SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 25 Junho 2021, 01:36

Prognósticos… só no fim do jogo

A comunicação social anda por aí toda atarefada a divulgar os mais variados prognósticos acerca dos resultados económicos que nos esperam, a descida do PIB e o aumento do Défice, face ao que está orçamentado e comprometido com Bruxelas, Berlim e não sei que mais.

A confusão é grande. Só da chamada Europa há vários organismos, todos com a sua opinião.

É o BCE, Banco Central Europeu. O Banco que manda nos antigos Bancos Centrais e que vai emprestando milhões, à taxa ZERO, aos bancos comerciais para os aguentar mas o resultado está à vista. Se os países, especialmente os do Sul da Europa, fossem assim ajudados, estou certo e convicto que a divida começaria a baixar significativamente, porque o serviço da mesma passaria a ser residual, em vez da mesma aumentar todos os dias e de ser também uma forma de engordar os agiotas especuladores como está a acontecer. Mas isso é proibido, claro. Os grandes mandam e os pequenos são obrigados a obedecer até à sua exaustão e até um dia, digo eu, porque tudo tem o seu limite e a história não pára.

É o Eurogrupo que não percebo bem o que faz, mas manda palpites de dedo em riste.

É a Comissão Europeia que também deve fazer alguma coisa, como por exemplo, admitir excepções para a França, porque é a França, como já admitiu para a Alemanha porque é a Alemanha.

É o Parlamento Europeu, sempre muito preocupado com os pormenores dos tampos de sanita ou o tamanho dos urinóis, e claro com a confirmação e o pagamento das viagens dos senhores eurodeputados que são obrigados a viajar muito.

E nesta Europa que era para ser solidária, mas que depressa se esqueceu disso, ainda temos países que captam os impostos das grandes empresas, especialmente dos pequenos países, oferecendo-lhes taxas mínimas sobre os lucros gerados nos seus países de origem, como é o caso da Holanda e até do Luxemburgo já conhecido como um paraíso fiscal no meio desta Europa que um dia nos prometeram que seria unida e solidária e afinal deu nisto. Tudo boa gente.

Até a OCDE, certamente porque também lhe compete dar opiniões, é outra organização que já põe em causa o cumprimento do orçamento português. Eles lá sabem porquê. Mas será que sabem mesmo? Às tantas, nunca se sabe.

Depois temos ainda o FMI que também manda muito e até já disse que afinal se terá enganado na receita para Portugal, mas não faz nada para emendar os erros cometidos.

Enfim. Um sem número de organismos, cada um com a sua forma de gestão, cada um com a sua opinião, mas em termos gerais é o que se vê e se sente, para além de viverem todos à grande e à francesa, sempre a arrotarem grandes postas de pescada.

Porém, qualquer desses organismos não fala das dificuldades que se vão encontrando no caminho e das previsões mais ou menos negras que apontam para muitas economias, para além das europeias, mas com as quais nos cruzamos nesta aldeia global. E como vivemos nesta grande aldeia, claro que desses desastres anunciados, alguns, até parece, longe vá o agoiro, que foram devidamente preparados no segredo de alguns gabinetes importantes e, por isso, certamente também nos poderá calhar alguma coisa e estragar o que se perspectivava.

Mas as sanções, porque é disso que se trata, essas estão em cima da mesa à espera do resultado das eleições em Espanha e só não foram já aplicadas porque seria um “perigo” para a direita espanhola se essas sanções fossem agora aplicadas. Depois das eleições logo se verá. Depende dos resultados. Temos que abrir a pestana. Não podemos continuar a andar distraídos.

Por tudo isto, utilizando uma fase emblemática dum ilustre desconhecido agente desportivo, termino este artigo com o seu título: Prognósticos… só no fim do jogo.

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