SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Segunda-feira, 14 Junho 2021, 16:04

O Tejo anda a ser maltratado

Vemos, ouvimos, lemos e cheiramos. Não podemos ignorar.

Vemos as imagens das descargas ao passarem no açude de Abrantes, ouvimos as reclamações dos ambientalistas, dos pescadores e dos amigos do Tejo, lemos as notícias dos jornais, e cheiramos a porcaria quando estamos por perto. Não podemos ignorar.

Ao longo dos anos têm-se feito manifestações, abaixo assinados, conferências, reuniões, tanto por cá como em Espanha, mas tudo tem vindo a piorar a olhos vistos.

Mais recentemente, apesar do problema também ser conhecido de há vários anos, têm vindo a ser tomadas posições sobre a ameaça que é a Central Nuclear de Almaraz cuja perigosidade é cada vez mais evidente aos olhos de quem sabe da matéria. E estamos a falar duma Central Nuclear, perto da nossa fronteira que escoa para o Tejo tudo o que para lá deitam. Nós não sabemos o que é, mas desconfiamos.

Como estamos lembrados, vários governos de Portugal têm tentado, ao longo dos anos, negociar os caudais ecológicos mínimos do Tejo e os resultados estão à vista porque a Espanha faz os transvases de água do Tejo para o sul. Para cá, por vezes, vem pouco mais do que um fio de água, isto para dizer que se não conseguem garantir os caudais ecológicos mínimos, como é conseguem garantir que Almaraz não é perigosa?

Por outro lado, por cá há utilizadores que se servem das suas águas para os mais diversos fins mas, na generalidade, quando as largam para o curso natural as mesmas nunca vão como entraram, levam sempre condimentos, por vezes de cores diversas e cheiros diferentes. Estou a começar a desconfiar que qualquer dia vai acontecer como aconteceu em tempos no Rio Ave. Os industriais tinham que despoluir a água quando a captavam do Rio para se utilizarem dela e depois largavam-na como calhava. E os outros industriais mais abaixo se a queriam utilizar de novo tinham que fazer, à entrada, o tal processo de despoluição até que um dia isso acabou de vez.

Por cá parece que já não há esperança de que o Tejo volte a ser o Tejo que conhecíamos. Ainda hoje, tanto na Barquinha, junto ao bonito Parque Almourol, como no cais de Tancos, o Tejo, apesar de levar já um caudal razoável, tinha a sua água muito escura, para não dizer preta. A meia dúzia de metros já não se via o fundo do rio. E as escapadelas de Almaraz, essas que não se vêem e só se vão sentir anos depois, será que não estão a passar por cá?

Este problema da poluição do Tejo é grave demais. As soluções não podem continuar a ser adiadas até um dia de são nunca à tarde. É tempo de se dizer basta a uma só voz. O Tejo merece e as pessoas precisam de paz e de confiança no ambiente que nos rodeia.

Haja vontade, haja querer, que as obras podem nascer e o Tejo renascer.

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