SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quinta-feira, 17 Junho 2021, 22:08

Pior é impossível!

Todos os dias somos confrontados com situações tão desagradáveis quanto até há pouco tempo inimagináveis.

Os exemplos são tanto que me escuso a perder tempo a enumerá-los. Mas somos levados a crer que há responsáveis que perderam o sentido da vida, confundem e baralham o essencial com o acessório, e parecem só estar interessados em serem alcunhados de bons alunos.

O País só pode viver e crescer desde que a economia funcione, produza bens transaccionáveis, desenvolva a ciência e as novas tecnologias, tudo isso com valor acrescentado e procura assegurada no mercado. Os bens alimentares, por exemplo, podem e devem ser incluídos nessa gama de produtos porque são indispensáveis à vida de cada um de nós e porque são produtos que o País sabe produzir em quantidade e qualidade. Mas aqui também não vale a pena desenvolver muito as razões porque chegámos à situação penúria e de dependência externa na medida em que a mesma se generalizou no nosso seio há muitos anos porque fomos enganados quando nos incutiram no espírito que era mais fácil e mais barato comprar lá fora do que produzir cá dentro.

Esta é uma das razões indesmentíveis do País ter chegado a este estado de falência. Mas, diga-se em abono da verdade, alguém lucrou e continua a lucrar, e muito, com toda esta politica desastrosa. Se no caso da paralisação da agricultura, das pescas e da pecuária é o que sabemos, então o que dizer da paralisação, sem nexo, de Laboratórios de Investigação Cientifica?

Mas se a vergonha das políticas agro-alimentares, há muito se podem considerar absolutamente erradas, o que dizer dum Ministro das Finanças que agora também bloqueia Unidades de Investigação Cientifica, neste caso o Centro de Investigação de Materiais (Cenimat) da Universidade Nova de Lisboa, que está em risco de perder quatro patentes por não conseguir pagar as anuidades obrigatórias de registo, conforme notícia divulgada pelo JN na sua edição de 05.11.12, página 8, tudo isto, segundo o mesmo jornal, “O seu Laboratório de Nanofabricação, criado pela investigadora Elvira Fortunato, dispõe da quantia, meio milhão de euros mas, devido à regra de equilíbrio orçamental, não pode usar o dinheiro que é contabilizado como receita própria de 2011 e que foi pago na sua maior parte pela empresa coreana Samsung com quem o Cenimat está a desenvolver aquilo a que a cientista Elvira Fortunato chama “vidro do futuro”. A verba encontra-se cativa. E, como os prazos já foram ultrapassados, a este valor ainda serão somadas as respectivas multas”.

Para que fique bem claro, ainda segundo o JN: “Além do trabalho com a empresa coreana, o laboratório também vê ameaçados projectos para a Fuji e para a empresa brasileira de papel Suzano. “Não acredito que o Ministério das Finanças saiba o mal que está a fazer à investigação”, prossegue Elvira Fortunato, sublinhando que, como nenhum deste dinheiro veio do Orçamento do Estado, não deveria ficar bloqueado.

Eu não sei se o Ministério das Finanças sabe, ou não sabe, o mal que está a fazer à investigação e à ciência portuguesas. Assiste-me o direito de ficar na dúvida se esta medida arbitrária tem origem na maldade, na incompetência ou, pior ainda, no cumprimento de ordens de algum dos nossos protectores para se beneficiarem a eles próprios, com a complacência de alguém que deveria estar do nosso lado, com os produtos e resultados das descobertas dos nossos cientistas reconhecidos à escala mundial.

Em jeito de rodapé, para se confirmar como este governo trata bem o ensino, a investigação e a ciência, segundo o JN de 8.11.12, “Universidades não têm dinheiro para funcionar até ao final do ano lectivo”. Fazendo uma comparação, mal comparada, também o Salazar no seu tempo fechou as Escolas Normais, para acabar com os professores e assim contribuir para que o analfabetismo em vez de diminuir crescesse.

Depois das realidades tristemente descritas, sinto-me na obrigação de, respeitosamente, transcrever, porque subscrevo, o último parágrafo do artigo, FANTASMAS, do Professor Manuel Cunha, publicado no “Jornal de Barcelos, edição de 10.10.2012: “Permitam-me a assumpção da mea culpa. Critiquei aqui violentamente José Sócrates. Mantenho o que disse. Mas hoje, comparando-o com esse garotelho sem qualquer arcaboiço para governar chamado Passos Coelho, reconheço que é como comparar merda com pudim. Para Sócrates, obviamente, a metáfora do pudim. Sinceramente, nunca pensei ter de escrever isto.”

Assim, não vamos lá. Pior é impossível.

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