SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Quarta-feira, 16 Junho 2021, 12:01

O Grupo Hospitalar do Ribatejo

Esta semana havia tanta coisa que merecia ser falada, mas tive que optar e dissertar um pouco sobre o muito que os serviços hospitalares nos envolvem.

Diz-se uma coisa, aparecem as reclamações, desdiz-se o que se tinha dito e afinal de contas somos obrigados a duvidar de tudo e mais alguma coisa para evitarmos chamar mentirosos a quem lança as confusões que a todos preocupam, a todos metem medo e o medo de facto está instalado.

Começo por dizer que este artigo acaba por ser uma explícita concordância com o que o Presidente da Câmara de Ourém escreveu hoje nas redes sociais sobre a forma como o seu Município, a 20 Kms de Leiria, é obrigado a servir-se do Hospital de Abrantes, a cerca de 80 Kms.

Mas desculpem lá qualquer coisinha. De facto, este governo continua, também na saúde, a tratar-nos como se fossemos criancinhas, de que eles dizem gostar tanto. É certo que as Câmaras deste Médio Tejo têm muita culpa do que nos tem vindo a acontecer porque não se têm sabido unir contra a mais que evidente deterioração dos cuidados de saúde a que temos direito, porque estão divididas pelas suas capelinhas, pelos seus interesses locais e nunca se souberem entender nesta área sensível e deveras importante.

No CHMT não são precisos mais investimentos. É só preciso saber rentabilizar o que existe e é muito. Eu sei que vou ser considerado polémico por algumas franjas e até tenho pena ter que dizer isto, mas a Unidade Médico Cirúrgica de Abrantes nunca ali devia ter sido instalada. O edifício de Torres Novas, a que alguns ainda chamam de Hospital, tinha e tem muito mais condições físicas – veja-se a vergonha da entrada das urgências de Abrantes e a forma desordenada e por vezes calamitosa como as visitas ali são tratadas. É tudo à molhada e fé em Deus. É mesmo ali, na entrada das urgências, a sala de espera das visitas para os doentes internados no S.O., por onde entram os doentes urgentes provenientes de acidente ou doenças súbitas. Só quem por lá é obrigado a ir é que sabe o que por ali se passa – dizia, que o Hospital de Torres Novas, para além de melhores condições físicas também tem melhores acessibilidades e melhor centralidade. O Hospital de Abrantes precisa de imensas obras – e elas vão-se fazendo absorvendo verbas de valor – ao passo que o Hospital de Torres Novas só precisará de obras de manutenção e/ou reposição de equipamentos que por ventura dali tenham sido retirados. E agora, como a cereja em cima do bolo, vêm esses senhores do Governo anunciar que vão criar o tal Grupo Hospitalar do Ribatejo quando o Hospital de Santarém também está carecido de obras importantes a começar pelo Bloco Operatório que, segundo os jornais, não tem o mínimo de condições para funcionar. Por isso, há tempo foi entendido que o Hospital de Torres Novas, passaria a fazer as cirurgias de Santarém enquanto ali durassem as obras. Parece que ainda terão sido feitas algumas cirurgias em Torres Novas, mas à cautela, acabaram com esse serviço não fosse o diabo das reformas verificar que a Cirurgia ficaria melhor e mais barata em Torres Novas do que em Santarém e a cidade, capital de um Distrito que mal se reconhece, podia perder a cirurgia e isso era uma chatice.

O que parece estar em causa são interesses que não se descortinam à primeira vista, nem à lupa, mas lá que deve haver outro tipo de interesses, disso ninguém duvida.

São conhecidas de todos as deficientes condições de atendimento do CHMT na sua globalidade – Torres Novas e creio que também Tomar, estes dois edifícios têm dois médicos nas urgências durante o dia e meia dúzia de enfermeiros e à noite têm um só médico e dois enfermeiros. Desde que fecharam a Cirurgia em Torres Novas, as suas urgências são um mero entreposto para os utentes serem remetidos para Abrantes e em Tomar deve passar-se o mesmo porque as Ambulâncias de Tomar estão sempre em Abrantes. E agora Abrantes, com mais uma reestruturação recente, manda para Tomar todos os doentes operados lá em Abrantes, sabendo-se que Tomar não tem cirurgião 24 horas por dia e por isso os doentes andam em bolandas de um lado para o outro e por vezes, no mesmo dia, são recambiados para Abrantes. Estou a afirmar isto com conhecimento de causa. Por tudo isto e no sentido de se juntarem esforços para que se esclarecesse o que se passa no CHMT, há meses, os Independentes pelo Concelho de Alcanena, apresentaram na AM uma proposta para que fosse realizada um sessão da AM sobre o problema da saúde. Claro, que as maiorias inviabilizaram tal sessão da AM e agora parece que anda tudo preocupado a fazer reuniões como se isto se pudesse resolver por este ou aquele partido isolado já que p problema é transversal a toda a gente. Outros andam calados e se calhar até bateram palmas quando há dias o Secretário de Estado foi inaugurar uma Extensão de Saúde, a Penhascoso – Mação, para 240 utentes, previsivelmente aberta à 3ª feira de cada semana, entre as 14 e as 18 horas, quando o médico ou o enfermeiro não estiverem de férias, em formação ou doentes. E assim vai andando a nossa saúde.

Sobre o problema do acesso dos utentes de Ourém ao Hospital de Leiria, isso seria sempre uma grande perda, em termos de números, para o CHMT, mas os direitos e os interesses das pessoas devem estar sempre acima de outros interesses. Mas ao contrário, veja-se que o CHMT presta assistência aos utentes de Via de Rei e Sertã do Distrito de Castelo Branco e ainda bem, e até podia prestar assistência aos utentes do Gavião e da Ponte de Sôr, Distrito de Portalegre, que ficariam muito melhor servidos, pelo menos em termos de distância para Portalegre, e também podia prestar assistência ao concelho da Chamusca já que Santarém fica para eles muito mais longe e com piores acessos. Era tudo uma questão das pessoas raciocinarem com as suas cabeças e agirem em conformidade.

Acho que já vai sendo tempo da CIMT se afirmar na defesa dos interesses da população abrangida. Na saúde é que sabemos mas na defesas dos direitos dos munícipes na utilização da parte da A23 que era da JAE e da parte da A13 que era também da JAE, também não se ouve uma palavra na defesa da economia regional e dos restantes utilizadores duma coisa que era nossa e que estava paga há muitos anos. É pena que assim seja. Somos todos prejudicados, mas é assim a vida. Entretanto vamos aguardando, com alguma ansiedade, as cenas dos próximos capítulos até porque não achamos piada que andem a brincar com a nossa saúde.

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