SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quinta-feira, 17 Junho 2021, 00:27

As 95 viaturas prometidas aos Bombeiros em 2007

 

Na edição da passada semana, O Almonda dava nota, e bem, através da Lusa, do desespero dos Bombeiros acerca das 95 viaturas que o MAI lhes prometeu há três anos e que nunca mais chegam.

 

E de facto os Bombeiros têm toda a razão. Naquele tempo, talvez fossem suficientes as tais 95 viaturas para manter o parque operacional. Mas agora, passado todo este tempo, as necessidades são muito maiores. Nestes três anos, todas as viaturas envelheceram. Nestes três anos, todas as viaturas se desgastaram mais e de uma forma especial neste ano de 2010 que tanto trabalho tem dado aos Bombeiros. Nestes três anos, várias viaturas se perderam. Só neste ano de 2010 já foram quatro, pelo menos. Portanto, quando e se as 95 viaturas vierem, o défice ficará amenizado, mas tudo continuará em défice neste capitulo.

 

Tendo presente a noticia, estranha-se que o MAI já não faça qualquer ponto da situação da entrega das viaturas, o que é mau. Mas mais estranho é o facto do Presidente da LBP ter explicado que neste caso “tem havido uma série de acidentes de percurso de natureza burocrática”, como que a justificar o que não tem justificação. Porém, quero admitir que a frase referida, inserida na tal notícia, possa ter sido retirada de um contexto diferente e eventualmente induzir em erro quem a lê. Aliás, o Presidente da Liga, em noticia do “I” de 17 do corrente não se coíbe de dizer que este caso “é apenas a ponta do icebergue de um défice enorme de equipamento”.

 

Ainda sobre viaturas de socorro, seria interessante que alguém com capacidade e conhecimentos para tanto, informasse a opinião pública do número de viaturas compradas e entregues pelo Estado aos GIPS da GNR bem como à FEB também conhecida por “Canarinhos” neste período de três anos. Assim, comparando-se a realidade dos Bombeiros com a realidade destas forças profissionais, talvez pudéssemos avaliar a diferença de tratamento e a ultrapassagem, mais ou menos fácil, dos tais “acidentes de percurso de natureza burocrática”. Aliás, também no que respeita ao equipamento de protecção individual dos Bombeiros e destas forças, a diferença é bem visível no terreno. A opinião pública, e de uma forma especial os Bombeiros, por razões óbvias, mereciam ser informados da verdade destes factos.

 

Mas este problema do reequipamento dos Bombeiros tem muito mais que se lhe diga uma vez que as necessidades são muito grandes. Por exemplo aqui na nossa região, sem nos alargarmos muito, constatamos o seguinte:

 

Bombeiros de Alcanena têm somente uma Viatura Urbana Combate a Incêndios, Urbanos ou Industriais, VUCI, que até já tem 29 anos.

 

Bombeiros de Torres Novas têm somente uma VUCI para um concelho com a dimensão e os riscos que se conhecem e também já tem cerca de 15 anos. Mas têm uma Auto-Escada muitíssimo mais antiga e até a Viatura de Desencarceramento, com 17 anos, deve estar bastante estafada.

 

Bombeiros do Entroncamento têm uma VUCI com cerca de 25 anos e têm prometida uma Viatura de Desencarceramento Pesada há cerca de 5 anos. Aliás deste tipo de viatura não existe nenhuma no Distrito de Santarém como também não existe pelos nossos lados nenhuma Viatura de Intervenção Química, apesar da rede de Auto-estradas e vias ferroviárias, por onde passa tudo o que seja matérias perigosas.

 

Bombeiros da Golegã não têm qualquer VUCI.

Bombeiros da Barquinha têm uma VUCI com cerca de 40 anos.

Bombeiros de Abrantes não têm qualquer VUCI. Aliás têm uma mas os seus documentos estão apreendidos há anos, por “motivos burocráticos”, não funcionando portanto.

Bombeiros de Tomar também têm só uma VUCI também com cerca de 15 anos.

 

As entidades detentoras dos Corpos de Bombeiros acima referidos que perdoem a ousadia da inclusão dos seus nomes neste artigo de opinião. Mas fizemo-lo por uma boa causa.

 

Não vale a pena alongarmo-nos muito mais. Mas estes exemplos deveriam fazer corar de vergonha a tutela dos Bombeiros, pois, se vier a acontecer um sinistro de dimensão assinalável num centro histórico, ou numa unidade industrial de risco, de qualquer destes concelhos, depois não vale a pena lembrarem-se de Santa Bárbara. É certo que as Viaturas Florestais, VFCI, podem dar uma ajuda sempre, mas não é a mesma coisa. Aliás, se fossem todas iguais, se todas tivessem o mesmo equipamento, nem teriam designações diferentes.

 

As palavras bonitas, ditas com pompa e circunstância nas sessões solenes, não resolvem nada. Os Bombeiros que dão tudo o que têm, muitas vezes até a própria vida como já aconteceu este ano infelizmente em três casos trágicos, só precisavam que lhes fosse dado o mesmo tratamento que é proporcionado às outras forças profissionais.

 

Mas o momento para uma análise mais profunda de toda esta problemática só acontecerá depois do Verão. Até lá os Bombeiros preocupam-se todos os dias com o combate aos incêndios, já que a prevenção foi aquilo que se vê.

 

Que o S. Pedro nos proteja a todos.

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