SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 12 Junho 2021, 18:51

Verdade e dinamismo, é o que o País precisa.

 

No passado dia 13 de Dezembro, excepcionalmente, assisti a grande parte do programa Prós e Contras na RTP 1, cujo tema era a crise e o momento que passa.

 

Os convidados eram António Barreto, José Barata Moura, Adriano Moreira e D. José Policarpo, Cardeal Patriarca de Lisboa.

 

Foi um programa excepcionalmente bom, onde não se sentiu qualquer constrangimento dos convidados e muito menos a sua instrumentalização.

 

O leque de convidados era variado como variadas eram as suas origens e as suas filosofias. Mas, no final, todos de uma forma geral, apelaram a que o poder falasse verdade aos portugueses, e que fossem reactivados sectores da economia que a U.E. mandou destruir em Portugal, com a complacência de vários governos.

 

Foi consenso que é imperioso que se importe menos e exporte mais, com vista à salvaguarda da independência nacional. Segundo a opinião dos palestrantes, há que recriar e incentivar a agricultura e as florestas, sem os condicionalismos da U.E., para passarmos de importadores de tudo o que comemos, salvaguardando os conceitos estratégicos de garantia da alimentação, para passarmos a exportadores desses bens essenciais, não só para o resto da Europa, como para o mundo lusófono, para as economias emergentes e resto do mundo. Mas terá que haver coragem e dinamismo suficientes para se convencer a U.E. de que também mandamos alguma coisa, no que respeita à defesa dos nossos interesses que devemos defender com verticalidade e verdade, porque queremos trabalhar e produzir, ao contrário da época em que nos davam subsídios para arrancar vinha, para deixar as terras em pousio e para abater a frota pesqueira depois da outra, a da Marinha Mercante, ter sido desmantelada.

 

Fiquei satisfeito com estas conclusões. Falarem-nos verdade, como obrigação primeira, e dinamizarem os sectores primários onde podemos dar cartas para garantirmos a nossa independência. E fiquei satisfeito em duplicado porque há muito que penso assim e até já tenho escrito isso várias vezes sem ser ouvido. Nem de perto nem de longe me quero considerar aprendiz de profeta, mas que o tenho escrito, está escrito. Só espero que desta vez, estas figuras proeminentes da vida portuguesa possam ser ouvidas e que as suas palavras possam dar origem a práticas diferentes daquelas que têm levado o país a este estado.

 

Espero pois, como já preconizei, que a frota pesqueira seja aumentada significativamente para podermos explorar a maior ZEE da U.E., a nossa, e invadirmos a Europa de peixe fresco todos os dias e na mesma linha explorarmos a riqueza da água do Alqueva para produzirmos hortícolas, frutícolas e floricultura em quantidade para o mercado externo, depois de nos servirmos a nós, claro.

 

Espero ainda, que alguém importante, venha dar razão às minhas palavras quando escrevi que o IP6 nunca deveria ter sido desviado do seu traçado natural, seguindo no nó da A1 por Alcanena, Amiais, Alcanede, Rio Maior até Peniche, ligando directamente o interior ao litoral, para dinamizar a economia de toda a região e também porque quero acreditar que a asneira pode ser rectificada.

Espero ainda, que também alguém importante venha dar razão às minhas palavras quando escrevi que os três edifícios do Centro Hospitalar do Médio Tejo deviam ser vendidos para serem criados três grandes Hotéis, com todas as condições, áreas, espaços, heliportos, piscinas, campos de ténis, e com o produto da venda construir-se um Hospital Central, com todas as condições, num local de confluência do IC3 com a A23, para melhor servir os utentes do Ribatejo Norte, do Sul da Beira Baixa e do Norte Alentejano. E quando alguém com poder e visão, aproveitar a ideia, ganhará a economia regional com o desenvolvimento do Turismo que, com todo o património existente, representa pouco mais que nada. Mas ganhará ainda a qualidade de vida de mais de 200.000 pessoas com um só Hospital que marcará a diferença pela positiva para as populações, mas também com a racionalização de meios, recursos e custos que não se pode pedir a três unidades que funcionam em complementaridade.

 

Espero ainda, que mais tarde ou mais cedo, também alguém importante venha dar razão às minhas palavras quando escrevi que as Forças de Segurança deveriam ser todas fundidas. Poupava-se em instalações, em meios, em sobreposições e ganhava-se funcionalidade e evitavam-se conflitos em Tribunais entre a PSP e a GNR, como o que relata o DN de 22 de Dezembro.

 

Espero ainda, que alguém importante venha dar razão às minhas palavras quando escrevi que os PUMAS, os ALLOUETTE III, que estão parados, e os F-16, que ainda estão encaixotados, fossem vendidos e a receita servisse para amortizar a dívida. Ainda dentro do mesmo capítulo, quando é que há alguém com coragem e dignidade, que reduza os Orçamentos da Presidência da República, da Assembleia da República e de muitos Institutos, Administrações, Fundações, Autoridades, etc., dependentes do Estado, de forma a contribuir positivamente para a redução do défice, como o simples dos mortais está a contribuir?

 

Espero ainda, que alguém importante me venha dar razão quando escrevi que o parque automóvel de luxo do Estado deveria ser reduzido, pelos menos para metade. Com uma cajadada matavam-se três coelhos. Fazia-se receita com a venda de muito desse luxo escandaloso, reduziam-se as despesas e baixava a dívida.

 

Mas neste final de ano e início de um outro que vai marcar um ciclo diferente, para pior, há que haver coragem e sabedoria para se renegociar as parcerias público privadas, começando pela da Ponte Vasco da Gama que levou a reboque, como brinde, a Ponte 25 de Abril e ainda o monopólio escandaloso ao dar-se de mão beijada o direito a todas as concessões de pontes que vierem a ser construídas no até Vila Franca. Sobre as parcerias público privadas, todas têm que ser renegociadas e acabado o regabofe que os governos consentiram nos últimos anos. O País não pode continuar a empobrecer, doa a quem doer, só para que uns enriqueçam escandalosamente à nossa custa, só porque os governos os têm deixado governar.

 

Tudo o que acabo de dizer deve ser completado com a REFORMA DO ESTADO que urge fazer. Há Deputados a mais, há Organismos a mais, há despesismo a mais, há concelhos e freguesias a mais e há falta de coragem para que o país entre nos eixos. É mais fácil, encerrarem linhas de caminho de ferro e despedir pessoas, encerrarem empresas, como a Groundforce e despedirem pessoas, do que se mexer nas grandes reformas, algumas duplas e triplas e qualquer delas a maior, dos grandes senhores, e em qualquer dos lobbies instalados, como é o caso dos combustíveis/energias, a viverem à sombra do poder. O momento que passa pode e deve propiciar a mexida que se impõe.

Quero acreditar que tudo isso virá um dia, mas quanto mais tarde vier, pior será para o país que somos nós todos. A não ser que eles pensem que o país são eles e que nós somos os seus criados.

Afinal, o ano de 2011 ainda pode vir a ser menos mau do que se prevê. É preciso que se faça alguma coisa de proveitoso e se lancem as ideias de quem tem experiência da vida como foram aqueles quatro oradores do Prós e Contras. Até porque, não é como medidas como foram as últimas 50, ou a vergonha do salário mínimo, que se faz alguma coisa.

 

Como disse Martin Luther King, Jr. “As nossas vidas começam a terminar no dia em que nos silenciamos para as coisas que realmente importam” e nós, que não queremos começar já a terminar as nossas vidas, não nos vamos silenciar.

 

Verdade e dinamismo, é o que o País precisa!

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