SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quinta-feira, 17 Junho 2021, 00:01

Ora aí está a trapalhada das Freguesias

Dando força ao lema encapotado, “Quanto pior, melhor”, para quem ainda tivesse dúvidas, aí está no terreno a trapalhada das freguesias.

De facto não encontro palavra mais adequada à pseudo reorganização administrativa do país, que se consubstancia em cortar no elo mais fraco, as freguesias, do que a palavra trapalhada. É certo que se prevê que até ao fim do ano, certamente para cumprimento de calendário, venham a dar à costa outras trapalhadas. Mas agora esta das freguesias é a mais mediática.

Segundo o Presidente da ANAFRE, as despesas com as Juntas de Freguesia representam 0,01% do PIB. E portanto, como estes trocos são muito importantes para quem apostou na destruição, aprovaram e mandaram publicar. Ponto final, parágrafo.

As consequências virão a seguir, pois segundo já admitiu o Presidente da ANAFRE, é possível que as contestações venham a aparecer na preparação do próximo acto eleitoral para as autarquias e inclusivamente no boicote ao mesmo. Disse o senhor que a ANAFRE nunca apelou ao boicote, mas admite que esse mesmo boicote possa vir a acontecer por todo o país, pois a frustração de muita gente que sempre serviu o país e nunca se serviu dele é evidente. A confusão pode vir a instalar-se e depois vão aparecer os queixumes.

Mas se eles quisessem mesmo poupar nas contas do País, mesmo sem cortarem nas gorduras de que o poder central todos os dias abusa e com que se pavoneia – vencimentos chorudos, empregos altamente remunerados para os afilhados, carros topo de gama com fartura, viagens e almoçaradas a toda a hora em todo o lado, gastos com seguranças que só vistos, pareceres para tudo e mais alguma coisa pagos a peso de ouro a gabinetes amigos, orçamentos diabólicos na AR e na PR, poderiam cortar em muitas autarquias reduzindo o número exagerado de Vereadores, como é o caso numa Câmara com duas freguesias e 6.000 habitantes e que tem 5 Vereadores a tempo inteiro, mais os secretários, assessores, carros e telemóveis e tudo o mais de que estas pessoas não prescindem num país em crise a caminhar a passos largos para a miséria da maioria da sua população. Podiam cortar em muitas destas coisas que poupariam muitíssimo mais do que os tais 0,01%. Mas não. Eles têm objectivos, vindos de fora a cumprir e para isso estão determinados. Aliás não é por acaso que um tal Borges que ganha milhares e milhares, diz-se sem fazer descontos e, embora não sendo membro do governo, manda muito mais do que a maioria deles em cumprimento da missão que abraçou e que está a cumprir. Bem vistas as coisas, se calhar é ele mesmo o nº 1 do governo, e os governantes nem sabem.

Mas por falar em poupar nas contas do país, para além da vergonha dos mais de 8.000 Milhões que os amigos do BPN levaram para parte incerta, e de que nunca mais se sabe o paradeiro – a fortuna só mudou de mãos e de local – para além da vergonha das parcerias público privadas que nunca mais são renegociadas já que o seu descalabro está a tirar o pão a centenas de milhar de portugueses, ainda temos, de entre outros, o caso da economia paralela que ainda é mais gritante. Segundo o JN de 13.09.12 em artigo intitulado “Economia paralela em Portugal equivale a um Monte Evereste em notas de 100 euros”, onde ainda é afirmado que “O peso da economia paralela em Portugal aumentou de 24,8 para 25,4% do PIB entre 2010 e 2011, com 43,4 Mil Milhões de euros a fugirem ao controle do fisco”, nada se sente a ser feito porque outros valores mais altos se levantam. Andam à procura dos barbeiros e cabeleireiros, cafés e restaurantes e oficinas de automóveis, quando esses casos, no caso de haver fugas, representarão trocos comparados com os tais 43,4 Mil Milhões do conjunto. Quer dizer que andam preocupados com os farelos mas não se preocupam com as farinhas de primeira que, como os peixes graúdos, escapam sempre às malhas da rede. Esta é a triste realidade dos factos.

Para estes senhores é sempre mais fácil cortar nos vencimentos da função pública, nas reformas dos aposentados, na qualidade do ensino público, na qualidade e no acesso, especialmente dos mais vulneráveis, ao serviço nacional de saúde, e agora até se importaram muito com o encerramento de cerca de 1.200 Freguesias. Mas aqui neste caso, possivelmente, vai-lhes sair o tiro pela culatra. O povo aguenta, aguenta como disse o tal banqueiro, mas aguenta enquanto puder. E neste caso estão a meter-se com o único pilar público de proximidade às populações, as Juntas de Freguesia, e isso pode vir a dar mau resultado.

Termino a parafrasear o insuspeito Marques Mendes que há dias, referindo-se ao seu amigo Gaspar, o governo “está a gozar com o pagode” e está a fazer dos portugueses “um conjunto de atrasados mentais”. Assim, não.

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