SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Terça-feira, 22 Junho 2021, 07:53

Da semana passada …

Os meus estimados leitores podem ficar descansados que não venho falar do Ministro Centeno e muito menos do livro do antigo Presidente Cavaco.

O primeiro está perfeitamente esgotado e ele, se fosse do género dos que o estão a massacrar, já tinha dito que o deviam deixar trabalhar, que é isso que ele sabe fazer bem. Quanto ao livro já tanta coisa se disse em dois dias que nem vale a pena dizer-se mais nada.

Porém, outros assuntos já debatidos continuam a merecer mais umas palavras, como por exemplo:

1 -A poluição do Tejo e dos seus afluentes

O que estão a fazer ao Tejo é um crime. As autoridades competentes há muito que devem saber quem são os grandes poluidores mas, por incrível que pareça, não consta que esses tais poluidores tenham sido coimados como devia ser. Ao invés, os jornais deram nota disso, o CRIT – Centro de Reabilitação e Integração Torrejano, Instituição com obra feita ao logo das últimas décadas, Instituição reconhecida, terá sido autuada porque parece que terá deixado escorrer algumas águas domésticas sem tratamento para a famosa Ribeira da Boa Água. Se o CRIT prevaricou e foi autuado nada a opor, porque as leis são para ser cumpridas. Mas, como dizia o brasileiro, cadê os outros? Dois pesos e duas medidas, não. Não podem ser os pequenos a pagar e os grandes a borrifarem-se para o assunto.

Por outro lado e ainda sobre o Tejo, foi notícia que uma equipa técnica da Ordem dos Engenheiros teria uma reunião de trabalho devidamente agendada e acordada entre as partes, a semana passada, na central Nuclear de Almaraz. Mas à última hora a dita reunião foi desmarcada e a entrada barrada. Porque teria sido?

De qualquer forma, e porque o Tejo merece, espera-se que a manifestação popular que irá decorrer no próximo dia 4 de Março em Vila Velha de Ródão seja mesmo uma amostragem do vigor popular e possa servir para sensibilizar o governo para fazer o que tem que ser feito em defesa do Tejo, até porque continuamos a ver, a ouvir, a ler e a cheirar, pelo que não podemos ignorar.

2 -O “Aeroporto de Tancos”

Apareceu recentemente, e ainda bem, um grupo de arquitectos aqui da região a defender o aproveitamento da antiga Base Aérea de Tancos para que ali fosse instalado o Aeroporto do Tejo para servir as companhias de Low Cost e assim dar mais uns anos de vida ao Aeroporto Humberto Delgado na Portela. A ideia é boa porque a Base há muito que deixou de pertencer à Força Aérea. Há anos que está ao serviço do Exército que para ali faz voos residuais. As adaptações seriam simples, a localização é boa e como tem ali ao lado o caminho-de-ferro, era uma forma simples de levar os passageiros rapidamente, com toda a segurança e comodidade até Lisboa em pouco mais de 50 minutos.

Mas essa ideia já eu aqui a desenvolvi num artigo a que dei o titulo “Janela de oportunidade – Tancos aeroporto civil “Low Cost” na edição de 14 de Fevereiro de 2012. Já lá vão mais de 5 anos e nada aconteceu porque os detentores do poder nem se terão dado ao trabalho de ler o escrito. Foi pena. Se a ideia tivesse sido aproveitada, e naquela altura era mais fácil, o problema estava resolvido, tudo estaria a funcionar bem e este Ribatejo Norte, cada vez mais desertificado, estaria certamente muito mais desenvolvido, as empresas aéreas estavam bem servidas em qualidade e preço e os passageiros idem idem, aspas, aspas. Assim, como as coisas vão, o Montijo mesmo sem ter condições e onde se vai gastar uma pipa de massa, é que irá para a frente por razões que a razão tem dificuldade em compreender, como é hábito nesta santa terrinha.

3 -A reestruturação da dívida

Até há meia dúzia de dias era proibido a todos os sectores moderados falarem em tal coisa. Só a esquerda ia falando, porque sabe fazer contas, mas as suas palavras eram absolutamente abafadas por uma comunicação social dependente de tudo menos de uma independência que deveria ter. Parecia um sacrilégio admitir-se tal hipótese porque os mercados isto e aquilo, e mais o resto. Mas eis que o patrão da CIP – António Saraiva – já deu o tiro de partida dizendo à TSF em 17 do corrente que “é necessário encontrar uma solução para o pesado serviço da dívida” e, sobretudo, que “a Europa saiba encontrar saídas para países com níveis de dívida tão elevadas como Portugal”.

Transcrevendo ainda da mesma notícia, “a discussão que tem sido feita em Portugal não agrada a António Saraiva”. O Presidente da CIP defende mesmo que deveria haver um pacto de regime em torno da questão da dívida, no sentido de encontrar uma “solução que alivie esta pesada mochila que Portugal carrega”. Esta parte final é que parece ser muito mais complicada porque a maioria dos políticos do regime têm-se vindo a preocupar muito mais com outros tipos de interesses, por vezes pouco mais do que corriqueiros, do que em unirem-se e falarem a mesma linguagem para defenderem os interesses do país. E as comédias dos últimos dias são a prova mais do que suficiente para evidenciar essa dificuldade evidente.

Como já devem ter reparado, eu gosto sempre de acabar os meus trabalhos com uma palavra de esperança e desta vez não vou fugir à regra. Quem sabe se o Saraiva está só a servir de balão de ensaio e tem outros trunfos na manga que possam vir a demonstrar à evidência alguma inteligência que tem faltado para gerir o Ministério da Dívida?

Esperemos para ver, com os olhos e os ouvidos bem abertos, mas sempre com a mão na carteira, porque cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a doentes.

Carlos Pinheiro

19.02.17

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