário e onde eram discutidos e analisados problemas que se prendiam com o trânsito e sua sinalização e eram feitas propostas a quem de direito. Mas como tudo o que começa tem que acabar, essa tal Comissão acabou de um dia para o outro por vontade de quem pode, manda e quer. Era uma Comissão simpática, que funcionava por gosto dos seus componentes. Presidia à mesma o Vice-presidente da Câmara e dela também faziam parte os Comandantes da GNR e da PSP, o Coordenador da Protecção Civil Municipal, um Técnico da Rodoviária, um Instrutor de Condução, um Técnico da Câmara e eu próprio.

Voltando à tal Avenida Andrade Corvo, as pessoas que se queixam têm toda a razão. Trata-se de uma via de boa qualidade, duas faixas em cada sentido, extensa, e que permite velocidades impróprias para uma Avenida onde moram pessoas e onde até existem vários estabelecimentos de ensino. A avenida começa numa rotunda, nos Negréus, tem outra rotunda mais abaixo, antecedida de semáforos limitadores da velocidade que de algum modo cortam o ímpeto do trânsito, tem outra logo no cruzamento com a Rua de Santo António e a Estrada para a Brogueira, mais acima tem a rotunda da Juventude e acaba noutra rotunda vulgarmente chamada de Torres Novas Sul, mas, mesmo assim, as velocidades e a intensidade do tráfego, que tem vindo a crescer desde que foram criadas portagens na A23, são de facto assinaláveis e mereciam uma sinalização mais adequada e um policiamento pedagógico que não se vê.

Também na Variante do Bom Amor a situação é idêntica, só que aí não existem rotundas intermédias e as velocidades, por vezes, também parecem exageradas.

Diga-se em abono da verdade que a sinalização da Andrade Corvo precisa mesmo ser repensada. A mesma tem duas faixas em cada sentido, com separador central e, na aproximação às escassas e perigosas passadeiras para peões só existe sinalização para a faixa da direita. Quer isto dizer que os condutores da segunda fila, têm dificuldade em se aperceber que estão a aproximar-se de uma passadeira de peões. Falta portanto ali um sinal do lado esquerdo da via. Os semáforos limitadores de velocidade, colocados estrategicamente a meio de cada troço, entre as várias rotundas, seriam o ideal, até porque o exemplo dos que estão colocados no primeiro troço são o melhor exemplo de funcionalidade. Mas se não houve vontade ou dinheiro para que eles fossem colocados no tempo das vacas gordas, não é agora que eles aparecerão. Que apareça a sinalização vertical conveniente e que a sinalização horizontal não seja esquecida, para segurança dos peões que por ali são obrigados a passar.

Aliás, sobre a sinalização do trânsito e sobre a manutenção das vias há muito para dizer e será dito em próximas oportunidades.

Mas para que este artigo não fique resumido à apreciação dos problemas de uma única via, permito-me ainda lembrar que, por exemplo, o Bairro de Santo António, residencial por natureza, é atravessado por várias ruas, nomeadamente, Padre Cândido de Azevedo Mendes, Arcebispo de Évora e Arrábida, com extensões apreciáveis e por incrível que pareça, nem uma passadeira de peões existe em qualquer delas. O trânsito, às chamadas horas de ponta, mas também a certas horas mortas, utiliza especialmente as Ruas Padre Cândido Azevedo Mendes e da Arrábida, para acesso à Rotunda de Santo António, como se de estradas regionais se tratassem aquelas ruas, a velocidades sempre aceleradas. E claro, como os portugueses são um povo de sorte, não tem havido problemas de maior, até que um dia aconteça por ali alguma desgraça.

Porque a cidadania é um direito e um dever de cada um de nós, aqui ficam estas notas na minha qualidade de cidadão interessado em ajudar a resolver problemas que afectam a comunidade.

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