SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Domingo, 13 Junho 2021, 23:37

Calamidade

 Neste dia de Domingo, 20 de Agosto de 2017, segundo dia abrangido pela Declaração de Calamidade, sinto as maiores dificuldades para alinhavar algumas ideias sem falar dos incêndios que têm pintado de negro o nosso País e de uma forma horrorosa o nosso Distrito.

Mas não falando dos incêndios que estão na memória visual de todos nós, não posso deixar de falar da seca que amarelece este país, para além da cinza escura derivada de tantos milhares de hectares ardidos nos últimos tempos. É certo que ainda temos a felicidade da nossa região ser banhada por dois grandes rios, para além de outros mais pequenos mas também importantes, mas infelizmente muito mal tratados pelo bicho homem, o Tejo, cada vez mais seco e o Zêzere, que ainda assim vai resistindo, com algumas dificuldades é certo, devido às suas várias barragens, cujas albufeiras, esperamos, possam ser geridas criteriosamente para que se consiga resistir, minimamente, à seca extrema que fragiliza ainda mais o país. Estou certo e convicto de que não fossem os caudais esporádicos do Zêzere, já se ia a pé, sem molhar os sapatos, à ilha do Almourol todos os dias e a qualquer hora.

O Tejo, não é de agora, há muito que grande parte da sua água vai ficando por Espanha. E agora que a seca aperta, parece que o rio já vem seco, ou para lá caminha e, lamentavelmente, não se tem sentido ao longo dos tempos, especialmente dos últimos anos, a força suficiente dos vários governos portugueses para que nuestros hermanos cumpram, pelo menos, os normativos dos caudais mínimos de acordo com a Convenção de Albufeira. E nós sentimos que não cumprem. E a pouca água que ainda vai escorrendo do lado de lá, quanto a qualidade nem é bom falarmos. Eles fazem o que querem e ainda lhes sobra tempo, porque quem cala consente. Mas para “compensar”, nós por cá, também contribuímos, e que maneira, para que o que resta do Tejo lhe acrescentemos mais poluição de toda a ordem.

Para complicar tudo isto, parece que o mês de Outubro irá ser fértil, não digo em chuva mas em chuvadas fortes e abundantes que arrastarão as cinzas paras barragens e, possivelmente criarão muitas dificuldades á boa gestão e à distribuição de água potável por uma região muito alargada.

Dizem os técnicos da matéria, que os terrenos ardidos, especialmente as grandes encostas, deveriam estar a ser tratadas para que as chuvadas não provocassem enxurradas de cinza. Teriam que ser feitos socalcos, teriam que ser estudados todos os casos para que pudessem ser acautelados os interesses de tanta gente. Mas não se pode perder tempo. Setembro está à porta e Outubro vem logo a seguir.

Não queremos outra calamidade – a falta de água no inverno – em cima das calamidades dos incêndios e da seca.

Carlos Pinheiro 20.08.17

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