SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 12 Junho 2021, 12:17

E 2017 aí está

Estamos portanto num tempo propicio a que se façam análises do ano anterior e se perspectivem ideias para o ano que agora começa. E como os jornais, as rádios e as televisões costumam fazer trabalhos interessantes sobre esta matéria, esses trabalhos ajudam-nos em muito nessas análises.

Começa-se com uma pequena provocação. Segundo o DN de 06.01.17, “Nunca se venderam tantos Mercedes-Benz em Portugal como em 2016”.

É estranho, ou talvez não, que num país com uma economia debilitada como o nosso, ainda haja dinheiro para tanto carro de primeira linha. Mas, em abono da verdade e ainda segundo o desenvolvimento da mesma notícia, também outras grandes marcas de luxo e de prestígio estão bem arreigadas em Portugal onde se sentem muito bem. Que dizer mais? Ainda bem.

Mas os jornais não falam só destas coisas mundanas. Por exemplo, “O Ribatejo” fez um louvável Inquérito aos nove deputados eleitos pelo distrito de Santarém, para se saber o que eles andam a fazer no Parlamento.

Como se sabe, nesta legislatura são três deputados do PS, três do PSD, um do Bloco, um do PCP e outro do CDS.

Todos responderam, como seria de esperar, e deram os seus contributos ao jornal e especialmente aos leitores que simultaneamente, muitos deles, também serão eleitores.

Pode-se dizer que se saíram bem até porque são pessoas experientes e sabem, diplomaticamente, puxar algumas brasas às suas sardinhas.

Sem entrarmos em pormenores, reconhece-se que de facto os Deputados do nosso Distrito, no meio de tantas Comissões, no meio de tantos feriados e tantas férias, mesmo assim, segundo afirmam, não deixam de pugnar pelos interesses de quem os elegeu.

Mas seja-me permitido fazer uma pequena análise a algumas frases de um desses Deputados que nos últimos meses tem vindo a dar nas vistas, nas visitas ao Distrito e nos contactos com vários órgãos de comunicação Social. Refiro-me concretamente ao deputado Duarte Marques, de Mação, que começou por dizer: “No mandato passado conseguimos 12 milhões de investimento para recuperar o problema ambiental de Alcanena e mais 7 milhões de euros para a consolidação das barreiras de Santarém, agora a nossa luta ambiental tem sido pela despoluição do rio Almonda e do rio Tejo.”.

Sobre os 12 milhões falados, socorrendo-me também do jornal O Ribatejo de 23 de Junho de 2016, passo a transcrever: “Costuma dizer-se que não há dinheiro que pague a saúde. No caso de Alcanena, cerca de 6,5 milhões de euros pagaram as obras de remodelação da rede de colectores do sistema de saneamento e permitem que se respire outro ar no concelho e zonas limítrofes, libertando o concelho de um problema que se arrastava desde há duas décadas, após a deterioração da rede de colectores industriais e domésticos que colapsaram devido à reacção dos químicos dos curtumes com o material de betão em que foram construídos.” Portanto, das duas, uma. Ou os 12 milhões estão correctos e então a notícia de 23 de Junho não reflectirá a realidade. Ou então é exactamente o contrário. Quanto aos 7 milhões para a consolidação das barreiras de Santarém, apesar de já não ir há muito a Santarém, tanto quanto julgo saber, ainda nada estará feito. Quanto à luta ambiental pela despoluição do Almonda e do Tejo, desejo os melhores êxitos porque aqueles rios, o ambiente e as pessoas bem merecem que a poluição seja erradicada para bem de todos.

Outra notícia de hoje, desta vez do DN de 06.01.17, intitulada: “Três tribunais “disputam” património de João Rendeiro”, também chamou a minha a atenção. Como se sabe João Rendeiro era Presidente do Banco Privado Português que se tornou insolvente já há anos, mas, segundo a notícia, este caso ainda corre em vários Tribunais e, para um leigo na matéria como é o meu caso, até pode parecer que os Tribunais estão a concorrer entre si. Mas a mesma fonte ainda diz mais: “O Tribunal de Santarém quer executar uma coima de um milhão de euros, porém os saldos bancários e móveis estão apreendidos num processo judicial em fase de instrução, o mesmo se passando com os imóveis. Fonte judicial disse ao DN que se poderá estar perante uma “tremenda confusão jurídica” sobre quem tem prioridade na cobrança: “Se o tribunal de Santarém avançar para uma penhora, terá que vender os bens. Depois é preciso saber se o produto da venda reverte para o Estado ou será dividido pelos credores”. De facto é uma confusão muito grande

Quando estava a acabar este artigo surgiu a notícia, de algum modo já esperada. Morreu Mário Soares. Curvo-me em sua memória e agradeço a sua luta pela Democracia e pela Liberdade, em Portugal e no Mundo. Critiquei-o na altura pela aliança do PS com o CDS em 1977, como não o aplaudi por se ter candidatado contra Manuel Alegre, mas há muito que lhe perdoei. Portugal perdeu um grande estadista que, segundo opiniões unânimes de todos os quadrantes, não é fácil substituir.

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