SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 18 Junho 2021, 21:22

Neste mês de Agosto…

Neste mês de Agosto, havia tanta coisa para falar que nem sei por onde começar, e o espaço é limitado.

Mas há que começar por algum lado.

Temos os preços dos combustíveis que estão a ajudar a paralisar o país, com subidas todas as semanas, mesmo que o petróleo desça, e, como dizem as estatísticas, cada vez se vai menos às bombas, o que dá para entender que as pessoas vão ficando em casa e as empresas encostem os seus carros. Como resultado, consome-se menos, há muitas bombas que vão fechar, o Estado recebe menos impostos porque a economia paralisa ainda mais, o desemprego aumenta e tudo fica pior. Até as auto-estradas têm muito menos movimento. É o chamado ciclo vicioso em resultado duma ganância desenfreada e da falta de regulação.

Mas, para compensar (?), temos também os comboios a encostar e as linhas a encerrar. Foi um trabalho começado há mais de 20 anos e que continua a ter o seu seguimento. Só entre 1985 e 1991 encerraram perto de 1.000 quilómetros de linhas. Recordam-se só algumas que foram fechando: Dão, Vouga, Tâmega, Corgo, Sabor, Lousã, Tua, Évora a Estremoz, da Covilhã à Guarda e até a ligação da linha do Douro a Espanha, como agora também fechou outra ligação a Espanha, o Ramal de Cáceres, restando, como linhas internacionais, a da Beira Alta e a Porto/Vigo, sendo que esta também estava condenada. Mas como o pessoal do norte é teso, conseguiu que a linha fosse mantida e até renovada para alta prestação, que ninguém sabe bem o que é. Mas também fechou a ligação de Coruche ao Setil como fechou na linha do Oeste o serviço de passageiros entre as Caldas e a Figueira da Foz tendo esta última cidade também visto encerrado o Ramal de ligação às linhas Norte e da Beira Alta e até também foi desactivado o serviço entre Beja e a Funcheira e possivelmente outros de que de momento não me posso recordar.

Mas tudo isto acontece porquê? Porque há auto-estradas que têm que ser rentabilizadas, têm que ter movimento, têm que ter receitas chorudas e o pessoal do interior, onde só chegava o comboio, que se lixe. O outro disse há dias, que se lixem as eleições, como se estivesse a dizer uma grande coisa. Mas já virou o bico ao prego. Afinal quem se lixa são aqueles que de tempos a tempos lá vão “botar” o papel, que de resto não interessam para mais nada e possivelmente por isso, é que de acto em acto, cada vez são menos.

Se este país tivesse à sua frente gente com os olhos abertos e coluna vertebral, como um Marquês de Pombal ou um Duarte Pacheco, há muito tinha renovado e duplicado a Linha do Oeste, para servir um distrito entregue por completo à rodovia e de alternativa à Linha do Norte, e ainda para a descongestionar e assim concorrer com o sector rodoviário. E, no mesmo sentido, também tinha mantido a ligação da Linha da Beira Baixa à Guarda, também para servir de alternativa à Linha da Beira Alta. e servir condignamente as pessoas e a economia daquela região serrana concorrendo com a rodovia. Mas essa coisa da concorrência é só conversa. Quando chega a altura dos factos, manda quem pode e obedece quem deve, para que os transportes fiquem monopolizados pela rodovia. E quem manda é quem tem a massa. O resto são cantigas.

Para que o pais venha a ficar completamente paralisado em termos de comboios, só falta que num Inverno destes, as barreiras de Santarém desabem e cortem as ligações ferroviárias entre o Norte e o Sul. E isso acontecerá mais ano menos ano, quando tudo podia ser evitado com a construção da variante ferroviária a Santarém que está há muito no papel. Mas, claro, lá está o pessoal das vias rodoviárias a mandar e, quem deveria mandar a obedecer.

Resumindo e concluindo, só uma pergunta: Quando o petróleo for suficientemente caro, estaremos a tempo de reconstruir muitas das linhas que foram sendo encerradas para darem movimento às auto-estradas com altas rentabilidades asseguradas e garantidas aos seus promotores? Possivelmente, não.

Quanto ao resto, que dizer mais?

Está na calha a nova lei da eucaliptização geral do país, para beneficiar os mesmos, prejudicando gravemente o ambiente, a agricultura e o ordenamento do território e facilitando a aparição frequente de incêndios como o do Algarve. Claro que nada disto aconteceria se tivéssemos ministros do ambiente, da agricultura e do ordenamento do território que soubessem e pudessem cumprir a sua função. Mas, “prontos”, como agora se diz. Só falta a chegada do mês de Outubro para que apareçam mais cortes sobre as misérias que o estado dá aos Bombeiros. E isso também irá acontecer. É só esperar.

Também está a ser alinhavado mais um acerto de contas e para o ano de 2013, somos levados a crer que vamos ter mais um “brinde” a belo prazer dos senhores. O corte dos subsídios de férias e de Natal, que foi aplicado este ano aos funcionários públicos e aos reformados e que o Tribunal Constitucional considerou inconstitucional, vai ser alargado aos privados para que haja equidade, como eles dizem. Portanto, escusamos de ficar descansados. Se este ano de 2012 já está ser muito mau e não sabemos se ainda vai piorar mais, o ano de 2013 vai ser bastante pior e nem as conversas do Aqua-Show, mesmo tidas à porta fechada, merecem qualquer tipo de crédito. Já estamos habituados. Dizem uma coisa e fazem exactamente o contrário. Como dizia o outro: Apregoam azeite e vendem vinagre. É o costume.

E atenção. O aumento do IMI não está esquecido. De um momento para o outro saltará mais esse coelho da cartola para aleijar ainda mais.

Portanto, tudo se encaminha para que a carga fiscal aumente ainda mais, para que a economia continue a regredir, para que o desemprego continue a aumentar, para que a fome, as doenças e a miséria vão fazendo das suas, para que a mortalidade antecipada continue a aumentar por falta de assistência aos mais carenciados, enfim para que o país pare mesmo, para satisfação dos glutões. Até quando?

Resta-nos uma esperança. Isto um dia, mais cedo do que muita gente pensa, vai mudar. E até há quem diga que desta vez, possivelmente, já não vai ser só com cravos.

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