SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Segunda-feira, 14 Junho 2021, 01:23

Depois do Arraial, poderá até vir ainda o foguetório

Considerando o momento histórico do senhor PPC ter anunciado, pausadamente, no dia 13, o rol de ataques e de apertos aos seus adversários e aos seus apoiantes, isto é ao povo deste país, pensei debruçar-me neste artigo sobre matéria tão melindrosa quanto gravosa e exagerada porque para além da troika. Mas como começo a estar cansado de tanta falta de vergonha, de tanto encobrimento da verdade, como é o caso com medidas destas, da continuação do incentivo ao aumento da economia paralela e de tanta falta de senso como é terem-se “esquecido” da necessidade imperiosa de já terem sido renegociadas as parcerias público-privadas, ou de acabar com a folha salarial da Fundação Cidade de Guimarães como exemplo do que não se deve gastar, enfim de cortarem nas gorduras tão apregoadas e dos disparates feitos ao longo de vários governos, deixo, por agora, tal assunto para outros comentadores e acima de tudo para os jornalistas que vão passar a ter matéria noticiosa com fartura. É a fome que já aí está e se vai agravar, é o desemprego a aumentar com estas medidas de ataque ao povo e à economia em geral, é o desespero instalado e que se vai mostrar sobre as mais diversas formas, são as manifestações a crescer e ainda os suicídios que também irão aumentar, para estragar as médias.

Permito-me por isso, hoje e aqui, analisar uma questão que me preocupa muito, também ela derivada da insensibilidade de quem governa e que vai colocar, dentro em breve, as portagens a funcionar na A23 e, pasme-se, até no IC3 que um dia “alguém” deu, quem sabe se de mão beijada ou a troco de quê à ASCENDI da MOTA-ENGIL e que agora também vamos pagar para usar o que até há pouco tempo era nosso. É uma forma engenhosa de se aumentar o défice e de nos continuarem a enganar. Mas como isto já está tão negro, que se lixe a taça que é de papelão.

Venho hoje aqui falar do acidente na A1 do passado dia 10, pouco depois das 3 da tarde, passados poucos quilómetros da portagem de Alverca, no sentido Sul/Norte. Primeiro foi um toque entre um ligeiro e um pesado. Logo a seguir outro pesado bateu e desta vez fez estragos de monta e um ferido com certa gravidade. Um dos pesados transportava matérias perigosas que se começaram a derramar e a libertar gazes tóxicos. Trânsito cortado durante mais de 8 horas. Vários quilómetros de filas que a Brisa, que manda naquilo, obrigou que fizessem a inversão de marcha até às portagens de Alverca, para então poderem seguir alguns rumos alternativos. Imagine-se o que foram vários quilómetros de fila de ligeiros e de pesados, muitos de passageiros, a fazerem a inversão de marcha. Foi uma confusão geral, quando, se a Brisa tivesse pensado, abria, em sintonia e colaboração da GNR, os rails e o trânsito passaria a fluir numa das três faixas do outro sentido, numas escassas centenas de metros e assim escorar-se-ia facilmente. Mas, para isso, era preciso que as pessoas que deveriam ser responsáveis pensassem e agissem em conformidade. Durante aquelas horas nem uma garrafa de água foi dada aos milhares que ali estiveram presos, quanto mais uma máscara para proteger as pessoas dos possíveis gases das tais matérias perigosas. Como operação de protecção civil, neste caso coordenada por um privado, a Brisa, seria difícil imaginar-se pior. Penso que é caso para perguntar onde é que estavam os responsáveis da Protecção Civil e quais são as suas funções nestes casos. Mas com a Brisa tudo é de esperar. Lembramo-nos bem que há mais de 10 anos quando houve aquele grande acidente, também na A1, no sentido Norte/Sul já perto de Santarém, a senhora Brisa, certamente em “reconhecimento” do trabalho meritório e imprescindível desenvolvido gratuitamente por centenas de Bombeiros do nosso Distrito, resolveu presenteá-los com multas pesadas visto que as viaturas de socorro não tinham Via Verde, mas como tinham sido chamadas para socorrerem pessoas e bens, mesmo assim entraram e por isso foram multadas. Apesar de muitas reclamações, de muitos pedidos e até da interferência dos poderes públicos, a Brisa demorou, ainda assim, meses a perdoar aqueles que foram em seu socorro. É só a memória a funcionar. Mas passemos à frente e ao que pode interessar daqui para a frente.

Agora com a próxima introdução de portagens na A23 e no tal IC3, passamos a ser sérios candidatos a acidentes frequentes dentro das áreas urbanas por onde o trânsito vai começar a passar em catadupa. Imaginemos então um acidente daqueles, a acontecer, por exemplo, ali junto à ponte das antigas Padarias Reunidas, antes de chegar à Rotundo do Nicho. O socorro por parte dos Bombeiros de Torres Novas será impossível porque os caminhos estarão todos engarrafados. Virá então o socorro da Golegã ou do Entroncamento, mas não se sabe bem as complicações que irão encontrar no caminho. E depois, quando for possível, como será o encaminhamento dos feridos e para onde? E que outras consequências derivadas de um acidente com matérias perigosas, dentro de aglomerados populacionais, poderão dali resultar? É certo que na zona referida já toda a gente está habituada a maus cheiros, mas essa coisa de acidentes com viaturas pesadas, carregadas de matérias perigosas, sejam produtos químicos, sólidos ou líquidos, combustíveis líquidos ou gasosos, material pirotécnico, pode tornar a vida muito mais complicada a muita gente durante tempos intermináveis e resultados imprevisíveis.

Fica só o alerta a consciências pouco avisadas ou mais ou menos empedernidas ou, quiçá, distraídas que possam ter “responsabilidades” nesta matéria.

Depois do arraial, poderá até vir ainda o foguetório.


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