SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Domingo, 20 Junho 2021, 10:03

Afinal, é tudo a mesma coisa!

 

Afinal, é tudo a mesma coisa. Para quem tinha dúvidas, escusa de ficar descansado.

Aqui vão alguns bonitos exemplos deste período de graça.

 

Disseram, como ponto de honra, que não aumentavam os impostos. Pura balela. Foi a primeira bola a sair do saco. Foi a primeira desonra a acontecer, digna de registo. É o corte de 50% do Subsidio de Natal, é o aumento do IVA que aí vem, mais o IMI, neste caso sem terem em conta a desvalorização do imobiliário nos últimos anos e mais sentido nos últimos meses. O resto é propaganda barata. E quem pensava o contrário, está perfeitamente elucidado. É sempre mais do mesmo, como tem sido desde há mais de vinte anos. Mudam-se os tempos, mas as vontades, de quem manda, não mudam nada.

 

Até os combustíveis continuam a aumentar como se o petróleo estivesse no mesmo caminho. Mas para compor o ramalhete, já temos prometidos os aumentos da energia eléctrica, do gás e da água, para além dos transportes e o que mais adiante se verá. Tudo normal.

 

Entretanto, o senhor Presidente do Conselho anunciou que não viajava em classe executiva, mas sim em económica, para poupar despesas ao país. Só que, parece que não sabia, a TAP dá borlas, desde sempre, aos governos. Quanto é que se poupou? Nada.

 

Passados dias, a senhora Ministra do Mar, da Agricultura, do Ambiente e não sei de mais quantas coisas, começou as suas medidas a mandar desligar o ar condicionado dos seus gabinetes e, para compensar, a permitir que os cavalheiros deixassem de ali usar gravata. Quanto às senhoras nada foi dito que elas pudessem deixar de usar na poupança do fresquinho artificial. Quanto é que se poupou? Ninguém sabe. É segredo.

 

Acabaram com os Governadores Civis, mas mantiveram os Governos Civis. Quanto é que pouparam? Ninguém sabe. Também é segredo.

 

Tudo isto cheira à mais pura demagogia barata.

 

Vejam lá se conseguiram cortar, mas cortar mesmo, alguma coisa que se visse na despesa?

 

Reduziram os Ministros mas mantiveram os Ministérios. Sendo assim, é caso para se perguntar quantos carros de luxo é que venderam e quantos telemóveis é que foram cortados à corte para abater na divida? Poupou-se alguma coisa? Ninguém sabe.

 

Vejam lá se já suspenderam, ou disseram que iam suspender, as reformas dos políticos que se reformaram na flor da idade, com meia dúzia de anos de trabalho “escravo”nas mais variadas prateleiras douradas, como sejam a AR, os Governos, as Câmaras, etc?

 

Vejam lá se conseguiram reduzir os orçamentos da PR e da AR? Nada. Nem sonham falar nisso.

 

Vejam lá se disseram alguma coisa acerca da necessidade de se acabar com muita da economia paralela, começando por se dar uma pequena benesse, em sede de IRS, do valor geral do IVA de toda a facturação paga? Era fácil, dava resultado, mas, se calhar mexia com muita coisa.

 

Vejam lá se reduziram, ou disseram que iam reduzir o escândalo das grandes reformas duplas, triplas e até mais? Nada. Bico calado.

 

Vejam lá se instituíram ou disseram que iam instituir contributos especiais a quem aufere, por exemplo, mais de 3.000€ por mês? Se calhar é proibido.

 

Vejam lá se cortaram, ou disseram que iam cortar, nos milhões das subvenções dos partidos políticos, que os mesmos criaram a seu favor, e onde todos estiveram de acordo? Nem pensar.

 

Vejam lá se já disseram que iam renegociar a vergonha das parcerias público privadas que todos os dias nos custam milhões? Cuidado. São negócios delicados.

 

Mas há tanta coisa para fazer para reduzir a divida. Não são só as privatizações feitas à pressa, ao preço da uva mijona, que vão dar pouco mais do que nada.

 

Vejam lá se já disseram alguma coisa que iam vender os aviões supersónicos F-16 que ainda estão encaixotados? E os helicópteros Pumas e os Allouettes parados a apodrecer? São equipamentos que ainda valem muitos milhões. Mas não se disse nada.

 

Vejam lá se dizem alguma coisa sobre a redução do grande parque automóvel de luxo do Estado? Sempre eram mais uns milhões para abater à divida. Mas nada se disse.

 

Sabemos que o trabalho dum governo na situação presente, é colossal. Mas há que começar por algum lado para que o colosso ou monstro, seja dominado.

 

Afinal, é tudo a mesma coisa. E quem pensava o contrário, está perfeitamente elucidado.

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