SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Segunda-feira, 14 Junho 2021, 01:29

Os três hospitais

 

No artigo aqui publicado em 17 de Junho com o título “Em tempo de crise… todos os tostões devem ser bem aproveitados!”, a que um amigo meu já apelidou, ironicamente, de programa de governo, quero aqui e agora dizer que propositadamente não me referi aos três Hospitais do Centro Hospitalar do Médio Tejo, construídos pela força de bairrismos doentios e que afinal de contas têm que se completar entre si, custaram e custam muito dinheiro e até têm os maiores corredores da Europa.

 

Naquele artigo, houve de facto um esquecimento quando preconizava a fusão de todas as polícias, posição que mantenho, mas de facto esqueci-me da ASAE, da Guarda Prisional e da Policia Marítima. No entanto, como o governo ainda não decidiu nada nesta matéria, e uma vez que estas fusões nem carecem de alterações à Constituição, aqui vai a rectificação ainda a tempo.

Sobre os três Hospitais, faço-o hoje porque a situação merecerá, em meu entender, uma análise específica.

 

Os meus leitores habituais são testemunhas de que nunca apoiei a construção de três hospitais neste chamado Ribatejo Norte, que foram fruto não só de bairrismos doentios, como da evidente fraqueza dos governos de então perante as suas clientelas.

 

Cheguei até a escrever aqui neste jornal, no tempo em que ainda havia dinheiro, que o Estado deveria vender os três edifícios a um grupo hoteleiro que os transformaria em três bons hotéis, com heliportos, piscinas, jardins, solários, campos de ténis e vistas maravilhosas, tudo do mais rico e belo, e com o dinheiro fresco e disponível, o Estado construiria então um hospital central, ali perto da confluência do IP6 com o IC 3 e passaríamos a ter, para além de uma boa e completa resposta hospitalar num só local, uma economia de custos acentuada e um alargamento do benefício de serviços dignos da melhor nota. Mas ninguém ouviu e agora o problema agudiza-se. Até para complicar o que já está complicado, dentro em pouco virão mais as portagens neste troço do IP6, apesar do mesmo estar pago e não ter nada a ver com as SCUT’s.

 

Agora que temos um novo ministro da saúde, homem ligado aos números, às rentabilidades e às objectividades, depois de ter tirado um estágio numa empresa prestadora de cuidados de saúde do grupo a que pertence, já se começa a falar e possivelmente com alguma razão, que de facto não há qualquer lógica que possa sustentar três hospitais que se complementam entre si e concorrem assim para que o despesismo seja cada vez maior. Sendo assim, quem sabe se a melhor solução que irá ser encontrada, na óptica de quem estuda e decide, não será a privatização de dois deles ficando um só a fazer o serviço, em concorrência com os privados?

 

Mas atenção. Não é fechar e privatizar dois deles que se consegue melhor serviço para a população que continua carenciada de cuidados de saúde de qualidade e de proximidade.

 

Se o tempo é dinheiro, e isso é uma verdade insofismável, também é verdade que não se podem, de um momento para o outro, empurrar as pessoas, utentes, doentes e quadros dos três hospitais, para uma ponta da região para receberem e prestarem os cuidados de saúde a que têm direito no Serviço Nacional de Saúde, tendencialmente gratuito como diz a Constituição.

 

Quero crer que nada disto, que já se fala por aí, virá a acontecer dado que seria mais um escândalo em cima de tantos outros. Aliás, se isto está mal, para mal já basta assim.

 

Mas a ideia da venda dos três edifícios a um Grupo Hoteleiro, ficando explicito nos contratos que os edifícios a vender poderiam servir para tudo menos para unidades hospitalares, essa ideia mantenho-a de pé e se o meu amigo que apelidou o meu artigo anterior de “programa de governo” não se importar, a venda dos tais três edifícios, nas condições indicadas deve ser incluída no programa do dito cujo na sua próxima reunião. Realizava-se bom dinheiro, poupava-se outro tanto com a concentração de todos os serviços e acima de tudo prestava-se um melhor serviço às populações. E não me venham dizer que os privados não têm dinheiro. Nós é que não o temos. Ele existe e cada vez mais concentrado. É só procurarem que hão-de encontrar o comprador. E já que estamos em maré de privatizações, até podiam depois privatizar a antiga BA3 e fazer daquelas instalações um Aeroporto, certamente com muito mais movimento do que o de Beja e até melhorar significativamente a Linha do Leste e da Beira Baixa, sem se esquecerem da renovação da estação do Entroncamento e porque não tornar o Tejo navegável até Abrantes para que os futuros turistas se sentissem bem nestas paragens privilegiadas pela natureza.

 

Com todas estas infra-estruturas em movimento, este Ribatejo Norte que está a definhar, passaria a ter nova vida, outro movimento e outra procura. Estamos à espera de quê?

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