SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quarta-feira, 16 Junho 2021, 03:46

O Verão vai chegar e os incêndios da época também

Ainda estamos em Maio que costuma ser o mês das flores, o início da Primavera e o fim do Inverno. Mas este mês, nas suas primeiras semanas foi uma espécie de Inverno fora de época, com chuvas intensas, campos alagados, inundações ribeirinhas e até promessas de cheias no Tejo que não passaram disso, mas mesmo assim provocaram muitos prejuízos em certas culturas.

Mas o tempo parece ter mudado e virado para o seu ciclo normal, os dias quentes começam a aparecer e o Verão deve estar à porta.

E com o começo do Verão começam as preocupações com os fogos florestais – até já ardeu uma viatura dos Bombeiros de Oliveira do Hospital num chamado incêndio rural – as ervas finas crescem abruptamente, os matos rasteiros começam a ganhar altura e espessura pelo que estão a ser desenvolvidas as condições para que o verão de 2016 possa vir a ficar na história, pelos piores motivos.

É certo que quem vai acompanhando minimamente a problemática da Protecção Civil, nomeadamente a preparação para a campanha dos fogos florestais que se aproxima, não tem dúvida que têm sido feitos progressos na formação dos Bombeiros e também o seu equipamento de protecção individual tem vindo a melhorar se bem que ainda se notem algumas necessidades por resolver. Mas de facto as coisas, na formação e no equipamento, parecem estar melhores do que em anos passados.

No que respeita a viaturas a situação é diversa pelo país fora e ainda há muitas viaturas ao serviço que há muito deveriam ter sido abatidas e substituídas, mas isso não se faz com um estalar de dedos. É possível que o famoso Portugal 2020 venha a resolver algumas situações, mas será preciso esperar pelos acontecimentos.

Agora quanto ao resto, quanto aos combustíveis que alimentam os fogos, aí o problema parece complicado e o Verão não vai ser fácil, como acima se disse.

Com toda a formação que os Bombeiros possam ter e têm, com todo o equipamento de que possam dispor, com todas as viaturas e até com todos os meios aéreos contratados, o pior de tudo serão sempre os combustíveis amontoados na floresta, nas bermas das estradas e dos caminhos que deveriam estar a ser limpos, mas ao invés estão a crescer todos os dias dadas as condições que o Inverno prolongado tem vindo a proporcionar, para além, claro, das faltas de cuidado e das mãos criminosas que infelizmente todos os anos vão aparecendo.

Ressalvando algumas excepções á regra, nomeadamente o trabalho eficiente que os GIPS da GNR têm vindo a fazer junto das populações sensibilizando-as para a necessidade de cumprirem a legislação em vigor, o certo é que há muita propriedade que se desconhece o dono – o tal cadastro que nunca mais é feito – e há muitos maus exemplos de entidades oficiais que também deveriam dar bons exemplos e não os dão. E depois nas horas negras, os Bombeiros que não podem chegar a todo o lado ao mesmo tempo, por vezes, como já tem acontecido, são acusados, injustamente, de tudo e mais alguma coisa, mas ninguém acusa quem não cumpre a obrigação e o dever de prevenir.

Ainda estamos a tempo que muita limpeza se faça. Mas para tanto é preciso que se comece a trabalhar nesse sentido a fim de se evitarem tragédias mais do que anunciadas e conhecidas recorrentemente de anos anteriores.

Se o Estado cuidar das suas matas, dos seus Parques Naturais e dos seus Parques Nacionais, se as Infraestruturas de Portugal limparem as bermas das estradas e das linhas de caminho de ferro que administra, se as Câmaras e as Juntas de Freguesia limparem as bermas das suas estradas e dos caminhos municipais das suas áreas e se os particulares cuidarem do que é seu, podemos ter um Verão menos negro do que outros que já passaram.

E se a tal prevenção começar a ser feita depressa e bem, poder ser que este ano não venha a engrossar a negra lista de Bombeiros trágica e ingloriamente mortos nos incêndios nos últimos anos – 80 vitimas inocentes de 2000 a 2013. Mesmo que não queiramos pensar no resto, pensemos nisto.

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