SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quarta-feira, 23 Junho 2021, 04:16

A semana onde ia acontecendo tudo…

Começou pelo Panamá, não o dos famosos e antigos chapéus, mas o dos Papéis, o das contas escondidas, fugidas, vadias, protegidas, até um dia. Parecia que tinham descoberto a pólvora quando no final de contas toda a gente sabia e sabe que a falta de dinheiro não resulta de alguém o ter queimado, de alguém o ter comido, mas sim de alguém o ter desviado, para sítios incertos, a seu belo prazer. Esta amostra, possivelmente, poderá vir a ser o início do levantamento dum véu monstruoso de que muito se fala e que uns certos senhores usam há muito em proveito próprio para evitar a trabalheira de pagarem os impostos sobre os seus rendimentos e de manterem negócios limpos e transparentes. Como resultado, bem podemos esperar sentados que isto nunca mais terá fim. Portugueses, fregueses, parece que serão mais de 240, mas também parece que há lá gente de todo o lado, tudo gente importante, alguns até adversários figadais, mas nesta coisa da lavagem de roupa suja, ressalvo, de dinheiro sujo, são todos amigos de peito. Vá-se lá saber porquê.

Logo a seguir veio o caso das bofetadas prometidas que não chegaram a ser dadas, mas quem as prometeu saiu de cena, pela porta baixa. Parecia que ia haver mais um romance, escrito pelo menos a três mãos, mas deve ter ficado assim.

Entretanto, saltaram cá fora algumas pequenas notícias dos grandes aumentos de alguns gestores de algumas empresas que já foram públicas, mas que foram entregues aos privados, tudo aos milhões como já vimos noutros filmes. Quem é que já se esqueceu dos grandes ordenados, das grandes mordomias e das grandes medalhas dos grandes senhores do BPN, da PT, do BES e de outras trapalhadas?

Depois veio o Mário Draghi, ao Conselho de Estado, aliás convidado pelo Presidente Marcelo que inaugurou a presença de estrangeiros naquele Órgão de consulta do PR, sugerir a revisão da Constituição e das leis laborais e mais não sei o quê, como se ele, escolhido por uma certa elite, pensasse que tem o direito de dizer o que lhe mandam, mesmo em casa dos outros. E parece que não se terá saído muito mal porque não consta que nenhum dos Conselheiros, mas Conselheiros mesmo, o tivessem esclarecido.

Na tropa também houve mexidas com a demissão de um Chefe, mas de um momento para o outro há logo oito promissores candidatos à vaga em aberto.

Na semana que acabou também foi notícia que as exportações voltaram a crescer, timidamente, cerca de 0,8%. O problema é que as importações aumentaram ainda mais e por isso a balança de pagamentos continua deficitária. Quer isto dizer, que por muito que se esforcem os exportadores, enquanto certas empresas importarem produtos que nós produzimos com qualidade, nomeadamente bens alimentares, a balança vai continuar a pender para o lado que menos convém ao país. Mas convém-lhes a eles.

Também interessante é o caso exemplar, que esta semana veio à luz do dia, do sindicato dos bancários que anda há mais de quatro anos a negociar com os patrões. Interessante. E, claro, os resultados serão uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma. Os que precisam têm sempre que ajudar os que podem. É a nossa sina.

Cá pela nossa região também há casos interessantes. Por exemplo o caso da estátua inaugurada com pompa e circunstância há meia dúzia de anos, que agora vai ser levantada do seu pedestal e devolvida ao autor que nunca recebeu o dinheiro. Um caso mesmo interessante, mas também desconcertante.

Ainda pela região, temos o Tejo, o Alto Tejo, a que alguns jornalistas, certamente confundidos, chamaram de Estuário, a ser visitado por deputados para verem ao vivo e a cores, e sentirem os odores, a poluição que está a matar o maior rio da Península onde nascemos e vivemos. Mas fiquemos descansados. Depois desta propaganda, tudo vai ficar na mesma porque quem manda nestas coisas todas, não tenhamos dúvidas, são os mesmos do costume, os mesmos dos papéis, sejam eles do Panamá ou de outro paraíso qualquer, ou dos jornais ou do higiénico. Tudo é bom.

Foi de facto uma semana onde ia acontecendo de tudo. É assim a vida. Assim vai o mundo.

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