SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quarta-feira, 23 Junho 2021, 16:11

Ler jornais é saber mais

Apesar da maioria comunicação social estar enfeudada a grupos económicos, de algum modo manietada no que respeita ao “interesse” da difusão de certos acontecimentos, mesmo assim, ainda é através de órgãos de informação, para além da Internet, que vamos sabendo alguma coisa do muito que se passa à nossa volta.

E se no tempo do governo anterior, pelo menos na parte final, íamos tendo novidades frequentes, muitas delas preocupantes, o certo é que desde que apareceu o novo governo, as questões preocupantes têm vindo a tornar-se ainda mais assíduas. Muita culpa terá sido do anterior, mas este também já tem muito que se lhe diga.

Não vale a pena voltar a falar na trapalhada das viagens em classe económica, nem sequer no corte do ar condicionado e das gravatas, que os jornais bem relataram. Mas não nos podemos esquecer do já aprovado corte de 50% do subsídio de natal de quem trabalha ou de quem está reformado, do aumento significativo dos transportes já concretizado este mês e outro prometido para Janeiro, como também dos aumentos prometidos para a electricidade, água e gás e o que mais adiante se verá, sem esquecermos o aumento do IVA que tem estado em banho-maria. Mas neste caso do IVA, com tanta indecisão, temos que esperar o pior, porque como se diz aqui no Ribatejo, quanto maior for a arrecuadela, maior será a marradela. Preparemo-nos para o embate.

No que respeita ao corte da tal despesa que tem crescido à tripa forra, como foi a recente nomeação da nova administração do banco do estado, apesar do governo dizer o contrário, e as nomeações de tantos assessores, ajudantes de campo, técnicos de tudo e mais alguma coisa e até um número impressionante de motoristas, alguns até com ordenados muito jeitosos como é o caso daqueles que foram recrutados para Secretaria de Estado da Cultura, dizia, mas no que respeita ao corte da tal despesa nada se tem sentido, como os jornais têm vindo a referir. Mas já podia ter sido feito muita coisa. Têm maioria e podiam utilizá-la para cortar nos orçamentos da Presidência da República e da Assembleia da República. Para começar seriam bons exemplos que o povo pagante reconheceria. Mas nada.

Mas no meio de tudo isto, ainda têm tempo para nos contar anedotas. Por exemplo, segundo o DN de 02 de Agosto, o senhor ministro da economia, o Álvaro, “ como gosta de ser chamado, disse: “Quando cheguei ao Ministério deparei-me com um ambiente de ostentação que era uma ofensa para os portugueses”… e acrescentou: “Deparei-me com carros de alta cilindrada, contratos de leasing, um número de motoristas elevado (45) e cortámos 15”. É caso para perguntar se o Álvaro não sabia disto tudo antes de tomar posse, ou se andava distraído. Só um cego é que não via essa fartura de carros pretos e grandes. Mas temos que dizer que esta rebaldaria começou há muitos anos, no tempo das vacas gordas, e os vários governos, desde o tempo do dinheiro a rodos, do tempo do cavaquismo, sempre souberam comprar grandes máquinas. Por isso, uma conversa daquelas só pode parecer anedota. Aliás, toda a gente vê montões desses carros de luxo, por esse betão a fora, quais bandos de pardais à solta, a voar baixinho.

Por outro lado, segundo o JN de 03.08, “O actual governo começa a parecer-se de mais com uma comissão liquidatária do património do Estado a preços de saldo (e com os contribuintes a financiar os compradores).”

Dizia ainda o mesmo jornal, “A eliminação das “golden shares” a troco de nem um cêntimo não foi outra coisa senão uma escandalosa liberalidade ao capital privado. E não se diga que foi uma imposição da “troika” pois a “imposição” foi aceite, é bom não esquece-lo, por PSD, CDS e PS apesar de Alemanha, França, Reino Unido. Itália, Irlanda, Grécia, Finlândia, Bélgica e Polónia continuarem a manter “golden shares” em empresas estratégicas (provavelmente terão é governos menos servis).”

O mesmo JN fala ainda que o BPN será “vendido ao BIC com o Estado a suportar os encargos dos despedimentos e ter que nele meter ainda mais 550 milhões, além dos 2,4 mil milhões que já lá estão. Tudo por …40 milhões.”

Entretanto o jornal I bem como o Económico de 04.08, ambos afirmam que o petróleo caiu para mínimos de 6 meses, sendo que o Económico adianta ainda que a queda foi de 6%.Mas os preços nas bombas têm continuado a subir, como sempre. Porque será?

O DN de 06.08, num artigo intitulado “Um roubo ainda sem ladrões”, começa por dizer que “O BPN é o maior escândalo financeiro da história de Portugal. Nunca houve um roubo desta dimensão”… para acabar a afirmar que “No caso BPN há ainda a lamentar a posição discreta do Presidente da República em todo este processo. Apanhado por estilhaços, Cavaco Silva, que sempre faz pedagogia com tudo, “esqueceu” todo este escândalo”.

Para compor todo este ramalhete, o Público de 06.08 dava nota que “O ministro da Economia e do Emprego, Álvaro Santos Pereira, nomeou dois assessores com um estatuto remuneratório equiparada a director-geral, ou seja, irão receber um salário mensal bruto de 3.892,53 euros.”

Comentários para quê? Está tudo dito.

Aliás, estes foram só casos ao acaso neste mês de Agosto.

A Nau Catrineta ainda mal começou a navegar, e já tem muito para contar.

Resumindo, pode concluir-se que ler jornais é saber mais.

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