SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 25 Junho 2021, 07:41

Tentações de transcrições

Neste já mais de meio de Agosto, em que “meio país” ficou mais uma vez pintado de negro, apetecia-me falar dos incêndios florestais mas, como já se disse tanta coisa e até se aproveitou para legislar sobre matérias interligadas, como foi o insulto de retirar os incêndios florestais da lista de crimes de investigação prioritária, penso que não vale a pena, por agora, voltar a escrever sobre os incêndios. No entanto, sinto que é minha obrigação dirigir aos Bombeiros deste país uma saudação e um agradecimento pelo esforço redobrado, muitas vezes em condições extremas – centenas de quilómetros percorridos, dezenas de horas de trabalho violento seguidas, falta de descanso e muitas vezes até falta de alimentação – que mais uma vez estão a fazer a favor do país que nós somos todos. Obrigado Bombeiros.

Dado o período eleitoral em que estamos envolvidos, para que as memórias não esqueçam, passo a fazer, com a devida vénia, algumas transcrições que achei interessantes:

Do Blogue Alvorecer de 8 de Fevereiro de 2010: “Presidente da AMI Sente indignação. O Presidente da AMI, Dr. Fernando Nobre, criticou a posição das associações patronais que se têm manifestado contra aumentos no salário mínimo nacional para 450€ mensais. Na sua intervenção no III Congresso Nacional de Economistas, Fernando Nobre considerou “completamente intolerável” que se viva com salários baixos que nem dão para pagar uma renda de casa e pessoas “com pensões de 300 euros ou menos por mês”, contrastando com aquelas reformas chorudas de ministros, deputados e gestores públicos que chocam e escandalizam a maioria dos portugueses que trabalharam a vida inteira para o país e hoje passam sérias dificuldades.

Numa intervenção que arrancou aplausos aos vários economistas presentes, Fernando Nobre disse mesmo que não podia tolerar “que exista quem viva com 450 euros por mês” e denunciou que a pobreza no país está acima dos 40% e não apenas nos 18% como apontam os dados oficiais. E explicou porquê.

O presidente da AMI, visivelmente emocionado e indignado com o que se passa no país apontou o dedo também à classe empregadora e seus abusos, dizendo que “não é justo que alguém chegue à sua empresa e duplique o seu próprio salário ao mesmo tempo que faz uma redução de pessoal”…

…”Isto não é um Estado viável! Sejamos mais humanos, inteligentes e sensíveis”…concluiu.”

Antes de terminar, “acrescentou uma pequena lista de reformas faraónicas de alguns políticos e gestores públicos para melhor percebermos o que se passa nesta “Respública” portuguesa.”

Dessa lista deu especial destaque aos vencimentos de toda a governação do Banco de Portugal da altura, alguns até acumulando reformas do mesmo Banco de Portugal como disse e também da reforma de Mira Amaral de 18.000.00/mês por ter sido deputado e líder executivo da CGD.

Continuando nas transcrições, mas mudando de citado, segundo o Público de 03.05.11, Eduardo Catroga, negociador do PSD com a Troika, “afirmou esta terça-feira que a negociação do programa de ajuda externa a Portugal “foi essencialmente influenciada” pelo PSD e resultou em medidas melhores e que vão mais fundo do que o chamado PEC IV.”

Sobre as palavras de Fernando Nobre atrevo-me a dizer que ele acabou por ter a devida recompensa do aparelho quando no ano seguinte se candidatou e se sujeitou a escrutínio secreto para o lugar de Presidente da Assembleia da República e foi chumbado duas vezes.

Sobre as palavras de Catroga a sua recompensa é conhecida porque, para além das reformas, passou a ocupar um lugar de alto-relevo na empresa pública chinesa que continua a usar a marca EDP.

É assim a vida.

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