SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 19 Junho 2021, 16:09

O regresso aos mercados

“…ser visto e ouvisto pelos portugueses…”

Dada a frequência com que as trapalhadas se vão sucedendo, mais uma vez sou obrigado a fazer um acto de contrição para dizer que é extremamente difícil escrever, com alguma actualidade, a uma semana de distância da publicação. Mas a vida também é isto.

Para justificar o subtítulo deste artigo, socorro-me de uma frase recente, mas já célebre, de Miguel Relvas enquanto Ministro do governo, proferida na televisão acerca do adiamento da privatização da RTP: “Mas ser visto e ouvisto pelos portugueses…” Impressionante.

Depois deste intróito, é forçoso falar do regresso aos mercados, de que os governantes encheram boca como se o êxito propalado fosse mesmo verdade. Escamotearam tudo. Esqueceram-se de dizer que a generalidade dos países se socorreu dessa medida, especialmente os mais debilitados financeiramente, incluindo a Grécia, porque houve um aval, uma garantia tácita do Banco Central Europeu e portanto correu tudo como estava combinado só que a taxa a pagar é quase o dobro da que estamos a pagar à Troika. Mas adiante.

Nós vamos voltar aos mercados, aliás já estamos a voltar aos mercados, mas é aos mercados locais onde se compram os feijões, as batatas, as cebolas, as cenouras, as couves e outras hortaliças, as frutas, o peixe, a carne, o pão, tudo português de gema, ao contrário de outros mercados que nos impingem constantemente produtos de primeiríssima necessidade, importados de tudo quanto é sítio, desde a Espanha, à França, ao Chile e ao Perú, à China e à África do Sul. Por isso, com estas mudanças somos obrigados, pela força das circunstâncias, a voltar aos nossos mercados e assim podemos dar uma boa ajuda à balança de pagamentos deste país protegido por raposas e abutres. Com esta mudança de atitude, as grandes superfícies vão certamente passar a importar menos e o país global vai ganhar.

Só é pena que nalgumas vilas e cidades não existam mercados municipais que tenham condições para chamar e atrair os clientes. E isto passa-se um pouco por todo país. Veja-se o Bolhão, no Porto, a cair, tapado com oleados, onde chove quando ela cai. Mas em Lisboa, aquilo que foi talvez o maior mercado do país, o Mercado da Ribeira, está entregue a tudo e mais alguma coisa menos à função para que foi feito, criado e desenvolvido. Mas há mais. Até aqui na nossa zona. Os mercados de Abrantes, de Tomar e de Santarém, uns fechados pela ASAE e outros em obras ou á espera de obras, não são o melhor espelho para recuperarem e atraírem os seus clientes. Torres Novas nesse aspecto está bem servida e o mercado tem um movimento apreciável, especialmente à 3ª feira. Mas como nem tudo é perfeito, em Torres Novas é lamentável o abandono a que foi votada a antiga Praça do Peixe, um edifício emblemático que há muito deveria ter sido recuperado para ser utilizado, por exemplo para fins culturais, já que toda a sua estrutura tem história e merecia estar cuidada. Mas isso é outra coisa. Ponto final, parágrafo.

Nos últimos dias, a história da encomenda do relatório do FMI, continuou na ribalta e até se veio a saber que um dos seus autores, um espanhol, afinal para nós dizia uma coisa, para os ingleses dizia outra e no seu país fazia outras bem diferentes e por isso parece que está em maus lençóis. Grande relatório. Grande encomenda.

Ainda sobre esse tal papel, Santana Castilho, Professor Catedrático e crítico insuspeito e sério, em artigo no Público de 25 de Janeiro desmontou, com dados certificados, muitas das inverdades que ali vinham publicadas. Mais nada.

Entretanto, porque os problemas não existem só no governo, também o maior partido da oposição tem mostrado nos últimos dias ao país a forma desorganizada como está organizado. Até já há quem lhe chame qualquer coisa como Costa Concórdia Seguro. Não temos sorte nenhuma. Com as oposições como temos, o poder até parece que anda à rédea solta.

Mas nos últimos dias também aconteceram situações engraçadas. Por exemplo, a maioria na AR aprovou o regresso do programa TV Rural à RTP que andam a prometer vender! A maioria nunca se interessou em chamar as Administrações para explicar onde gastavam o dinheiro, mas de um momento para o outro, essa maioria passou a directora de programas da estação pública. Só pode ter sido esse o sentido da aprovação da TV Rural.

Também o Bastonário da Ordem dos Advogados, na Abertura Solene do Ano Judicial, disse da justiça o que Maomé não disse do toucinho. Ainda bem que foi ele.

Convém ainda referir que neste período também aconteceu uma espécie de remodelação governamental que só abrangeu Secretários de Estado. É assim.

Até o meu Sporting cada vez está mais entregue à bicharada. Já não está entregue ao Leão porque esse já se terá ido embora. Mas bichos há lá muitos. E no dia a seguir a este artigo ser publicado, nem se sabe bem se o novo treinador não será já o actual presidente.

Não merecíamos isto. Mas é o país que temos e muita da culpa é nossa, porque consentimos, porque não fazemos nada para acertar o passo aos que anda com o passo trocado e alinhar quem anda desalinhado.

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