SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Terça-feira, 15 Junho 2021, 21:28

Esta economia mata… cada vez mais!

As primeiras três palavras do título deste artigo, são como todos bem sabemos, da autoria sabedora do Papa Francisco. O resto é da minha autoria porque esta economia mata… cada vez mais.

Por cá, para além do aumento impressionante do número de óbitos no inverno que passou, também o número de suicídios tem vindo a aumentar porque as condições de vida dos mais desprotegidos são o que são.

Mas os morticínios que têm vindo a acontecer no Mar Mediterrâneo, dada a sua enormidade e a sua frequência, são números que deveriam fazer corar de vergonha os senhores do mundo face aos milhares de mortos que por ali se têm vindo a suceder entre tantos e tantos refugiados que fogem das guerras que outros foram instalando nos seus países de origem, onde muito faltava e onde agora falta tudo e acima de tudo a paz e a segurança. Mas não. Os tais senhores do mundo continuam impávidos e serenos.

E tudo isto vai acontecendo com muita passividade também por parte da Europa que um dia se pensou que seria unida e que agora volta as costas à Itália para onde se dirigem, por questões logísticas e geográficas, a maior parte desses refugiados que viajam clandestinamente em barcos sem qualquer tipo de condições, só para fugirem à morte da guerra pelo que muitos deles acabam por morrer na água às portas da Europa. Onde é que está a solidariedade desta Europa que se propagandeou unida?

Dizem certos senhores que a União Europeia não tem, barcos, não tem aviões nem helicópteros e acima de tudo não tem dinheiro para responder, humanitariamente, a esta tragédia diária. Mas Rui Tavares que foi deputado Europeu e Carlos Coelho, que ainda é Deputado Europeu, este eleito nas listas do PSD, dizem no jornal “I” de 22 de Abril, que “não se trata de dinheiro que não existe”. “A lei existe e os fundos existem, o que não existe é vontade política”. Então, em que é que ficamos? Ninguém os ouve? Porquê?

Sobre esta tragédia, segundo o Expresso, tendo em conta as últimas decisões da Europa, passo a transcrever: “Não há solução militar para a tragédia que está a acontecer no Mediterrâneo”, disse Ban Ki-moon na entrevista, na qual expressou uma preferência por incentivos à imigração legal como uma solução global. “É fundamental uma abordagem abrangente e que aborde as raízes do problema, a segurança e os direitos humanos dos migrantes e refugiados, assim como os canais regulares e legais de imigração”, acrescentou o secretário-geral da ONU, citado pela AFP, acrescentando ainda que o organismo “está pronto para trabalhar com os parceiros europeus nesse sentido”. E então, o que é que é preciso mais para que se comece a actuar em defesa dos refugiados?

Também José Manuel Pureza, numa recente Conferência na Biblioteca Gustavo Pinto Lopes em Torres Novas, organizada pela LOC/MTC, ACR, Paróquias de Torres Novas e Fórum Abel Varzim, teceu duras críticas à situação actual que embrulha o mundo, repetindo diversos pensamentos do Papa Francisco, nomeadamente, “ “O Papa diz ainda: Uma das causas desta situação está na relação estabelecida com o dinheiro, porque aceitamos pacificamente o seu domínio sobre nós e sobre as nossas sociedades. A crise financeira que atravessamos, faz-nos esquecer que na sua origem, há uma crise antropológica profunda: a negação da primazia do ser humano.”

Já perto do final da sua intervenção, José Manuel Pureza disse que “há que cultivar um pensamento inquieto e critico que não se renda à realidade que é apresentada. Temos que ser capazes de ver para lá do que se vê e ser capaz de interrogar as razões das situações criando um pensamento crítico.” Diria eu, que apesar de tudo temos que ter ainda alguma esperança. Mas, para tanto, não podemos ficar quietos e calados. Temos que ser capazes de mobilizar vontades para se responsabilizarem no serviço colectivo, como disse Pureza. Mas repito, não podemos ficar quietos e calados e muito menos fazermos como fizeram recentemente os bancários nas eleições para o seu sindicato quando ficaram em casa mais de 68% dos sócios e depois queixam-se. Temos que ter esperança, mas não podemos ficar de braços cruzados. Isto como está e que não pode continuar porque esta economia mata… cada vez mais.

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