SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 25 Junho 2021, 14:40

Oportunidade para a renovação do material circulante ferroviário

É do conhecimento geral que Portugal não dispõe de comboios em quantidade e qualidade suficientes para que os horários possam ser cumpridos em toda a rede e com a comodidade que este tipo de transporte pode proporcionar. Com o Metropolitano de Lisboa passa-se o mesmo. Aliás, não é por acaso que andam a circular nas nossas linhas vários comboios espanhóis, de que pagamos valores assinaláveis pelo seu aluguer.

É também do conhecimento geral que o transporte ferroviário é mais cómodo, mais seguro, mais barato e mais amigo do ambiente do que o transporte rodoviário e por isso deveria ser incentivado e criadas condições para tanto.

Por exemplo, a linha de Cascais necessita urgentemente de ver o seu parque ferroviário renovado. A Linha de Sintra também precisa de melhorias como a da Azambuja. E os comboios urbanos à volta do Porto também precisam de renovações.

A linha do Douro, especialmente por motivos turísticos, também não tem capacidade de resposta para a procura de comboios.

O Ramal da Lousã, que um dia pretenderam chamar-lhe Metro Mondego, precisa de ser reposto e por isso são precisos mais comboios.

A Linha da Beira Baixa precisa de ser reposta entre a Covilhã e a Guarda e quando isso vier a acontecer, são precisos mais comboios.

A Linha do Oeste que já devia ter sido renovada há anos, quando tiver obras de vulto também vai precisar de mais comboios.

Face ao acima exposto e tendo em consideração que o dinheiro não abunda nas contas públicas, antes pelo contrário, perguntar-me-ão porque é que eu estou aqui a propor a aquisição de comboios quando não há dinheiro?

Acontece que há dias, por mero acaso, deparei-me com uma notícia da Revista Transportes, de 21.03.17, por Pedro Pereira, onde se noticia, e passo a transcrever:

“Bélgica – BEI financia aquisição de 445 comboios para a SNCB

A SNCB – Caminhos de Ferro da Bélgica, garantiu um empréstimo no valor de 600 milhões de euros junto do Banco Europeu de Investimento (BEI) para aquisição de material circulante. A empresa belga firmou um acordo com uma joint-venture formada pela Bombardier e Alstom para a aquisição de 445 automotoras double-decker M7, que irão substituir a maior parte da frota de comboios urbanos da operação belga. De acordo com o BEI, este empréstimo tem um prazo de 25 anos e prevê condições especiais para a SNCP, uma vez que faz parte dos projectos considerados prioritários pela União Europeia. Pim van Ballekom, vice-presidente do BEI, salientou que este projecto de renovação do material circulante é “de grande importância para os clientes da SNCB. Uma boa qualidade de serviço e material circulante confiável são a chave para atrair e manter clientes. Esta garantia dada d pelo BEI irá permitir impulsionar a utilização de transporte ferroviário de passageiros não só na Bélgica como também nos países vizinhos”. O responsável adiantou ainda que “suportar a sustentabilidade e a inovação no sector dos transportes são prioridades do BEI, o “braço” financeiro da União Europeia. E construir a Europa significa maior compromisso com dada Estado-membro, maior desenvolvimento, crescimento e melhorar a qualidade de vida dos cidadãos”.

Penso que depois desta notícia estarão criadas todas as condições para que a CP e a Metro de Lisboa renovem rapidamente o seu parque de material circulante, para assim darem conforto aos passageiros, cumprirem os horários e incentivarem o uso dos transportes ferroviários sejam eles citadinos, urbanos ou de longo curso. Certamente não irão ser precisos comboios de dois pisos como a notícia informa, mas comboios modernos e eficientes e mais baratos do que os dos belgas, são tão precisos como nós precisamos de pão para a boca. E com empréstimo do BEI a 25 anos, a taxas certamente residuais, penso que se pouparão muitos milhões em manutenção de comboios e carruagens velhas, que em muitos casos deveriam estar no Museu.

Sinceramente gostava que os responsáveis da CP e do Metro e bem assim os Ministros das Finanças e das Infraestruturas, aproveitassem esta oportunidade, possivelmente única, de porem o país a carrilar melhor. E será uma pena, para não dizer um crime, se não o fizerem. Alguém que os conheça que lhes passe a palavra.

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