SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quarta-feira, 16 Junho 2021, 11:02

O desprezo pelo capital…humano

Em qualquer organização que se preze, empresa, escola, associação, autarquia, nos países ditos normais, etc., etc., a maior riqueza é sempre o capital humano.

Sem esse capital humano nada pode funcionar bem, pelo que o mesmo deve ser sempre bem preservado e estimado.

Neste país, não é nada disso que acontece, antes pelo contrário. Anda tudo às avessas.

Já não bastava o secretário de Estado da Juventude e Desportos, Alexandre Mestre, há tempos ter aconselhado os jovens a emigrar, vem agora o Presidente do Conselho, Passos Coelho, dizer a mesma coisa mas ainda de forma mais frontal, recomendando aos professores que procurem ir para a sua terra, Angola, ou para o Brasil. Veja-se bem, os professores. Aqueles que deveriam ensinar e formar as novas gerações neste país, um dos mais atrasados da Europa, são assim aconselhados a irem-se embora.

É certo que muita juventude, certamente a melhor preparada, já emigrou há muito, voluntariamente, dada a inexistência de condições que possam levar à investigação, ao estudo aprofundado e à descoberta de novas técnicas. Mas ser um Presidente do Conselho a fazer este convite descarado, o mesmo é dizer-se que o país está perto de uma vida vegetativa que nos tem vindo a ser imposta, sorrateiramente, nas últimas décadas. Essa nem lembrava ao diabo.

Até o professor Marcelo, desta vez, na sua crónica semanal chegou a dizer que ele, o Passos, ia borrando a pintura com esta incontinência verbal. Mas de facto borrou mesmo.

Será que era esta a motivação e a esperança que o país precisava para arregaçar as mangas e trabalhar a favor do progresso e do crescimento de uma economia que está de rastos?

Sabemos bem, depois de tanto disparate feito e dos que se continuam a fazer, a coisa está mesmo preta, para os mesmos. Mas também, é certo que se tivéssemos governantes isentos e não subservientes ao poder franco/alemão, ao poder do grande capital, muito se podia e devia fazer para se encontrarem soluções que se evitassem o descalabro anunciado.

Por exemplo:

-Porque é que não ganham coragem para renegociar a calamidade das parcerias público privadas que nos estão a levar à ruína e até mesmo julgar os culpados dessa grandessíssima rebaldaria?

– Porque é que não combatem a economia paralela?

– Porque é que não combatem as grandes fugas aos impostos?

– Porque é que não devolvem os submarinos à Alemanha da Merkel?

– Porque é que não vendem os F16 ainda encaixotados há anos aí numa Base qualquer?

-Porque é que não fundem a Policia, a GNR, o SEF, a ASAE, a PJ, a GP e outros organismos do género?

-Porque é que não vendem grande parte do parque automóvel de luxo do Estado que o Álvaro denunciou que se encontrava a mais no seu Ministério? E nos outros? E na PR, AR, TC, etc.?

– Porque é que não se combate, acerrimamente como devia ser, a corrupção

-Porque é que não reduzem drasticamente os apoios aos partidos políticos?

-Porque é que não reduzem o número de deputados?

-Porque é que não reduzem os orçamentos da AR e da PR e de outros órgãos superiores do Estado?

-Porque é que não retiram aquelas famosas e ricas subvenções a uma parte importante da clientela político partidária?

– Porque é que não reduzem as mordomias dos antigos Chefes do Estado e do Governo?

-Porque é que não limitam as reformas da CGA e do CNP a um máximo de seis ordenados mínimos nacionais?

Não me venham dizer que não se arranjavam receitas importantes para suportar parte do serviço da divida e simultaneamente cortar muito nas gorduras tão anunciadas, para se evitarem despesas tão gordas como inúteis, porque improdutivas?

Onde é que estão os cortes nas Fundações, Institutos, Entidades, Autoridades tão anunciados na campanha?

Não fazem nada disto porque o grande capital não deixa e eles não têm estrutura moral para o afrontar e porque precisam, mais tarde ou mais cedo de um porto de abrigo, como todos os têm tido.

A única promessa cumprida foi o acabar, ilegalmente à luz da Constituição, com os Governos Civis. Quanto é que pouparam para além da satisfação pessoal de cumprirem os desígnios duma birra? Andam há seis meses para resolver o problema que criaram de rajada. E os prejuízos materiais são mais que muitos e ninguém se importa.

Vendem ao desbarato as jóias da coroa para satisfazer os apetites de quem manda. Destroem património classificado como é o caso do Douro vinhateiro com a construção da barragem do Tua e assim enterram a linha ferroviária mais bonita do país.

E ainda são capazes de motivar o desbaratamento do capital humano qualificado para que o abismo apareça mais depressa.

Esse convite descarado faz-nos lembrar o tempo do “salto” para França de tanta gente que cá não se podia governar. Mas nessa altura, se bem que a clandestinidade fosse consentida, nunca foi sugerida pelo poder de então, como agora estão a fazer.

Se a demografia já está em decadência, com a saída em massa dos mais novos, como é que vai ser possível recuperar o crescimento do país? Será que isso também não conta ou é mesmo desejado para que isto se torne mesmo num país de velhos, coxos, cegos e aleijados? É isso mesmo que querem?

Assim não vamos lá. Assim o 2012 e os anos seguintes vão ser muito piores do que pensamos.

Quando o país precisava de esperança e de garra para que se começasse a gerar alguma confiança, eis que surge o convite à debandada.

Agora, mais recentemente, o vice-rei, perdão o vice-primeiro-ministro, chama a esta sugestão de debandada dos professores um missão universalista e o Rangel, o eurodeputado para todo o serviço, até sugeriu a criação de uma agencia para a emigração. Já isto é obra!

Que se albarde o dono à vontade do burro, santa ignorância ou malvadez mal disfarçada.

Que o ano de 2012 nos traga saúde que será o melhor bem que nos resta. Aliás, quem estiver doente a partir do 1º de Janeiro, se não tiver dinheiro, está condenado à morte antecipada já que uma consulta das baratas passa a custar 10€, uma simples injecção mais 4€ e um tratamento hospitalar mais 25€, para além do preço da consulta.

Portanto que o 2012 nos traga saúde a todos.

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