SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 12 Junho 2021, 18:49

O Arraial está montado… preparem-se para a festa!

 

Alguns já eram conhecidos de ginjeira, outros desconhecidos, passaram os primeiros cem dias a montar o arraial, fazendo exactamente o contrário do que prometeram dias antes, como os políticos já nos habituaram.

 

Agora preparem-se porque o pior está para vir, como diz pausadamente o Ministro Gaspar, sendo que o Álvaro aproveita para anunciar, em sintonia, um aumento de 30% na energia.

Tiraram-nos metade do subsídio de natal, aumentaram escandalosamente o IVA na electricidade e no gás que já se vai sentir nas facturas deste mês, aumentaram os transportes em média 25% e isso já se vai sentindo desde Agosto, prometem aumento do IMI quando a habitação cada vez vale menos, mais outro aumento do IVA prometido, e estes fulanos ainda têm a distinta lata para dizer que 2012 será muito mais duro.

 

Assim temos que nos preparar para o arraial a continuar com o assalto das taxas moderadoras no serviço nacional de saúde, que vão ser impostas à revelia de tudo e de todos, e acima de tudo à revelia dos interesses mais básicos dos mais carenciados, tudo isto depois de terem cortado o transporte de doentes a quem mais precisa. Duma cajadada matam vários coelhos.

Retiraram isenções das taxas moderadoras a tanta gente. Até os Bombeiros e os Dadores de Sangue vão passar a pagar, mesmo sendo exemplos de cidadania activa, praticada todos os dias a favor do seu semelhante.

 

Nem o famoso Ministro Correia de Campos, de má memória, faria melhor, no sentido de que quanto pior, melhor.

 

Arranjam receitas novas, à bruta, e em resultado destas medidas liberais vão também poupar nas despesas, como seja nos transportes de doentes, nas consultas, nos tratamentos e nos internamentos e, consequentemente, vão poupar ainda nas pensões porque as pessoas, especialmente as mais idosas e mais carenciadas, com todas estas medidas, vão ver a sua esperança de vida encurtada. É tudo a poupar.

 

Entretanto, acabaram precipitadamente com os Governos Civis com poupanças duvidosas e agora deram à luz o Livro Verde para a Reforma da Administração Local, quer dizer para acabarem com muitas freguesias e continuarem com o mesmo número de Municípios, tudo porque o partido agora do poder ainda é considerado o maior do poder local. Quer dizer, está tudo preparado para pouparem no farelo e continuarem a estragar na farinha.

 

Poupam em tudo menos nas suas mordomias. Quantos carros de luxo já venderam dos muitos que havia a mais segundo disse o Álvaro? Quanto é que a Presidência da República cortou no seu faustoso Orçamento? Quantos deputados é que foram dispensados? Quanto é que pouparam a retirar pensões a Deputados, que se reformaram principescamente com meia dúzia de anos de trabalhos forçados no parlamento? Quanto é que cortaram nos apoios aos partidos políticos?

 

Mas agora essa do Livro Verde também vai dar água pela barba, sempre aos mesmos, sempre aos pequenos.

 

Se a última reforma administrativa data do século XIX, seria natural que fossem necessários ajustamentos face às novas realidades. Alguns já se fizeram ao correr da pena, de acordo com os interesses do momento, com a criação de novos concelhos e muito pontualmente com a criação de novas freguesias. Primeiro, depois da implantação da República, foram criados alguns concelhos novos. Depois do 25 de Abril outros também foram criados. Porém, acabar com alguns, isso nem pensar. O clientelismo político partidário tem contado mais do que a realidade dos factos e por isso o poder local, fruto de muitos abusos, chegou ao que chegou. Aliás, não se compreende como é que um concelho com menos de 6.000 habitantes, só com duas freguesias e menos de 80Km2 de área tem que ter 5 vereadores a tempo inteiro, como se fosse um concelho grande. É isto, que se passa aqui ao nosso lado e ninguém diz nada. Quantos casos parecidos existirão por esse país fora?

Mas vão acabar com muitas freguesias.

 

Se vão fundir várias freguesias das cidades, isso compreende-se. Agora acabarem com muitas freguesias rurais, especialmente as do Portugal profundo, que não custam ao Estado meia dúzia de tostões e que estão ali para ajudar as populações envelhecidas e carenciadas de tudo e mais alguma coisa, isso já não se compreende nem se pode aceitar. Mas é isso que vai acontecer para breve. Aliás, têm vindo a secar as freguesias e não tem sido por acaso. Começaram por encerrar muitas linhas de caminho de ferro que davam vida aos lugares, acabaram os transportes públicos, passaram a fechar muitos postos de correio, depois foram os serviços da segurança social, agora são as extensões de saúde, as escolas é o que nós sabemos, pelo que será caso para se perguntar o que é que são muitas freguesias para além das casas da sociedade quando existem, das suas Juntas e das pessoas que vão resistindo?

 

Agora, apressadamente, vão meter 35.000 bancários reformados na Segurança Social sem que para ali transfiram as reservas matemáticas que devem existir nos Fundos de Pensões da Banca e dos Bancários, que neste caso seriam mais de 8 mil milhões de euros, e que serviriam para suportar as pensões. Mas afinal esses valores vão servir para tapar buracos do BPN e da Madeira. E tudo isto vai acontecer paulatinamente, como se tudo fosse normal. Até os Sindicatos se calam e por isso consentem estas aberrações.

 

Entretanto, vêm aí as portagens das SCUTs, onde está incluída a parte da A23 que vai desde a A1 até Abrantes, que nunca foi Scut, mas onde também vamos pagar já a partir do meio do mês. Mas estes abusos não podiam ficar por aqui. Até o IC3, do nó da Atalaia aos arredores de Tomar, cerca de 10 Kms, que também foi construído pela Junta Autónoma das Estradas e entretanto dado, não se sabe em que termos a uma empresa privada, também já tem pórticos montados para mais uma cobrança nunca antes pensada e muito menos explicada como se aquilo fosse uma auto-estrada?

Só faltava o Ministro da Educação, atabalhoadamente, ter retirado aos melhores alunos das escolas o prémio de 500€ que lhes tinha sido prometido e com que muitos contavam até para pagar as propinas de entrada no ensino superior. Insensibilidade atroz, é o mínimo como uma atitude destas se pode classificar. Uma vergonha.

 

Tudo isto vai acontecendo porque somos um povo de brandos costumes. Mas tudo tem o seu limite. O copo cada vez está mais cheio de miséria e já começa a transbordar. É preciso muito cuidado porque a paciência pode acabar-se mais depressa do que muitos pensam. E depois quando as confusões começarem, vai ser difícil controlar pacificamente os movimentos das pessoas revoltadas, sem pão para os filhos, sem remédios para os doentes e acima de tudo sem perspectivas de vida.

Preparem-se porque o arraial está montado. Mas é bom lembrar-se que aqui a Avenida do Arraial vai dar ao cemitério. Mau presságio.

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