SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 25 Junho 2021, 14:19

Os comboios e as auto-estradas

 

Depois de ler um excelente trabalho no Público de 30 de Março, “Ferrovia e rodovia”, ficámos completamente esclarecidos acerca de algumas desconfianças “a modos que certas” sobre esta matéria, que mais parecem jogos de interesses.

 

O comboio que não polui, está sistematicamente a ser substituído pelo autocarro e pelo camião, no que respeita ao transporte de pessoas e de mercadorias, e quem sofre são as economias familiares e a economia em geral e, claro, também o ambiente sai prejudicado todos os dias com o agravamento da poluição. Estamos assim, até dá a impressão que é alegremente, mas sobretudo inconscientemente, a contribuir para a abertura das nossas próprias sepulturas.

 

Socorrendo-nos ainda do já referido artigo, constatamos que já encerraram 770 quilómetros de linhas-férreas desde os anos 80, maioritariamente no Alentejo e em Trás-os-Montes, zonas desertificadas e que cada vez ficarão mais desertas com a retirada do comboio que lhes dava vida. Será que o país encurtou? Não, nada disso. As Auto-estradas é que cada vez são mais. Por exemplo à volta de Lisboa e do Porto, e até de Coimbra para a Invicta, já há três a concorrerem entre si, sendo que a distância entre elas, nalguns troços, é de meia dúzia de quilómetros. Tem sido um fartar. Porém, é bom que se diga que ainda há duas capitais de Distrito que não têm esse tipo de rodovias. Refiro-me a Portalegre e a Bragança. Parece que esta última já tem as promessas todas feitas, mas Portalegre, no Alentejo profundo, vai continuar a esperar.

 

Mas voltemos aos comboios, para não falar da loucura do TGV que continua na berra teimosamente, apesar da mais que evidente falta de dinheiro. Como é que os outros investimentos são feitos? Lendo uma notícia de O Mirante de 02.04 somos confrontados com a aberração de terem requalificado a estação da Lamarosa onde gastaram, segundo o mesmo jornal, a bonita soma de 142.084.956 euros (a), para logo de seguida encerraram a referida estação como têm feito a tantas outras. Como é que isto se explica? E será que tem alguma explicação? No entanto, ainda não houve uns trocos para darem outra imagem à estação do Entroncamento que, apesar de todos os retrocessos, continua a ser uma das mais movimentadas estações da rede ferroviária nacional, mas também das mais abandonadas. Porquê? E ninguém é acusado de desperdício de dinheiros públicos. E ninguém é acusado de falta de respeito pelos passageiros/clientes/pagantes.  E porque é que ainda não começaram as obras da variante ferroviária a Santarém? Outro enigma a que ninguém responde.

 

Se houvesse tanto bom senso, como tem havido tanto de persistência, ou teimosia, a generalidade das linhas ferroviárias estariam a funcionar, e algumas que ainda estão abertas nunca teriam chegado a situações escandalosas de desleixo e de incúria como são os casos das linhas, que deveriam ser consideradas estruturantes, do Oeste e da Beira Baixa. Se estas chegaram ao estado a que chegaram como é estarão as linhas de Trás-os-Montes que agora foram encerradas por falta de segurança.

 

Será que os senhores que tratam destas coisas alguma vez tiveram que andar diariamente de comboio para irem trabalhar? Ou será que estes senhores fazem tudo isto porque estão habituados a bons carros, que não sabem quanto custaram e nem sabem o preço dos combustíveis que os mesmos gastam?

 

O momento que se vive é grave e preocupante. Mas não foi o Zé Pagante que levou isto para este caminho. Portanto, para bem de todos, era bom que passassem a tratar melhor o nosso Zé, antes que seja tarde.

 

(a) – Na mesma notícia, no que respeita a valores, o jornal indica 142.084€uros. Admitindo-se a gralha, mesmo assim, o valor de 142.000€ não se aceita se a Estação era para fechar, como aconteceu.

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