SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quarta-feira, 23 Junho 2021, 04:28

Vamos Recuperar! Nós podemos. Querer é poder.

 

Estão a fazer 10 anos quando fiquei vacinado de campanhas eleitorais. Ponto final. Parágrafo.

Nunca mais tive o atrevimento de me meter nessas andanças, nunca mais dei qualquer tipo de opinião pública sobre essa matéria, e até tenho deixado de escrever nesses períodos, para não dar hipótese de ser atacado por qualquer tipo de arrivista, fosse de que lado fosse e ter que responder à letra.

 

E desta vez continuo a manter a mesma posição. Temos de facto eleições à porta, mas elas são para os políticos e nisso não me meto, nem dou opiniões. Fiquei curado. Continuo a votar, por enquanto, porque penso que para além de ser um direito, também é uma obrigação, mas mais nada.

 

A razão deste meu escrito é outra e não tem nada a ver com os circos que se começam a agitar. É a situação calamitosa em que esses senhores, todos, desde há mais de vinte anos, meteram o país, nos meteram a nós, neste estado de miséria.

 

Mas temos que fazer alguma coisa para acabar com este estado de coisas. Vejam bem. Compreende-se lá alguma vez que uma grande superfície que se dedica, principalmente, à venda de produtos alimentares, neste caso o Pingo Doce, esteja classificada como a 5ª empresa do país que mais importa, segundo o Expresso de 26 de Março de 2011, página 12 do suplemento Economia? À sua frente só estão a Petrogal, a Galp Gás Natural, a Autoeuropa e a SIVA. Vejam bem! Sabiam disto?

 

Eu já sabia. Aliás nós sabemos que a maior parte do que comemos vem de fora, por força dos negócios dos grandes senhores do capital, porque os governos, as CEE, as UE e as suas chanceleres, e tudo o mais, com a reverência do governo de então, mandaram acabar com a nossa agricultura e as nossas pescas a troco de muitas quintinhas e montes ou de muitos jipões. É certo que nessa altura nos mandavam dinheiro com fartura, mas os senhores da época desbarataram-no com os seus amigos de peito e agora estamos a pagar a factura, com língua de palmo, como é o caso do BPN e seus compadres. Criaram-nos ilusões. Deixámo-nos iludir com tanta coisa que parecia fácil. Agora ela aí está, a tal factura, para os mesmos, porque os outros estão cheios de massa e continuam a viver como nababos.

 

Voltando ao caso das importações que temos mesmo que cortar, custe o que custar, mesmo que ninguém nos incentive a isso, especialmente no que respeita ao que comemos e que afinal de contas podíamos produzir, as outras grandes superfícies, para não estarem em posições tão destacadas, usarão de outras estratégias, comprarão a importadores, possivelmente seus amigos de grupo, e por isso têm outras classificações mais modestas no ranking dos importadores. Mas o mal é o mesmo. Continuam todos a vender-nos batatas e cebolas francesas, cenouras espanholas, maçãs italianas e até da China, uvas da África do Sul ou do Chile, carne do Brasil ou da Argentina, peixe de Marrocos ou de Espanha, morangos espanhóis, vinho também espanhol, chileno ou francês, e nós vamos comendo, pagando e calando, aumentando assim todos os dias o desequilíbrio da nossa carteira e da balança de pagamentos, o endividamento externo e acima de tudo a dependência de tudo e mais alguma coisa do exterior. Daí a corda que já temos à volta do pescoço.

Será que não podemos fazer nada para inverter este estado de coisas que nos está a levar, a passos largos, à falência colectiva, quando alguns, que ainda se dizem portugueses, pelos mesmos factos, já estão, consolidadamente, na lista dos mais ricos do mundo?

 

Por todos estes factos, Portugal é o País da Europa com maiores diferenças de rendimentos. Uns têm tudo e mais alguma coisa e outros não têm nada.

 

Mas voltando à vaca fria, será que nós já não sabemos fazer batatas, hortaliças, cebolas, cereais, frutas, carne ou peixe?

 

Abramos os olhos enquanto é tempo. Passemos a deixar esses produtos estrangeiros nas prateleiras, para que esses senhores, donos da mercadoria e do dinheiro, os comam de noite e de dia.

 

E já que os governos, quais paus mandados desta Europa sectária, não têm força para regular as importações, aliás não sabem regular o sector petrolífero e por isso pagamos a gasolina das mais caras do mundo, como a electricidade, as telecomunicações, o gás e a água, façamos nós a nossa parte e passemos só a comprar só aquilo que é nosso e que nós sabemos produzir, uma vez que não temos alternativas para as gasolinas, electricidades e gazes, para além de pouparmos “algum”, porque o dinheiro não chega para tudo.

 

Com medidas destas pode ser que os poderes também pensem em poupar muito do que estragam em lugares de alto gabarito, que servem para compensar as suas clientelas, que passem a poupar mais em grandes jantaradas como esta semana foram várias, em vários palácios como se fossemos ricos, e viajem menos para poupar alguma coisa, que bem precisamos. E se querem privatizar muita coisa comecem pelos carros de luxo que têm a mais, vendendo-os, que já será um bom princípio.

 

E já agora, que eles, uns e outros, não se esqueçam de renegociar, por muito que isso lhes custe, a qualquer deles, mas a nós custa-nos muitos mais em termos de futuro, as famosas parcerias público privadas que começaram, é bom não esquecermos, com a Ponte Vasco da Gama e daí para cá tem sido um regabofe. Mexam-se, porque amanhã será tarde! E já que estamos a falar de renegociar, façam o mesmo com a dívida externa. Com os elevadíssimos juros com que o grande capital, os tais mercados financiados a custo mínimo pelo BCE, se estão a banquetear, não há outra solução que não seja a renegociação da dívida. Só perde quem tem. E se eles tiverem que perder alguma coisa, já ganharam muito e não se perdem.

 

Já no final do ano passado publiquei um artigo sobre esta matéria, mais alongado e mais pormenorizado. Não deu resultado nenhum. Sendo assim penso que devo insistir na mesma tecla porque as pessoas, para bem de todos, têm que começar a pensar e agir de outra forma. Não podemos continuar a comer o que nos querem impingir, para ganharem mundos e fundos à custa do desgraçado do Zé consumidor, que tem que comprar tudo o que precisa. Mas neste caso tem que saber escolher o que é nosso e o que é deles. Ora bem!

 

Nunca é tarde para se arrepiar o caminho, até porque o caminho faz-se caminhando e temos que caminhar mas noutro sentido. Temos que fazer alguma coisa para inverter este estado de coisas. Nós somos capazes, assim queiramos.

 

Vamos a isso? Coragem, força e olhos bem abertos!

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